CAÇA-TEMPESTADES
DIVULGAÇÃO/HISTORY

O jornalista Ernesto Paglia, a cineasta Iara Cardoso e o cientista Osmar Pinto Junior
O jornalista Ernesto Paglia, a cineasta Iara Cardoso e o cientista Osmar Pinto Junior se reuniram mais de uma década após País dos Raios, quadro exibido no Fantástico, para mais uma aventura. Desta vez no canal History, Caça-Tempestades faz o caminho oposto ao projeto anterior do trio: em vez de "fugir", eles saem à procura dos fenômenos da natureza --o que gerou alguns momentos de tensão para a equipe.
Em conversa com o Notícias da TV, Ernesto Paglia detalhou que a "caça" chegou a ser interrompida para a segurança da equipe. "A nossa série, utilizando essa linguagem diferente, repete 'não faça isso em casa, não vá atrás de tempestades, não faça isso'. A gente só fez porque nós temos a segurança de ter conosco o maior especialista brasileiro, um dos maiores do mundo, que é o Dr. Osmar. Ele nos dizia: 'Olha, agora vamos todos para dentro do carro, que é o melhor lugar para se proteger de uma tempestade'. E aí a gente parava e suspendia a filmagem", contou Paglia.
A série explora, em quatro episódios, os segredos das tempestades na Amazônia, lar da maior biodiversidade do planeta. E apesar de ter tido uma "prévia" no Fantástico ainda no início deste ano, ela chegou completa ao público somente em novembro, mês da Cop30, que acontece em Belém.
"Tem muita história dentro dessa caçada. Eu, como cineasta e também a frente da produção, estou sempre atrás do 'sim'. Eu sempre quero filmar, a gente fala com outra pessoa, viabiliza de alguma forma...", explicou Iara.
Segundo a cineasta, a equipe acabou se tornando um verdadeiro "alvo" durante a expedição na Amazônia, o que se mostrou uma experiência inédita para ela que, profissional do audiovisual, se viu impedida pela própria natureza de registrar os fenômenos dos quais estavam lidando, como os chamados "super-raios" --descargas elétricas que perfuram o céu com mil vezes mais luz e energia que um raio comum.
"A gente estava filmando num local descampado, levantou o microfone boom, que é um para-raio em tamanho um pouco maior (risos). E a gente realmente era um para-raio ambulante naquele local. Aí o Dr. Osmar falou: 'Olha, acabou a filmagem, entrem todos no carro'. Foi a primeira vez, acho que na minha vida, numa filmagem, que eu simplesmente parei tudo e entrei dentro das pick-ups e a equipe não entendeu nada, porque eu nunca aceito um não", contou Iara.
"E dessa vez o não foi um não definitivo por questão de segurança. Então, eu acho que foi um trio que, sem esse trio não daria para fazer uma série dessa. A gente tem o Dr. Osmar na questão da ciência, na questão da segurança, eu à frente do cinema e o Ernesto Palha à frente da credibilidade, de trazer tudo isso com fatos da melhor forma, como um serviço público", explicou a cineasta.
Companheiro de Iara Cardoso na expedição, Ernesto Paglia é descrito pelos colegas da série como um verdadeiro especialista em falar sobre meio ambiente com a sociedade, e alguém que sabe mostrar "como isso impacta na sua vida, como você pode contribuir, como esse tema está próximo de você", disse a cineasta.
"Eu acho que com esse trio a gente conseguiu fazer uma coisa realmente inegável em termos de mudanças climáticas. Até o Ernesto comentou, que ele nunca tinha vivido isso em 44 anos de jornalismo", disse Iara. "É isso mesmo. Eu tenho aí uma experiência em jornalismo...", brincou Paglia.
O jornalista lembrou que os três já tinham trabalhado juntos no passado, em uma criação de Iara e do Dr. Osmar: cerca de 15 anos atrás, eles ofereceram ao Fantástico a série O País dos Raios. O jornalista contou que foi designado pela Globo para a produção porque sempre teve proximidade com a cobertura de meio ambiente, natureza e divulgação científica.
"Foi um privilégio naquela ocasião poder contar muitas histórias de sobreviventes de raios, de como se proteger. Isso teve um impacto incrível, porque essa divulgação na época conseguiu salvar muitas vidas, literalmente. Às vezes a gente diz: 'Não, o jornalismo consegue, se fizer um jornalismo sério, baseado em evidências científicas, em pesquisas, você pode contribuir'", confessou o ex-funcionário da TV Globo.
"Mas assim, quando você começa a perceber que tem gente que não morreu porque deixou de se expor em tempestades, porque assistiu um material que a gente produziu, isso é muito gratificante", contou Paglia.
O jornalista ainda ressaltou a diferença entre a série antiga e a atual. "Naquela época, a gente contou histórias de pessoas que tinham passado por tempestades e tinham presenciado raios e sobrevivido. Desta vez nós fomos atrás das tempestades".
No entanto, Ernesto Paglia ressaltou que isso só foi possível por causa da presença do especialista. "Como eu disse, a pessoa que pode nos dizer exatamente qual é o limite da segurança em fazer uma coisa dessas".
Osmar Pinto Junior reforçou o impacto do trabalho. "O Paglia comentou também esse aspecto de mortes, é realmente reconfortante a gente saber que por ano nós salvamos 50, 60, 70 vidas", afirmou.
Ele destacou que o benefício se estende a centenas de feridos que poderiam ter sequelas. "É muito gratificante ver o seu trabalho dando esse retorno social. Mesmo que fosse uma só vida já seria importante, mas nós salvamos uma grande quantidade de vidas. Mostra que a ciência pode participar mais ativamente da nossa vida e trazer benefícios".
"Em uma sociedade pautada em coisas imediatas, em política, em outras questões que são aparentemente vitais, e são vitais, o meio ambiente também está se tornando uma coisa vital, não é um luxo. Não estamos fazendo mais um luxo para algumas pessoas verem. Nós estamos trazendo uma mensagem que impacta em todas as pessoas, em todo brasileiro", afirmou Pinto Junior.
Caça-Tempestades é exibido semanalmente às 18h45, no History. O History 2 reprisa a série aos domingos, às 22h.
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