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ANÁLISE

Paródia de Três Graças, Dez Graças funciona melhor quando não satiriza a novela

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Homem negro vestido de mulher lê um livro sentado no sofá enquanto outro homem de peruca loira fala em seu ouvido

Robin Luce (Phellyx) é influenciada por Alexandre (Ed Gama) de A Viagem em Dez Graças

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 19/4/2026 - 20h34

Anunciada como uma das grandes novidades do Domingão com Huck para este ano, a paródia Dez Graças estreou neste domingo (19) sem cumprir completamente sua missão de divertir o público. A versão cômica de Três Graças funcionou melhor quando fazia piadas não relacionadas à novela das nove da Globo.

A sátira foi melhor resumida pelo próprio Aguinaldo Silva, autor de Três Graças, que foi ao palco de Luciano Huck para acompanhar a estreia da paródia. "Eu esperava mais", sentenciou o novelista, sem hesitar.

De fato, as cenas reimaginadas da história de Gerluce (Sophie Charlotte), aqui apresentada como Robin Luce (Phellyx) --já que, como Robin Hood, ela rouba dos ricos para ajudar os mais pobres--, não foram exatamente engraçadas. Para tentar recuperar a história da novela, que estreou em outubro, a paródia ficou com cara de velha, com sequências que foram ao ar há meses.

Assim, Dez Graças cresceu quando tentou comer pelas beiradas. Um dos melhores momentos aconteceu quando o espírito obsessor Alexandre (Ed Gama), de A Viagem (1994), influenciou a protagonista a roubar a estátua que dá nome à trama. Ele falou que a mocinha não tem o que fazer já que nem foi convidada para o Melhores do Ano --uma alfinetada ao fato de que Sophie Charlotte ficou de fora da lista de indicados ao prêmio da própria atração.

Outra piada inspirada veio com o personagem de Miguel Falabella, o galerista Kasper, aqui reimaginado como Kasper Antibes (Marcelo Adnet). O humorista incorporou por completo o personagem do Sai de Baixo (1996-2002; 2013), com direito ao horror que ele tinha a pobres e um "Cala a boca, João Magda!" para o marido, vivido por Samuel de Assis na novela.

No fim, a cena em que Farinhette (Marcelo Adnet) tenta atropelar Farmaciane (Dani Calabresa) mas acaba acertando o filho, Pedrinho "Babalu" Novaes (Ed Gama), resultou em outra sequência divertida por ser totalmente inusitada.

A farmacêutica foi acalmada por Angélico --em vez de Adriano Toloza, o personagem surgiu na pele de Ed Gama, com uma peruca loira e comprida, uma pinta na perna, tal qual Angélica, mulher de Luciano Huck. O "capítulo" terminou com todos cantando e dançando Vou de Táxi, hit da artista.

"O Angélico foi a grande sacada", assentiu Aguinaldo Silva, dizendo que o segundo bloco da paródia tinha sido melhor que o primeiro --mas, mesmo assim, sem se convencer muito de que sua obra precisava daquilo. "Quem sabe no próximo capítulo?", concedeu o autor, colocando em palavras no ar o que boa parte do público devia estar pensando naquele momento.


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