MOEDA QUE VINGOU

Na véspera da eleição, doc sobre Plano Real evita política: 'Virou uma coisa ideológica'

REPRODUÇÃO/HISTORY2

Luiza Helena Trajano no documentário A Moeda que Vingou - Como o Real Transformou o Brasil, do History2

Luiza Helena Trajano: empresária que atuou como CEO do Magazine Luiza aparece no documentário

IVES FERRO

ives@noticiasdatv.com

Publicado em 3/10/2026 - 20h30

Fonte Preferencial

O documentário A Moeda que Vingou - Como o Real Transformou o Brasil estreia no History2 neste sábado (3), às 21h10, menos de 12 horas antes da abertura das urnas para o primeiro turno das eleições de 2026. A coincidência chama a atenção por se tratar de uma série sobre o Plano Real, mas a manobra do lançamento não foi programada nem tem viés político. "Virou uma coisa ideológica", aponta o diretor Nelson Foerster sobre o pleito.

Ao Notícias da TV, o documentarista e a produtora executiva Giuliana Napolitano afirmam que a intenção sempre foi afastar a disputa partidária e concentrar o documentário nos efeitos econômicos da estabilização do Brasil. "Nunca foi pensado nisso", assegura Foerster sobre a data.

Segundo ele, o lançamento foi definido a partir de questões burocráticas, sem qualquer planejamento relacionado ao calendário eleitoral. "Foi uma coisa dos astros que aconteceu. Nunca chegamos a questionar estrear em um dia específico. Acredito que a nossa série não vai mudar nada em relação a domingo [4]", afirma.

O diretor, porém, considera bem-vinda a oportunidade de fazer o público olhar para o passado. A produção reconstitui uma época em que a hiperinflação provocava reajustes constantes de preços e obrigava consumidores a gastar rapidamente o salário para evitar a perda de poder de compra.

"Como documentarista, tentamos fazer uma reflexão para as pessoas olharem para o passado e o que elas querem para o futuro", explica.

Foerster também critica a transformação do debate eleitoral em uma discussão sem propostas concretas. "Quando assistíamos a debates, você sabia exatamente o que os candidatos estavam propondo. Já preparei candidatos para debate e preparávamos um caderno gigante por temas que ele iria defender, mas isso se perdeu. Virou uma coisa ideológica", descreve.

"Que bom que está saindo perto, porque as pessoas vão olhar para o passado e ver como nós sofremos. Conseguimos chegar em um equilíbrio que as pessoas precisam saber mais disso. Os governantes têm que garantir a nossa estabilidade acima de qualquer coisa. O documentário é para refletirmos em não querer voltar para o que mostramos no primeiro episódio", explica.

Giuliana reforça que a decisão editorial foi evitar uma leitura partidária do Plano Real. "Nós nunca quisemos dar essa conotação política, até porque a nossa expertise é o lado econômico", detalha.

Para ela, a estabilização da moeda pode ser analisada a partir das mudanças que provocou no país, independentemente das disputas políticas que cercaram sua criação e seus desdobramentos.

"Depois de muita polêmica, todos os espectros políticos enxergam que estamos melhor hoje do que na época da hiperinflação. É interessante [o documentário] sair agora, porque não existe o jogo de partidos", avalia a produtora. "Nós queremos mostrar mais os problemas econômicos, e é sempre bom se não tiver a polarização política atrapalhando", completa.

Produzida pela Axon Content em coprodução com o Brazil Journal, A Moeda que Vingou terá quatro episódios. A série começa pela transformação do varejo e passa pelas mudanças nos bancos e na indústria antes de terminar com um balanço dos problemas que o Plano Real não resolveu.

Roberto Setubal, Luiza Helena Trajano, Pérsio Arida, Gustavo Franco, Luiz Carlos Trabuco, Maria Silvia Bastos e Luis Stuhlberger estão entre os entrevistados da série documental.


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