A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
MUDAR É PRECISO
Bob Paulino/TV Globo

Eliana à frente do Em Família; atração da Globo precisa valorizar potencial da apresentadora
Em três semanas, o Em Família com Eliana vai concluir sua "primeira etapa". O quadro Minha Família É um Show, que ocupa boa parte do programa, chegará ao fim no próximo dia 7. Com a grade da Globo tomada pela Copa do Mundo logo em seguida, a atração deve lançar novidades apenas em julho. É a oportunidade que a emissora tem para recalcular a rota e apostar no que o Em Família tem de melhor: a apresentadora.
Conhecida do público infantojuvenil, Eliana Michaelichen ampliou horizontes quando assumiu o Tudo É Possível (2005-2012), na Record. Em 2009, deixou o programa e a emissora, retornando ao SBT. Por lá, foram 15 anos à frente do dominical que levava seu nome, conduzindo quadros sobre relacionamentos, beleza e autocuidado, ciência, aventuras, entre outros temas.
A apresentadora transita com naturalidade por pautas diversas. Logo, não há necessidade da Globo, nem da própria Eliana, de tentar enfiar o Em Família na caixa que abriga --e sufoca-- todo o Entretenimento da emissora. O tom excessivamente inspiracional do programa, com "lições de vida" e reforço de mensagens sobre família, união e fé, é maçante.
Claro que há, por trás da proposta, a associação da imagem de Eliana, não só na TV, a conceitos do tipo. Ele segue a cartilha da maioria dos nomes em alta no meio artístico hoje em dia --especialmente os que dominam o mercado publicitário. Ainda assim, é possível variar o cardápio da atração.
A Globo já admitia a possibilidade de mudanças na época do lançamento do Em Família. "Com um formato vivo, o programa se renova a cada temporada, ganhando novos quadros, dinâmicas e temáticas que acompanham o público e mantêm a atração sempre atual", ressaltou a emissora em um dos comunicados enviados à imprensa.
O momento da primeira reformulação está chegando. Para tal, é preciso considerar as potencialidades da apresentadora. Manter Eliana presa à mensagem replicada em outras atrações da casa ou insistir em quadros já vistos à exaustão não vai ajudar. O formato precisa olhar mais para quem o conduz do que para as fórmulas recorrentes na Globo hoje.
Outro ajuste passa pela otimização do tempo de arte. Para encaixar vários conteúdos na curta duração, a equipe do Em Família com Eliana desperdiça convidados e abusa dos cortes --problema recorrente no Entretenimento da emissora, aliás. Quem está no palco mal tem espaço para falar. Nas externas, as conversas não ganham profundidade.
É bem verdade que, após uma estreia muito criticada, a equipe promoveu mudanças sutis, que influenciaram positivamente. Os acertos envolvem desde a melhora na iluminação até as brincadeiras realizadas no palco, justamente os momentos em que Eliana está mais solta. Cabe aos envolvidos avaliar o que deu certo e reformular o que é necessário.
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