REPRESENTATIVIDADE

Neguerê pede mais jornalistas esportivos negros na TV: 'O caminho é mais difícil'

REPRODUÇÃO/N SPORTS

homem negro gesticula em estúdio de TV

Wallace Neguerê no programa Deu Jogo, da N Sports; jornalista também apresenta o Balanço da Copa

EDUARDO REIS

eduardo@noticiasdatv.com

Publicado em 11/7/2026 - 12h00

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Um dos rostos da cobertura da Copa do Mundo de 2026 no consórcio entre SBT e N Sports, Wallace Neguerê acredita que a televisão brasileira ainda precisa ampliar a presença de jornalistas negros em posições de destaque. Em entrevista ao Notícias da TV, o apresentador do Balanço da Copa analisa que a representatividade nas bancadas esportivas ainda está longe de refletir a quantidade de atletas negros que representam o esporte dentro de campo.

Embora reconheça que o debate costuma migrar para um lado mais politizado, Neguerê diz enxergar a questão como um problema estrutural que afeta as chances de bons profissionais.

"Hoje estou ocupando esse espaço, mas ainda há poucos jornalistas negros. Eu tenho o meu espaço, que conquistei por mérito e talento. Não foi apadrinhamento, não foi indicação. A gente precisa provar, todo dia, que merece estar ali. É uma questão de oportunidade e de enxergar o talento do profissional negro, não a cor da pele", diz.

Para o apresentador, apesar das dificuldades, as barreiras estão caindo. Ele cita a si mesmo como exemplo dessa mudança na TV:

Infelizmente, ainda existem espaços que não têm o costume de ter negros. É uma questão cultural. O acesso a esses espaços está sendo quebrado, e eu estou aqui para isso: para quebrar mais ainda, abrir mais portas. Tem muita gente boa vindo por aí.

Além dos obstáculos para chegar a uma posição de destaque, o profissional negro não pode cometer erros, segundo Neguerê. "O caminho é muito mais difícil. É um caminho de ter que se provar todos os dias. Você sempre é cobrado duas vezes. As oportunidades são limitadas. Se você erra, às vezes não tem uma segunda chance. A gente vive no fio da navalha", afirma.

Apesar do destaque na cobertura da Copa do Mundo na TV aberta, o jornalista entende que seu papel é maior do que simplesmente fazer um bom trabalho.

"Além de mim, tem meu filho, tem minha filha e tem outras crianças pretas que sonham em ser jornalistas, médicos, advogados ou jogadores de futebol. Muitas vezes, esse sonho é interrompido pela falta de oportunidade. A primeira coisa que essas pessoas encontram é alguém dizendo que elas não são capazes de chegar lá", aponta Neguerê.

Apesar das dificuldades, o apresentador segue na luta para que jovens negros não desistam de buscar espaço no mercado e acredita que a qualificação continua sendo uma ferramenta fundamental para romper barreiras.

"Vamos para cima. Estude e prove a si mesmo. O conteúdo é o mesmo. Você é capaz de estar ali. Não pode abaixar a cabeça. Encare, brigue, exija. É assim que a gente consegue chegar aonde quer", finaliza.


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