SUCESSO NAS REDES
REPRODUÇÃO/YOUTUBE

Wiris Viana: criador de conteúdo independente cria microdramas, nova aposta da Globo, há anos
O sucesso dos vídeos curtos e verticais mudou a maneira como o público consome ficção nas redes sociais. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram se transformaram em vitrines para uma nova geração de roteiristas, diretores e atores que produzem as próprias séries. Agora, grandes produtoras e emissoras, como a Globo, começam a investir nesse formato que os criadores independentes já exploram há anos.
Segundo um estudo global da Ampere Analytics, pelo menos um em cada dez usuários de internet já assistiu a episódios de drama com até dez minutos de duração nas redes.
O levantamento, feito com mais de 100 mil pessoas, mostra que esses vídeos têm ganhado espaço especialmente entre jovens de 18 a 34 anos --grupo 21% mais propenso do que a média a consumir esse tipo de conteúdo. A tendência reflete o aumento do uso do celular como principal tela de entretenimento.
No Brasil, o movimento se fortalece principalmente no YouTube, que concentra 44% da audiência dos chamados mini ou microdramas, seguido pelo TikTok, com 38%. As redes se tornaram tanto o palco quanto o canal de distribuição dessas histórias curtas e emocionais.
Um dos principais nomes da cena é o criador paraense Wiris Viana, que transformou vídeos feitos em casa em fenômenos de audiência. Com roteiros que duram poucos minutos, ele recria situações do cotidiano com humor, drama e reviravoltas dignas de novela.
"Quando comecei, era só uma brincadeira. Hoje é o meu trabalho. As pessoas querem histórias rápidas, mas que emocionem", explicou ele em entrevista exclusiva ao Notícias da TV.
Enquanto a Globo anuncia suas primeiras produções verticais e adaptações curtas originais, com nomes como Jade Picon e Gustavo Mioto no elenco, criadores como Viana já constroem universos inteiros nas redes.
Somadas, suas principais redes ultrapassam 10 milhões de seguidores e seus vídeos acumulam milhões de visualizações, além de se tornarem inspiração para outras equipes independentes a investir na ficção curta.
"Acho o máximo que as grandes produtoras estejam olhando para isso agora. Isso vai trazer mais valorização para o tipo de trabalho que faço, atraindo as pessoas a conhecerem as minhas histórias", afirmou.
"Não vejo como concorrência. Um grande roteirista sabe do seu potencial, o quanto ele consegue tocar as pessoas com as suas histórias, e não tem receio", complementou ele.
Esses criadores atuam como roteiristas, atores, diretores, produtores e editores --muitas vezes com poucos recursos, mas enorme alcance. O formato ágil permite lançar histórias semanalmente e testar diferentes gêneros, como romance, fantasia e suspense, os mais populares segundo a Ampere.
Para além do entretenimento, os microdramas se tornaram um novo modelo de negócio. Alguns produtores exibem seus episódios completos no YouTube, lucrando com publicidade, enquanto outros usam o TikTok e o Instagram como vitrine. A lógica se assemelha à das séries de streaming --mas com custo reduzido e alcance orgânico.
A aposta das emissoras tradicionais nesse tipo de conteúdo é um sinal de que o jogo virou: o futuro da ficção não está apenas na TV, nas telonas ou no streaming, mas também nos celulares. E os criadores independentes, que começaram gravando com câmeras simples e roteiros próprios, agora são a principal referência dessa nova era da dramaturgia.
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