A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
TV PAGA
REPRODUÇÃO/SPORTV

André Rizek, Paulo Nunes, Renato Augusto e Denilson Show no Seleção Sportv, em Nova York
O Sportv vive uma Copa do Mundo 2026 agridoce. De um lado, o canal esportivo da Globo é líder absoluto na TV paga. Apenas na fase de grupos, registrou uma audiência 77% maior do que a segunda colocada, segundo dados nacionais do Ibope. Do outro lado, coleciona críticas nas redes sociais e não consegue mais ditar a conversa durante a competição.
Nem mesmo um ex-diretor do Sportv perdoou a falta de relevância da programação do canal esportivo no Mundial deste ano.
"Até agora eu estava em silêncio, mas vendo o que estou vendo não posso ficar quieto. Muito triste por terem destruído o Sportv. O canal que ficou 24 horas no ar com cobertura da Copa 2014, que produziu o melhor programa olímpico de 2016 (segundo premiação do Comitê Olímpico Internacional), tem presença irrelevante na Copa 2026. A que ponto chegamos", escreveu Raul Costa Jr. no Instagram.
"A marca Sportv era muito querida por todos, como mostravam as pesquisas, e o canal cumpria o papel de ser alternativa para que não gostava da Globo. E agora? Para reconstruir será difícil", continuou Costa Jr., que foi diretor do canal entre 2009 a 2017.
Mesmo que a Globo consiga reaver a exclusividade dos direitos para a Copa do Mundo de 2030, o ex-executivo avalia que o estrago já está feito.
"Sempre ficará a imagem da 'vitória' pela força e não pelo talento. Existem caminhos que precisam ser pensados de uma perspectiva diferente da atual. O que não dá é pra manter este modelo. Repetir o atual padrão de cobertura na Olimpíada de 2028 colocará o Sportv em um caminho sem volta", finalizou.
A forte opinião de Raul Costa Jr. revela que o canal perdeu força na Copa do Mundo. E três erros capitais foram responsáveis por essa impressão:
Com exibição na TV aberta, na paga e no streaming, a Copa do Mundo vai muito além dos jogos e de programas temáticos. Mais do que nunca, o Mundial de 2026 é o torneio da segunda tela. Além de acompanhar as partidas, o telespectador quer ver cortes, participar de debates e reagir a memes. Neste campo de batalha, o Sportv perdeu de lavada.
Na TV paga, por exemplo, outros canais geraram muito mais repercussão do que o Sportv durante a Copa. Após a eliminação do Brasil contra a Noruega, os cortes mais virais vieram da ESPN Brasil e da TNT Sports, que sequer têm os direitos de transmissão do torneio.
Dentro do próprio Grupo Globo, o Sportv ficou aquém da cobertura digital da Ge TV, que tem o DNA da web e conseguiu, mesmo que de maneira discreta, ressoar mais forte com o público que tem um olho na TV e outro no celular.
O Sportv já foi protagonista de coberturas esportivas das mais difíceis. Na Copa de 2014 no Brasil, por exemplo, o canal chegou a ficar 24 horas ininterruptas no ar com notícias e comentários do torneio.
Além da perda de fôlego com o conteúdo, os produtos exclusivos parecem ter perdido o brilho. No Mundial do Brasil, o Sportv promoveu programas como o Extra Ordinários, com apresentadores como Peninha e Maitê Proença, que abordava o Mundial de uma perspectiva inteligente e inovadora. Ou o É Campeão, que juntou os campeões mundiais Lothar Matthäus, Daniel Passarella, Fabio Cannavaro e Carlos Alberto Torres (1944-2016).
Porém, em 2026, o cenário mudou. O principal produto do canal para a Copa da América do Norte é o Seleção Sportv, com André Rizek e uma turma de ex-jogadores que se aposentaram recentemente. A grande contratação foi o ex-técnico Luiz Felipe Scolari, o Felipão.
Dentro do segmento esportivo, ainda houve espaço para o Fatiada, com os influenciadores Fausto Menzinho, Victor Sarro e Júlio Cocielo, misturando esporte com humor e desafios.
Enquanto na concorrência se destacam jornalistas esportivos experientes, o Sportv optou por apostar em ex-jogadores como Felipe Melo, Renato Augusto e D'alessandro. Apesar de figuras conhecidas do futebol brasileiro, não têm o peso de Matthäus, Passarella e Cannavaro, como em 2014.
Enquanto na internet o que está na moda é o estilo "resenha" da CazéTV, na TV paga o que se mostrou mais eficaz para gerar conversa foi a aposta em jornalistas gabaritados, com opiniões técnicas e menos boleiras, exatamente na contramão do que escolheu o Sportv.
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