ENTREVISTA EXCLUSIVA

No SBT após longa negociação, Raphael Rezende foge da TV com fim da Copa

REPRODUÇÃO/SBT

homem branco sorri em estúdio

Raphael Rezende se juntou ao time da Copa no SBT após passagem nos bastidores do futebol

EDUARDO REIS

eduardo@noticiasdatv.com

Publicado em 16/7/2026 - 9h00

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A passagem de Raphael Rezende pelo SBT termina junto com a Copa do Mundo --e não há, por enquanto, chance de se prolongar. Apesar de afirmar que sua experiência na emissora tem superado as expectativas, o comentarista diz que o objetivo continua sendo retornar aos bastidores do futebol, área em que encontrou uma nova perspectiva profissional.

Em entrevista exclusiva ao Notícias da TV, o jornalista detalha a longa negociação para integrar a equipe da cobertura do Mundial e explica como a passagem pelo Botafogo transformou sua maneira de analisar o esporte.

Segundo Rezende, o primeiro contato com o SBT aconteceu em março, pouco depois de sua saída do Botafogo, no qual ele atuava como analista de desempenho e mercado. Naquele momento, porém, ele ainda buscava oportunidades em clubes e, por isso, não aceitou imediatamente o convite para integrar a equipe da Copa do Mundo.

"O Tiago Leifert me mandou mensagem, perguntou como eu estava e o que eu estava imaginando para a frente. Eu expliquei que tinha interesse em continuar trabalhando do lado de lá do muro, digamos, no futebol", afirma.

O comentarista reconhece que o projeto o interessou desde o início, mas pondera que havia acabado de deixar um cargo de gestão em plena temporada. Como ainda esperava se recolocar no mercado, principalmente no Rio de Janeiro, onde vive com a família, preferiu acompanhar as possibilidades antes de assumir um compromisso na televisão.

A maior preocupação, segundo o jornalista, era o calendário. A abertura da janela de transferências acontece logo após o encerramento da Copa, justamente o período mais importante para quem atua na gestão de futebol.

"Eu estava preocupado de, fechando com eles para a Copa do Mundo, perder alguma oportunidade que surgisse pensando nos clubes. A Copa acaba em 19 de julho, e a janela de transferências no Brasil abre no dia 20. Uma coisa está atrelada à outra. Se eu estivesse vinculado aqui, fatalmente não conseguiria estar dentro de um clube projetando e planejando a segunda janela de transferências. E isso estava me preocupando", analisa.

Convencido pela direção do SBT, Rezende acabou aceitando o convite. Além da dimensão da Copa do Mundo, pesaram na escolha a oportunidade de voltar à TV aberta e o ambiente que encontraria na emissora.

"Mais perto da Copa, a gente conversou mais diretamente. A TV aberta é muito atraente, pela visibilidade e por poder dar minha opinião para o grande público. Aí, falei: 'Não, estamos juntos. Vamos fazer'. E tem sido maravilhoso."

O analista destaca que trabalhar em uma Copa do Mundo representa um dos maiores marcos da carreira de qualquer profissional que cobre futebol. Segundo ele, toda a sua trajetória no jornalismo sempre foi planejada tendo o Mundial como uma referência.

A Copa do Mundo é muito especial. Quando eu decidi fazer jornalismo, meu objetivo era trabalhar com futebol. É como se a gente dividisse a vida em ciclos de quatro em quatro anos. Tudo é pensado nesse grande momento. Estar dentro de uma cobertura de Copa do Mundo é muito marcante na vida de todo profissional do jornalismo.

Retorno aos clubes segue como prioridade

Apesar da satisfação com a experiência no SBT, Rezende afirma que o plano continua sendo deixar a televisão após o Mundial. O comentarista diz que pretende voltar a trabalhar na gestão de um clube, área na qual acredita conseguir gerar mudanças mais concretas para o futebol.

"Tem a ver com a Copa do Mundo, tem a ver com a grandiosidade do projeto, mas o meu interesse, pré e pós-Copa, ainda é encontrar um caminho para trabalhar com esse lado do mercado, da gestão de futebol, com o qual eu me identifiquei muito", revela.

Na avaliação do jornalista, a experiência nos bastidores do Botafogo também mudou sua percepção sobre o papel do comentarista. Ele analisa que quem trabalha diretamente dentro de um clube consegue influenciar o esporte de uma maneira diferente de quem o observa diante das câmeras.

"Acho que a gente tem uma influência menor, por incrível que pareça, comentando com o microfone do que fazendo trabalhos relevantes que, de alguma forma, modifiquem o cenário do futebol", opina.

Por isso, o comentarista deixa claro que, caso possa escolher o próximo passo da carreira, a prioridade será retornar ao ambiente dos times. "Apesar de estar muito feliz aqui, se eu puder escolher, o retorno para um clube ainda é uma intenção para o pós-Copa do Mundo", ressalta.

Os quatro anos vividos na gestão do Botafogo transformaram sua maneira de enxergar o futebol. Segundo ele, antes seus comentários eram mais objetivos, mas a experiência nos bastidores fez com que passasse a considerar o peso das relações humanas dentro de um clube.

"Talvez eu fosse muito objetivo no início e considerasse pouco essa questão das relações. Quando você vive o dia a dia, percebe o quanto a gestão do ambiente é relevante para o sucesso ou para o fracasso de um trabalho", afirma Rezende.

O jornalista diz que passou a valorizar mais o trabalho coletivo e as dificuldades enfrentadas diariamente por atletas, treinadores e dirigentes. Para ele, essa vivência tornou suas análises mais humanas.

"O clube de futebol não ganha por causa de um ou dois caras. Se tiver algo que não esteja redondo, todo mundo remando para o mesmo caminho, não funciona. Isso humaniza as percepções que eu tenho e o tipo de comentário que eu faço, reconhecendo a dificuldade de quem está do outro lado", finaliza.


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