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ANÁLISE

O ano tenebroso do SBT: Caos criativo e grade improvisada afundam a emissora

REPRODUÇÃO/SBT

Daniela Beyruti em coletiva do SBT

Daniela Beyruti em coletiva do SBT; emissora passou por desafios e crises pesadas em 2025

GIULIANNA MUNERATTO

giulianna@noticiasdatv.com

Publicado em 26/12/2025 - 6h10

O SBT atravessou em 2025 uma das fases mais instáveis da sua história. A emissora passou o ano inteiro acumulando trocas de horários, recuos estratégicos, ajustes improvisados e decisões que desorientaram tanto o público quanto o mercado. O resultado? Uma soma de ruídos internos, desgaste de público e quedas sucessivas na audiência.

Entre mudanças de última hora, reprises escaladas como salva-vidas e uma faixa vespertina que virou um laboratório com tantos testes, a emissora fundada por Silvio Santos (1930-2024) enfrentou uma crise de identidade num momento em que a TV aberta precisa, mais do que nunca, de coerência. 

Desde a morte do "patrão", o SBT tem encarado muitos percalços, que ficaram ainda mais evidentes ao longo de 2025. A crise é alimentada por vários fatores: desde a falta de noção de como agradar ao público até contratações duvidosas que levaram a audiência ao chão.

O Bom Dia & Cia foi um dos programas que afundou o ibope após a oficialização da nova grade da emissora, assim como o Aqui Agora --que fez com que Geraldo Luís fosse contratado, mas rapidamente demitido.

Ao mesmo tempo, houve uma tentativa de equilibrar a grade com sucessivas reprises de novelas mexicanas. Maria do Bairro (1995) chegou a liderar entre os programas mais vistos da emissora em alguns dias; Rubi (2004) e Esmeralda (2004), versão brasileira de uma mexicana, reagiram. Mas, quando chegam ao fim, elas deixam buracos difíceis de tapar na programação.

Um exemplo emblemático dessa turbulência aconteceu no início de dezembro, quando o SBT teve o pior índice em um sábado em quatro décadas. Com 1,7 ponto de média na Grande São Paulo no último dia 6, foi o retrato perfeito de um ano em que a falta de estratégia cobrou um preço alto.

A instabilidade institucional foi um dos destaques da crise do SBT, sobretudo com a passagem de Rinaldi Faria pelo comando da área artística. Contratado por Daniela Beyruti, ele durou menos de cinco meses na função e acumulou descontentamento até dos grandes medalhões, além de ter se tornado motivo de preocupação no mercado publicitário e irritado quem esperava direção e investimento --e não cortes generalizados e mudanças bruscas.

A famosa "grade voadora" que funcionava nos anos 1990, sob o comando carismático de Silvio Santos, não tem espaço na TV aberta em 2025. Hoje, cada erro custa caro --e o SBT parece ter cometido vários ao mesmo tempo.

Funcionários relatavam que Daniela tinha boa vontade e intenção real de recuperar a emissora, mas estava "mal assessorada". E não era difícil entender o diagnóstico: o SBT promoveu uma avalanche de mudanças principalmente no horário vespertino, que virou praticamente uma roleta russa.

Chaves saiu e voltou, a Porta dos Desesperados estreou e foi retirada do ar após quatro episódios, Quem Vai Ficar com a Mamãe? entrou às pressas, Maria do Bairro ganhou maratonas, Rubi retornou pela quinta vez, e o Casos de Família saltou de horário repetidamente.

A bagunça atingiu seu ápice em novembro, com a troca repentina de horários entre Coração Indomável e o Aqui Agora --mudança comunicada sem alinhamento com afiliadas, gerando confusão sobre capítulos, exibição nacional e reprises emergenciais. A situação resume bem o 2025 do SBT: decisões rápidas, execução atrapalhada e consequências que se arrastam.

No fim, a emissora termina o ano como uma emissora que passou mais tempo reagindo do que planejando, entre tensões internas, queda de audiência e uma programação que virou sinônimo de instabilidade.

O SBT entra agora em 2026 diante de uma questão essencial: a emissora vai finalmente parar de brincar com a própria programação e voltar a agir com competitividade no mercado, ou continuará vivendo de tropeços, sustos e remendos de última hora?


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