POLÍTICA DA BOLA

Por que um boicote à Copa do Mundo seria um pesadelo para Globo e SBT?

RAFAEL RIBEIRO/CBF

Jogador de futebol com camisa amarela da seleção brasileira sorri com a língua de fora em campo, com estádio desfocado ao fundo

Raphinha durante as Eliminatórias da Copa do Mundo; boicote ganha corpo nas redes sociais

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 7/1/2026 - 6h10

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Os recentes ataques dos Estados Unidos à Venezuela reacenderam dúvidas sobre uma eventual sanção da Fifa ao país, que será uma das sedes da Copa do Mundo de 2026. Paralelamente, já se articula nas redes sociais um movimento de boicote ao torneio, sobretudo na Europa, com pressão para que as seleções de lá se recusem a disputar a competição. No Brasil, um cenário desse tipo representaria um desastre para a TV aberta, especialmente para a Globo e o SBT, que apostam pesado no evento.

Como o Notícias da TV já havia mostrado, a Copa do Mundo deve render algumas das maiores audiências de 2026. A própria Globo experimentou índices elevados na Kantar Ibope com as Eliminatórias para o evento em 2025, especialmente na Grande São Paulo --que concentra cerca de 40% de todo o PNT (Painel Nacional de Televisão).

Até o SBT já percebeu que o futebol pode ajudar a elevar não só os índices, mas também fortalecer o caixa. A Copa Sul-Americana e a Liga dos Campeões trouxeram bons resultados na audiência e no faturamento para a emissora de Silvio Santos (1930-2024).

A questão é que as transmissões esportivas atualmente são um dos poucos momentos em que a TV aberta ainda consegue monopolizar a atenção --um recurso cada vez mais disputado-- do público. Dão um gás no ibope, assim como as grandes coberturas jornalísticas.

O Jornal Hoje, por exemplo, bateu um recorde ao cobrir a morte do papa Francisco (1936-2025) e viu seu público crescer em pleno sábado com a prisão de Nicolás Maduro.

Um boicote de equipes esportivas ao evento poderia levar a uma dor de cabeça sem fim, que vai muito além de ajustes na programação. Pior ainda seria o próprio público torcer o nariz para a competição, especialmente com o aceno feito pela Fifa a Donald Trump –que recebeu uma homenagem durante o sorteio da fase de grupos, no fim de 2025.

A Copa do Mundo é fundamental para a própria sobrevivência da TV aberta, que não deve deixar de existir tão cedo. Assim como a televisão não suplantou o rádio, as novas tecnologias não vão acabar com a "telinha" --mas, sim, tirar recursos valiosos de atenção e de publicidade.

Até aqui, um boicote parece bem improvável, até porque o alinhamento da Fifa com Trump deixa um temor de possíveis punições às equipes nacionais que se recusarem a jogar. Além disso, houve um movimento muito forte de despolitização, especialmente no esporte --ainda que grandes eventos, como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, sempre tenham mexido com a geopolítica.


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