A gente manda.
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REPRODUÇÃO/RECORD

A apresentadora Adriane Galisteu em teaser de A Fazenda com aparente uso de IA: críticas
Uma opinião tem se tornado unânime nas redes sociais: o uso de inteligência artificial na TV, dos primeiros teasers de A Fazenda 18 a homenagens no Mais Você, causa revolta no público. Não se trata apenas de algum apuro estético. A ferramenta que se popularizou até como forma de as emissoras enxugarem custos virou alvo de críticas por todos os lados --especialmente por não necessariamente ser inteligente, muito menos artificial.
Uma das questões mais críticas é o custo humano. Por trás da economia gerada pelas novas ferramentas, há uma legião de profissionais --como designers, artistas visuais e técnicos-- que perde espaço aceleradamente no mercado. O agravante é que essas plataformas de IA utilizam os próprios trabalhos desses criadores, espalhados pela internet, como matéria-prima para treinar seus sistemas e gerar novos conteúdos.
A pesquisadora e escritora australiana Kate Crawford, autora de Atlas da IA: Poder, Política e os Custos Planetários da Inteligência Artificial (Edições Sesc), lembra que essa tal "inteligência" é feita, na verdade, com "recursos naturais, combustíveis, trabalho, logísticas e classificações humanas".
Ou seja, existe todo um trabalho feito por pessoas de carne e osso --muitas vezes precarizadas, com baixos salários-- por trás da tal inteligência artificial. Algumas, aliás, sequer estão sendo remuneradas. O próprio Jornalismo tem se tornado um exemplo, com diversas empresas cobrando as Big Techs pelo uso de seus textos --a maior parte deles, protegida por um direito autoral que se tornou defasado com a era digital.
Quando o leitor busca sobre um assunto na barra de pesquisas do Google, ela não retorna mais apenas com links, mas com uma série de informações que foram pinçadas de uma infinidade de sites --que tiveram os custos de manter profissionais, patrocinar apurações, pagar impostos sobre aqueles conteúdos.
O mesmo acontece com os conteúdos gerados com IA na televisão, em que uma infinidade de conteúdos na internet, não necessariamente desprotegidos de copyright, têm sido mobilizados sem crédito, sem remuneração em prol do lucro de terceiros --basta lembrar que as emissoras da TV aberta, apesar de serem concessões públicas, são empresas.
Outro ponto que tem ganhado força nas redes são os custos ambientais da inteligência artificial, centrados hoje na instalação de data centers. Por trás de todas as ferramentas, há instalações que consomem energia, água e produzem não apenas resíduos sólidos, mas também poluição sonora.
Não à toa, hoje o Senado e a Câmara dos Deputados debatem ativamente a criação de um marco legal para o setor, com propostas até já avançadas, a exemplo do PL 3018/2024. O próprio termo "soberania de dados" tem surgido nos planos de governo dos principais candidatos à Presidência da República.
Então, quando você vir alguém reclamando do uso de inteligência artificial na TV, lembre-se de que não se trata apenas de uma questão de gosto. É, sobretudo, questionar por que algumas empresas lucram --ou, pelo menos diminuem custos-- enquanto toda a sociedade paga a conta.
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