HORA DO ADEUS
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

César Tralli beija rosto de William Bonner em passagem de bastão do Jornal Nacional nesta sexta (31)
Depois de quase 30 anos, William Bonner se despediu da bancada do Jornal Nacional com um discurso comovente, admitindo que estava "muito nervoso" e que poderia fracassar em sua próxima empreitada no Globo Repórter. Ele ainda quebrou o protocolo e fez até voz de criança para receber César Tralli, que vai substituí-lo no noticiário a partir de segunda-feira (3). O "novato" foi colocado na berlinda do programa e se sentou em um local oposto aos dois âncoras, que raramente é usado pela bancada, exceto em sabatinas com presidenciáveis.
"Chegou o dia. Dois meses atrás eu avisei aqui no Jornal Nacional que eu ia sair. Que eu tô indo pro Globo Repórter. E isso era o fim de um período de cinco anos de preparativos, de sucessores para mim na apresentação do Jornal Nacional, na chefia do Jornal Nacional, e de todas as pessoas que se envolveram nessas mudanças, porque cada um que sai de uma posição, tem que vir outro e tal", começou o âncora no último bloco do noticiário.
"Cinco anos se passaram, ciclo concluído e hoje, dois meses depois do anúncio que foi feito no dia 1º de setembro, aniversário do JN, eu estou concluindo então esse ciclo no JN. E por que eu tô saindo? Você deve se lembrar, eu fiz um comentário sobre a época da pandemia, quando eu me queixei comigo mesmo da falta de tempo para fazer, além das coisas que eu precisava fazer, coisas que eu queria fazer", contou Bonner.
"E a gente encontrou aqui na Globo uma forma de eu continuar no Jornalismo, que é a profissão que eu adoro, que eu amo e, na verdade, é o que eu sei fazer mesmo, porque se eu tivesse que mudar de profissão agora ia ser bem difícil para mim (risos)... Mas eu podia mudar de atividade!", ressaltou.
O apresentador explicou como funcionava o seu trabalho no JN. "É assim, um telejornal diário, como o que eu faço há 40 anos da minha vida, todo dia, ele tem duas matérias-primas. Ele tem a notícia do dia fresca, urgente, que é o que a gente chama de factual. E ele tem também, quando o tempo permite, reportagens de atualidades que não têm essa urgência toda. São coisas que têm acontecido, acontecem hoje, amanhã, eu posso exibir essa reportagem daqui a uma semana, e tudo bem, como podia ter exibido semana passada."
"E aí, se eu me dedicar não mais ao factual, ao dia a dia pesado, àquela urgência toda, e me dedicar mais às atualidades, a vida fica mais suave, vamos dizer assim. E no Globo Repórter, eu teria um programa semanal e não diário", apontou o apresentador que está de saída.
"Dito isto, hoje é meu último dia, chegou o momento, dona Renata Vasconcelos, nós iremos até ali, porque hoje é o dia em que nós vamos receber o seu novo parceiro. Não tem surpresa nenhuma, todo mundo sabe quem é, mas esse é o momento em que a gente vai buscá-lo", disse ele, se levantando e caminhando pela Redação, que ganhou até um ângulo oposto ao tradicional para recepcionar César Tralli.
"A gente até mudou aqui a perspectiva, da nossa bancada", destacou Renata Vasconcellos. "Doeram as suas costas para a gente girar a mesa?", provocou Bonner, bem-humorado. "Absolutamente, eu adorei, aliás, eu tô adorando essa perspectiva", rebateu a âncora. "Não é verdade, é brincadeira, é brincadeira! Temos uma mesa giratória nesse cenário maravilhoso e tecnológico", disparou o apresentador, aos risos.
"Eu vou parar no ponto que me pediram para parar, puseram um pedacinho de carpete circular aqui. Eu sei onde eu estou. E neste momento que as câmeras estão posicionadas, eu posso anunciar o seu futuro companheiro. Pode entrar agora, César Trali, por favor. É sempre um prazer enorme te cumprimentar e te abraçar, especialmente aqui. Mas a gente passou o dia junto, então não vem com essa de eu cheguei agora, vem cá", convocou William Bonner.
"Por favor, acomode-se nesse lugar especial para convidados do JN. Fazia um tempão que a gente não usava isso, porque a gente usa isso em situações especiais, entrevistas com candidatos à presidência", ressaltou.
Bonner, então, disse que se lembrou de Cid Moreira (1927-2024) ao recepcionar o colega. "E vou te dizer o porquê. Quando eu era jovem, eu fiz o primeiro Jornal Nacional ao lado do Cid Moreira, eu não era titular, né? Ele era titular com o [Sergio] Chapelin, o Chapelin tirou férias e me chamaram para substituí-lo", começou a contar.
"Aí, eu sentado aqui na bancada do JN, o Cid Moreira estava fazendo aquele aquecimento de voz que ele fazia, que era divertidíssimo. E, quando eu vi a tranquilidade dele, eu falei, quase com voz de criança, 'Seu Cid, seu Cid'. Falei: 'Cid, me diz uma coisa, em que momento você deixou de ficar nervoso para fazer o Jornal Nacional?'. Ele olhou para mim: 'Nunca'. Aí eu achei que ele tava brincando, eu falei: 'Você continua nervoso, você tá nervoso agora?'. E ele: 'Eu tô, [mas] menos do que você'. E eu tô dizendo isso, porque passados 29 anos de bancada, eu tô muito nervoso (risos)", admitiu o veterano.
"É normal, é natural, todos nós estamos nervosos e emocionados", tentou tranquilizar Renata. "As pessoas vão dizer: 'Você tá nervoso? Agora eu tô'. É isso que eu preciso saber de você. Você tá calmo? Quais são os sentimentos que você tem agora aqui para dividir com o povo?", perguntou Bonner.
"Eu tô, é claro que eu tô assim impressionado com essa Redação lotada", disse Tralli. "Eu também", concordou o âncora. "Eu nunca vi essa Redação tão cheia", falou o novato, que costuma apresentar o jornal em escala de plantão. "Nem eu", reforçou Bonner.
"Eu tô encontrando colegas aqui de todas as áreas do Jornalismo. Então, é uma alegria ver tanta gente que a gente gosta. Mas eu tô sereno, assim, eu tô tranquilo. Porque você mesmo disse há pouco, a gente passou um dia tão agradável. A gente começou o dia juntos. A Renata me trouxe um presente com um cartão maravilhoso. A gente falou sobre a vida, sobre o passado, sobre o presente, sobre o futuro, sobre expectativas", minimizou Tralli.
"Então, eu posso dizer para você que eu tô num estado de serenidade e de plenitude. Tô muito feliz de estar aqui com vocês. Quero agradecer muito essa recepção maravilhosa. Vocês são muito especiais para mim, e eu tô muito feliz de poder estar aqui num momento tão histórico pra sua vida, pra minha vida, pra vida da Renata", continuou o novato do JN.
"E é por isso que eu digo pra você que eu também estou muito emocionada, porque, enfim, também é uma honra estar compartilhando essa bancada com vocês dois, né? Dois monstros do jornalismo, dois profissionais que eu admiro tanto", elogiou Renata.
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