A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
PAPO SINCERO
REPRODUÇÃO/FANTÁSTICO

Ana Maria Braga no quadro Pode Perguntar?, do Fantástico, com pessoas do espectro autista
Em uma entrevista reveladora ao Fantástico neste domingo (28), Ana Maria Braga abriu o coração sobre os momentos mais marcantes e delicados de sua trajetória pessoal e profissional. Sem filtros, a comandante do Mais Você passou a limpo o que considera o maior erro de sua vida --o vício do cigarro-- e relembrou com bom humor a sua pior gafe ao vivo na Globo, que envolve até hoje a famosa imagem de uma lagarta.
Mais do que revirar o passado e detalhar a parceria nostálgica com Tom Veiga (1973-2020) na criação do Louro José, a veterana de 77 anos celebrou sua grande vitória na saúde e no amor: a superação do câncer, a superação dos perrengues da juventude e a sua postura firme contra o etarismo, deixando claro que ninguém vai ditar o momento de sua aposentadoria.
A veterana não teve meias palavras para falar do tabagismo no quadro Pode Perguntar?, em que foi sabatinada por pessoas que estão dentro do espectro autista.
"Foi um dos piores erros da minha vida. O cigarro acaba com o seu organismo, com a sua saúde. Parei faz quase quatro anos. Eu decidi viver. Não podia continuar sendo burra. Queria ver meus netos crescerem, continuar com o meu casamento, que me traz muita felicidade", confessou.
A âncora do Mais Você aproveitou para deixar uma mensagem para mulheres que, como ela, enfrentam o câncer:
Quando a gente recebe um diagnóstico desse pela primeira vez é muito impactante. É como se fosse um soco na boca do estômago. Meu médico disse: 'você está entrando numa guerra. Seus soldados são suas células. Estou te dando armas para que elas expulsem esses inimigos'. Aprendi a conversar com meu corpo. Obviamente, contando com a ajuda de Nossa Senhora de Fátima, com a minha crença.
“Eu nunca menti na televisão, fui trabalhar careca. Nunca tive medo da palavra câncer. A gente tem que falar o nome desse inimigo", complementou.
Ana foi questionada sobre suas mancadas ao vivo. “Foram muitas, é só abrir a internet e procurar: ‘gafes da Ana Maria'. De vez em quando, eu erro o nome das pessoas. A primeira foi logo no começo da Globo. Convidei um chef para fazer um negócio bem simples, mas a folha começou a mexer. Era uma lagarta de vegetais que estava lá", ponderou.
“Aquilo lá nunca foi mais esquecido. A câmera deu um zoom e desde então essa lagarta me persegue", emendou.
A apresentadora ainda falou sobre a parceria com Tom Veiga (1973-2020), com quem trabalhou por mais de duas décadas:
Eu vinha logo depois dos desenhos animados de manhã, então tinha dificuldade de ganhar audiência. Pensei em como fazer essa passagem [entre um programa e outro] para deixarem a televisão ligada. Precisava ser um bicho que fala, e o papagaio fala, né? Eu fiz um rabiscão. Era uma coisa meio torta, o olho esgrouvinhado.
“Precisava de alguém para fazer a voz, então tinha um assistente que chamei para fazer. Ele morria de vergonha, mas se aventurou a fazer. Foi o meu papagaio por 25 anos. Morro de saudade", finalizou.
Ana ainda lembrou da sua infância no interior de São Paulo. “Eu gostava de sair de casa, porque meu pai não deixava. Eu era filha única, e ele muito bravo. Mas um dia ganhei uma bicicleta, que era muito maior do que eu, foi uma dificuldade danada. Mas quando aprendi, era o que eu mais gostava de fazer", disse.
Ela também recordou as dificuldades financeiras assim que ganhou a sua independência. “Quando eu resolvi estudar fora, ele dizia que filha dele não foi feita [para isso]. Queria que eu desse aula no primário e fosse dona de casa. Ele não me ajudou. Fugi e fui sem grana. Passei por uns perrengues, mas que serviram muito", pontuou.
Ana Maria também levantou a voz contra o etarismo. “Sou casada com um homem 30 anos mais novo do que eu. Nunca me olhei no espelho e pensei: não estou bonita. Me acho linda, gostosa, uma pessoa legal. As críticas que ouvi na vida –quando me chamavam de Ana Maria Brega– me deixavam um pouco de mágoa", começou.
“Mas eu percebi que a opinião do outro não muda nada. Às vezes eu leio na internet: ‘por que essa velha está aí, não aposentou ainda'. Eu vou parar quando eu quiser", arrematou.
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