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OUTRO FOCO

Narrar Copa? Rômulo Mendonça talvez nem veja jogo do Brasil: 'Mas não lamento'

Divulgação/Prime Video

Homem de camiseta e um fone de ouvido grande posa de braços cruzados na frente de uma luz azulada

Rômulo Mendonça é a principal voz da NBA no Brasil: prioridade dele é sempre o basquete

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 16/4/2026 - 6h10

Narrar uma partida da Copa do Mundo é o sonho de 99% dos locutores do Brasil, o país do futebol. Rômulo Mendonça talvez seja uma das poucas exceções. Apesar de gostar de fazer os jogos do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil transmitidos pelo Prime Video, o foco principal dele é mesmo o basquete. Inclusive, neste ano, é possível até que o veterano nem veja um dos confrontos da seleção no Mundial ao vivo por causa da NBA. "Mas, para a falar a verdade, eu não lamento, não", crava.

Em conversa exclusiva com o Notícias da TV, Mendonça foi sincero sobre a possibilidade de fechar um novo contrato temporário com a CazéTV para narrar o Mundial --ele já tinha feito um acordo similar para os Jogos Olímpicos de Paris-2024 e, no ano passado, para comandar algumas partidas da Copa do Mundo de Clubes da Fifa. E o panorama não é dos mais positivos.

"Por enquanto, nada definido sobre Copa. A única coisa certa que eu tenho é que eu vou fazer NBA Finals no Prime Video, que tem a exclusividade no Brasil. Quando as finais estiverem no meio, já vai estar rolando a Copa, o que tem dificultado qualquer possibilidade [com a CazéTV]. Pode até acontecer, no ano passado eu fiz a Copa do Mundo de Clubes depois que acabou a NBA, e as finais foram até o jogo 7. Eles ficaram me esperando, mas eu acabei fazendo poucas partidas", aponta o narrador.

"Então, devido a NBA Finals, a Copa do Mundo se tornou algo complicado para mim. Mas, para falar a verdade, eu não lamento, não, porque o basquete é a minha prioridade. Eu sei que a Copa do Mundo é gigante e que, para a maioria esmagadora de narradores, seria a prioridade. O que eu entendo, claro, é o maior evento esportivo que existe, tirando os Jogos Olímpicos. Mas eu nunca vou lamentar por estar fazendo NBA Finals, de jeito nenhum!", ele ressalta.

Como brasileiro, porém, ele já está se preparando para um possível conflito de agendas. Brasil x Haiti está marcado para 19 de junho, às 21h30 (horário de Brasília). Se a final do basquete norte-americano se arrastar até o jogo 7, ele vai ocorrer exatamente no mesmo dia e no mesmo horário. "A NBA foi cruel com a gente (risos). Eu sei que vai ser 10 a 0 para o Brasil, mas é um jogo da seleção na Copa do Mundo, eu queria ver também!", brinca.

Eu gosto muito de futebol, tenho me divertido fazendo o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil na Amazon, mas a NBA é a minha identificação maior. Eu nunca vou dizer: 'Ah, não, eu gosto dos dois igualmente'. Gosto dos dois, claro, mas deixo claro que a NBA fica em primeiro lugar. Eu vou acompanhar a Copa, vou saber quem ganhou, quem perdeu, mas a minha cabeça e o meu foco vão estar mesmo na NBA Finals. 

divulgação/betfair

Narrador se associou a casa de apostas online: foco na estatística

Rômulo Mendonça encara positivamente as mudanças no cenário dos direitos esportivos, em que diferentes plataformas têm dividido cada vez mais a transmissão de eventos --a Copa, por exemplo, será exibida pela CazéTV (a única que terá todos os 104 jogos), pela Globo (com Sportv, Globoplay e Ge TV) e pelo SBT, em parceria com a N Sports.

"Esse foi um dos vários fatores que me fizeram trocar a ESPN pelo Prime Video. Porque, ao assinar com a Amazon, ela me ofereceu a possibilidade de seguir na NBA, que era a minha grande identidade, e de ter uma experiência com futebol brasileiro, que eu tinha narrado pouquíssimo anteriormente. E, ao mesmo tempo, meu contrato me deu essa liberdade de assinar com a CazéTV para fazer os Jogos Olímpicos, que é um evento que eu adoro fazer", lembra.

"Se eu tivesse ficado na ESPN, eu não teria essa possibilidade. E é a regra da casa, eu estava ciente daquilo, tudo certo, faz parte. Eles tinham muito a visão da exclusividade, mas aquilo estava me incomodando um pouco. Teve a Olimpíada de Tóquio, que a ESPN não fez, e eu fiquei só assistindo e chupando o dedo. É algo tão importante para mim, narrar o vôlei na Rio-2016 foi tão legal, e eu não pude fazer em 2021", aponta ele.

"Agora, estou usufruindo dessa liberdade. Claro que a Amazon é a minha prioridade, eu não faço nada que coincida datas, por exemplo. E eu poderia até nem ter feito os Jogos Olímpicos de 2024, mas queria ter pelo menos a possibilidade de tentar, sabe? É um mundo novo, eu apostei nessa mudança profissional grande e não me arrependo, de maneira alguma", sentencia.

Mendonça deu outro passo nessa mudança profissional ao fechar uma parceria com a casa de apostas Betfair. Ele admite que tomou vários cuidados antes de assinar. "Eu sou muito crítico com algumas coisas de bet que, durante o jogo, seja de futebol ou basquete, faz perguntas do tipo: 'Vai ser par ou ímpar?'. Aquela coisa aleatória, que não demanda muito conhecimento. E acho que tem muitas bets, não vou nem individualizar uma ou outra, que vão por esse caminho", aponta.

"Minha conversa com a Betfair foi exatamente para não ter isso. Eu queria, e eles também, que fosse uma coisa mais de análise, de estatísticas, de eu aproveitar aquilo que eu já uso em uma transmissão como tendência de jogo. Um conteúdo mais aprofundado, algo que eu vou falar porque estudei, vi uma estatística, vou poder usar isso para que analisem possibilidades. Foi algo fundamental para eu aceitar. Não condeno quem faz, mas não combinaria comigo fazer algo aleatório. Eu uso a estatística o tempo inteiro, e isso vai ser um elemento básico de qualquer vídeo que eu produzir para a Betfair", finaliza.


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