OFERTA HOSTIL
REPRODUÇÃO/HBO MAX

Rachel (Jennifer Aniston) em Friends: série da HBO Max está inclusa em pacote disputado
A Paramount Skydance voltou com tudo à batalha bilionária pelo controle da Warner Bros. Discovery. O estúdio apresentou uma oferta hostil de US$ 108,4 bilhões (R$ 588 bilhões) para assumir a empresa --um movimento agressivo que coloca ainda mais pressão sobre a Netflix, que anunciou na semana passada um acordo para comprar o estúdio por US$ 72 bilhões (R$ 392 bilhões), acompanhado de futuras mudanças no catálogo e nas assinaturas.
A oferta hostil acontece quando uma companhia tenta adquirir outra sem o apoio da diretoria da empresa-alvo, apelando diretamente aos acionistas com um valor mais alto por ação. A estratégia expõe uma guerra corporativa sem precedentes em Hollywood, que já mobiliza reguladores, executivos e até o presidente dos Estados Unidos.
A Paramount oferece US$ 30 (R$ 163) por ação, superando os quase US$ 28 (R$ 152) oferecidos pela Netflix. Quando considerada a dívida da Warner, o pacote chega aos mesmos US$ 82,7 bilhões (R$ 450,4 bilhões) avaliados na transação proposta pela rival, porém com um pagamento maior aos acionistas e uma tentativa de reverter o favoritismo da Netflix.
A ofensiva amplia uma disputa que já vinha se intensificando desde o anúncio, na sexta (5), de que a Netflix havia fechado acordo para comprar um dos maiores conglomerados de mídia do planeta. A união colocaria sob o guarda-chuva da plataforma marcas como HBO, HBO Max e Warner Bros. Pictures, além de franquias como Game of Thrones, Harry Potter e Friends.
Executivos, sindicatos e cineastas demonstraram preocupação com a possibilidade de concentração de mercado. A Netflix, confiante, incluiu no acordo uma multa de rescisão de US$ 5,8 bilhões (R$ 31,5 bilhões) caso o negócio seja barrado pelos reguladores.
A Paramount tenta capitalizar justamente esse temor. Em carta recente, a empresa acusou a Warner de conduzir um processo "tendencioso" que teria beneficiado a Netflix desde o início e reforçou que a fusão criaria um conglomerado com 43% do mercado global de streaming --o que, segundo seus advogados, violaria leis antitruste.
Donald Trump declarou publicamente que a fusão entre Netflix e Warner "pode ser um problema" para a concorrência. O presidente afirmou que pretende acompanhar o processo e que o Departamento de Justiça deve analisar o caso "por um bom tempo", o que indica que a aprovação não será rápida.
A Casa Branca já sinalizou preocupação com o impacto que a concentração pode ter sobre consumidores, rivais e trabalhadores da indústria.
Desde setembro, a Paramount tentou se unir à Warner em várias ocasiões, buscando formar um supergrupo capaz de competir com gigantes como Netflix, Apple e Amazon, mas todas as suas propostas foram consideradas baixas demais e rejeitadas.
Embora tenha elevado a disputa agora, a Paramount não será um caminho simples. Tanto a oferta quanto o acordo com a Netflix passarão por análises de órgãos antitruste nos Estados Unidos e na Europa.
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