LACRASSANDRA

Piada de Tatá Werneck viraliza, confunde parte do público e agrada a Juliano Cazarré

REPRODUÇÃO/MULTISHOW

A humorista Tatá Werneck caracterizada como a personagem Lacrassandra no programa E.T. no Multishow

Tatá Werneck caracterizada como a personagem Lacrassandra no programa E.T. no Multishow

FERNANDA LOPES

fernanda@noticiasdatv.com

Publicado em 26/5/2026 - 14h28

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O humorístico E.T. - Edu e Tatá, que estreou no último dia 19 no Multishow, já viralizou e provocou repercussão controversa. Um esquete fez graça da "lacração" excessiva performada em redes sociais, com uma personagem chamada de Lacrassandra. A piada gerou reações diversas: parte do público amou, outra achou de mau gosto, e uma terceira adorou por se sentir "vítima" daquela situação --nesse nicho, estão pessoas como o ator Juliano Cazarré e o comediante Leo Lins.

Em E.T., Eduardo Sterblitch e Tatá Werneck apresentam esquetes de humor que satirizam situações da vida, relacionamentos, programas de TV, propagandas, comportamentos e tendências.

Um dos esquetes consistiu numa cena que se passava num restaurante, num encontro aparentemente romântico entre um homem e uma mulher. Mas, a cada vez que ele abria a boca para falar alguma coisa, ela dava uma "lacrada".

A "lacração" é uma forma de discurso que ficou conhecida na internet. É usada quando alguém quer corrigir outra pessoa, mostrar que sua opinião, sua visão de mundo ou seu argumento é superior ao do outro, é o correto; é como uma lição dada no opositor.

Muitas vezes, ao longo dos últimos anos, pautas progressistas e de militância social foram empregadas de maneira sem tato ou sem sentido, como se os autores dos discursos estivessem "pesando a mão" num contexto errado ou desnecessário. É nesse sentido que o humor do esquete se constrói.

A personagem de Tatá Werneck é uma militante feminista que vai longe. Ela remete a situações que de fato aconteceram, como o dia, em 2018, em que a atriz Kéfera Buchmann acusou um homem da plateia do Encontro com Fátima Bernardes de fazer mansplaining (quando um homem tenta ensinar algo a uma mulher, como se ela não soubesse ou o conhecimento dele fosse superior) e manterrupting (quando um homem interrompe uma mulher).

Lacrassandra também usa termos como "corpos livres" e "somos as bruxas que não conseguiram queimar", que se tornaram clichês desse tipo de discurso "militudo".

O humor reside muito em comportamentos observados na internet e ao fato de a personagem exagerar os próprios comportamentos, transferindo uma militância desmedida a uma situação em que nada demais acontecia.

Elogios e críticas

A piada foi compreendida de maneiras diferentes. Muita gente amou. No Instagram, o esquete foi publicado no perfil oficial do Multishow e conquistou milhares de comentários. Deborah Bloch se declarou: "Tatá Werneck, eu te amo". "A franja vegana, hahaha", observou Bela Gil.

Além de muitas risadas e elogios, houve quem se predispusesse a explicar a piada. "Sensacional! Existem pessoas extremistas em qualquer grupo, e a comédia também precisa brincar com esses exageros fora do padrão. Parabéns, ficou superoriginal! A comédia funciona justamente quando exagera certos perfis e comportamentos", opinou o ator Rafael Mazzi.

"Para quem não entendeu, o vídeo é uma critica ao feminismo branco e neoliberal, puro suco da performance, e que, em algumas situações, chega a dar até munição ao patriarcado", explicou a fã Tatiana Lopes.

De fato, o esquete deu munição a críticas, em dois sentidos. Houve quem criticasse um suposto mau gosto, por supostamente ridicularizar o feminismo em meio a tantos casos de misoginia e feminicídio. "Desserviço para o humor", criticou o internauta Fabio Morais no TikTok.

"Lamentável ver a Tatá se vendendo a esse ponto! Uma mãe de menina se prestando a esse papel. Antes do deboche, deve vir a crítica ao sistema, porém esse não é o caso, foi apenas um deboche a toda uma classe! Senti vergonha por não ter sido representada pelos peitos de uma mãe debochando da dor das mulheres! Triste, muito triste!", considerou a internauta Gizelle Carvallho na mesma rede.

Engajamento conservador

Por outro lado, o setor mais conservador da sociedade se sentiu "visto" pela dor do homem que aparece no esquete e é silenciado. Juliano Cazarré, que recentemente lançou um curso para "resgatar a masculinidade tradicional", comparou a cena de humor à sua participação no programa GloboNews Debate, em que debateu masculinidade com a psicanalista Vera Iaconelli e o consultor Ismael dos Anjos.

"Quem colocou no Multishow esse trecho da minha entrevista na GloboNews?", comentou ele, com emojis de risada. Vale ressaltar que Vera Iaconelli em nenhum momento se comportou como a personagem de Tatá.

Leo Lins, que já foi condenado e posteriormente absolvido por propagar conteúdo discriminatório contra minorias e grupos vulneráveis em um show de comédia, também gostou.

"Esse esquete era o programa da Fátima Bernardes [Encontro] em 2018. Mas agora que essa histeria já perdendo força e provavelmente não tem custo comercial, a própria Globo, que lucrou promovendo pautas caricatas como essa, malandramente troca de time no meio do jogo e… 'Vamos lucrar, dessa vez, rindo de pautas que até anos atras éramos os maiores divulgadores'. Deixando isso de lado e olhando apenas o humor: os dois são excelentes humoristas, e o esquete ficou ótimo", opinou.

Um telespectador identificado como Zeca Luz comentou: "Está assim mesmo. As feministas estão destruindo as mulheres". Tatá Werneck fez questão de responder ao comentário dele e afirmar: "Eu sou feminista, amor. Obviamente".

O Notícias da TV entrou em contato com Tatá por meio de suas redes sociais e sua assessoria de imprensa, em busca de um pronunciamento sobre a repercussão do esquete, mas não obteve resposta. Caso a humorista se pronuncie, este texto será atualizado.


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