ENTREVISTA EXCLUSIVA

Na Copa do SBT, André Hernan avalia a liberdade que conquistou ao sair da Globo

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

jornalista na beira do campo

André Hernan deixou a Globo há quatro anos e, desde então, trabalha em diferentes veículos

EDUARDO REIS

eduardo@noticiasdatv.com

Publicado em 14/6/2026 - 12h00

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Após passar 18 anos na Globo, André Hernan afirma que encontrou uma nova dinâmica de trabalho desde que deixou a emissora, em 2022. Livre de contratos de exclusividade e atuando em diferentes plataformas, o jornalista vê a atual fase da carreira como um período de maior autonomia profissional. Agora, ele encara mais um desafio: integrar a cobertura da Copa do Mundo no SBT, onde acompanha o dia a dia da Seleção Brasileira ao lado de Mauro Naves.

A oportunidade surgiu a partir de um convite feito por Galvão Bueno, com quem Hernan já trabalha em transmissões do Prime Video.

"Eu estava um dia na N Sports resolvendo outra questão. Cheguei numa sala, estava tendo uma reunião, e o Galvão falou assim: 'Ó, você vai fazer a Copa comigo. Você vai fazer dupla com o Mauro Naves'. Eu falei assim: 'Primeira coisa, Galvão, convite seu não é convite. É ordem. É convocação. Então, eu tô dentro'", relembrou ele em entrevista exclusiva ao Notícias da TV.

Ao comentar o novo projeto, Hernan afirmou que a experiência acumulada na TV aberta, nos canais por assinatura e no ambiente digital o faz chegar ao torneio em um momento de maturidade profissional.

"Com todo o meu conhecimento de TV aberta, TV fechada e do digital, onde venho trabalhando há quatro anos, eu me sinto muito completo. Muito completo mesmo, de poder chegar e fazer uma grande Copa. E acho que fazer uma Copa com a cara do SBT, com a tradição do SBT e com essa roupagem que a N Sports traz, fazendo esse complemento", afirmou.

A transição para o mercado digital aconteceu logo após sua saída da Globo. Em 2022, Hernan participou da construção da cobertura da Copa do Mundo da CazéTV. Desde então, passou a atuar simultaneamente em diferentes frentes, sem vínculos exclusivos, modelo que considera um dos principais ganhos da nova fase da carreira.

Hoje em dia, eu não faço nenhum contrato de exclusividade. Eu me considero uma empresa que entrega notícia, entrevista, bastidor, programa ao vivo, live, rede social, marcas. Então, assim, eu também estou indo para a Copa do Mundo com marcas. Vou fazer coisas minhas nas redes sociais, com contratos com marcas.

Segundo o jornalista, a mudança ampliou suas possibilidades de atuação e transformou sua relação com o trabalho. "Não consigo me imaginar como era quatro anos atrás, quando eu era CLT, com carteira assinada, trabalhando e fazendo mil coisas por um só salário. Hoje, eu sou multiplataforma. Quem quiser me contratar, eu estou aí. Acho que foi isso que me tornou um cara completo", disse.

Apesar de afirmar que trabalha mais atualmente, Hernan avalia que ganhou qualidade de vida e autonomia para administrar o próprio tempo.

"Eu trabalho mais, mas consigo desfrutar mais. Porque antes não era assim. Não era aquela coisa de ficar oito horas dentro de uma Redação, às vezes para entregar uma matéria de dois minutos, que o telejornal queria diminuir para um minuto e meio. Hoje, eu consigo ampliar meu tempo, otimizar meu tempo e descansar mais."

"Então, tenho mais qualidade de vida. Tenho mais trabalho também, é verdade. Tem hora que tudo acaba encavalando, mas estou muito mais feliz hoje", complementou Hernan.

Um pé em cada canoa

Ao comparar as duas fases da carreira, ele destaca que a diversificação das atividades permitiu transformar sua marca pessoal em um negócio próprio.

"Eu acho que todo jornalista deveria experimentar essa liberdade do mercado. Porque, se eu pensar no que eu fazia na Globo... E não é porque a Globo, eu amo a Globo de paixão, deixei a porta aberta lá, tenho uma relação excelente. Eu fazia apresentação, reportagem, reportagem de campo, reportagem do dia a dia, a Central do Mercado. E eu ganhava um salário", afirmou.

"Hoje, eu sou uma empresa que entrega o meu trabalho. É um trabalho que, ao longo dos anos, fui fomentando e construindo uma cara, uma marca. Hoje é o André Hernan. Antes era o André Hernan do Sportv, hoje é o André Hernan", complementou.

A avaliação de Hernan ocorre em um momento em que o próprio mercado de mídia esportiva tem passado por transformações. Um exemplo citado pelo jornalista é a Ge TV, projeto do Grupo Globo que permite aos profissionais maior flexibilidade para desenvolver projetos pessoais e contratos comerciais, refletindo uma adaptação das empresas ao modelo de atuação multiplataforma que ganhou força nos últimos anos.

Para ele, a liberdade conquistada após deixar a emissora se tornou um caminho sem volta. "A Ge TV, para mim, é um marco. É uma coisa que até falei para eles lá. Hoje não dá para imaginar uma vida diferente dessa liberdade."


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