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VALE OURO

No ar há 46 anos, Globo Rural prova que continua insubstituível na televisão

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Os jornalistas Nelson Araújo e Cristina Vieira no estúdio do Globo Rural

Nelson Araújo e Cristina Vieira; apresentadores seguem no jornalístico após "ano de ouro"

GIOVANNA RIBEIRO

giovanna@noticiasdatv.com

Publicado em 4/1/2026 - 7h10

Ocupar a grade da TV Globo por mais de quatro décadas, ou seja, mais de dois terços da própria existência da emissora carioca, é um feito conquistado por poucas atrações. Mas o que realmente coloca o Globo Rural --que completa 46 anos nesta terça-feira (6)-- em posição de privilégio é o crescimento do jornalístico, que ainda lidera a conversa centrada nos homens (e nas mulheres) do campo. 

Exibido desde 1980, o Globo Rural é um exemplo de longevidade e um dos programas mais tradicionais da televisão brasileira. E o que explica sua resistência, mesmo inserido em um cenário midiático em constante transformação, é um caso à parte. 

A chave reside na sua autoridade editorial e na sua capacidade de fazer um jornalismo que constrói uma distância crítica em relação à exaltação publicitária do "agro é pop, agro é tech, agro é tudo", que se tornou lugar-comum, inclusive na própria Globo, diante da pressão do agronegócio em diversas camadas sociais --da política à cultura popular.

A relevância do programa também é sustentada por números consistentes. Em algumas capitais pelo Brasil, inclusive São Paulo, a atração chegou a ser mais vista do que a primeira parte do Domingão, comandado por Luciano Huck, no mesmo dia de exibição.

Os índices de 2025 surpreenderam até a emissora, que fará mais investimentos na atração a partir deste ano. Segundo a Folha de S.Paulo, para 2026, a Globo pretende aumentar o esquema de viagens para reportagens especiais, além de estudar um aumento da equipe de produção. A atração continuará sob comando de Nelson Araújo (âncora que está no programa desde 1990), Cristina Vieira e Helen Martins.

Segundo dados do Kantar Ibope, o Globo Rural tem média de 10 pontos no PNT (Painel Nacional de Televisão), que mede a audiência das 15 principais metrópoles do Brasil. Segundo a Globo, 87,6 milhões de pessoas foram impactadas pelo programa em 2025, pelo menos até o início de novembro. É o maior número alcançado pela atração desde 2019.

O fenômeno do Globo Rural não está mais restrito apenas aos domingos: a atração que, desde fevereiro conta com uma reprise no início da faixa matinal de sábado, também está emplacando bons índices de audiência em seu horário alternativo.

Mesmo com reportagens exibidas há uma semana, o jornalístico não raramente consegue ter mais telespectadores do que os noticiosos que vão ao ar no horário nobre das emissoras concorrentes.

Este desempenho, que atinge telespectadores diversos em todas as regiões do país, prova que, mesmo em tempos de consumo rápido de conteúdo, há um público massivo e fiel em busca de um jornalismo aprofundado e de credibilidade sobre a complexa realidade do campo.

O sucesso de audiência do Globo Rural não veio de uma simplificação do conteúdo. Pelo contrário: ele se consolida ao fazer uma curva editorial, investindo em pautas que o setor produtivo e a propaganda preferem evitar.

O programa tem histórico de abordar temas sensíveis, como a investigação de conflitos fundiários, os impactos sociais e ambientais do monocultivo, e a análise de questões históricas e geopolíticas que moldaram a estrutura fundiária global.

A atração demonstrou coragem, por exemplo, ao fazer uma análise de como o colonialismo europeu impactou a agricultura em países africanos, traçando paralelos com o Brasil. O jornalístico também é conhecido por matérias extensas e uma linguagem considerada experimental dentro do jornalismo tradicional, caso de uma reportagem inteira narrada como um cordel.

Ao dar voz à agricultura familiar, aos povos indígenas e às comunidades tradicionais, o programa oferece uma visão mais completa e ainda hoje, incomparável na televisão aberta sobre a vida rural --inclusive na prestação de serviço ao tirar dúvidas dos espectadores.

Essa dedicação ao aprofundamento e à diversidade de perspectivas consolida o Globo Rural como uma fonte essencial, provando que é possível ser um sucesso de audiência e, ao mesmo tempo, um vetor de discussão para os temas mais urgentes e sensíveis do Brasil profundo.


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