A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
DAVI X GOLIAS
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Mion durante mensagem positiva no Caldeirão; público vê desconexão entre discurso e ação
Na última semana, Marcos Mion virou um dos principais assuntos do noticiário de entretenimento. Não por causa do seu trabalho à frente do Caldeirão, mas por ter apresentado uma queixa-crime contra Bento Ribeiro, seu colega nos tempos de MTV Brasil. A medida, porém, saiu pela culatra: o apresentador da Globo tem se queimado com o público e com o mercado publicitário por causa da ação litigiosa.
O Notícias da TV ouviu duas agências de publicidade e um estrategista de imagem --que toparam participar da reportagem apenas sob condição de anonimato-- sobre como o mercado encarou a decisão de Mion de tentar calar Bento Ribeiro. Todos foram unânimes ao afirmar que o comunicador sairá do litígio muito pior do que entrou, mesmo que seja vitorioso judicialmente.
O estrategista apontou três tropeços de Marcos Mion que se tornarão manchas difíceis de apagar na imagem dele daqui para a frente:
Mion está na Globo, a maior vitrine de comunicação do país, falando com milhões de pessoas toda tarde de sábado. Bento Ribeiro tem 250 mil seguidores no seu canal do YouTube, e seus vídeos recentes raramente batem a marca de 50 mil views. Com a queixa-crime, o apresentador inicia uma luta de Davi contra Golias, e não é difícil imaginar que a torcida do público estará sempre do lado do azarão.
A cada edição do Caldeirão, Marcos Mion solta uma mensagem de otimismo, de compaixão, de amar ao próximo, de dar bons exemplos. A empatia que ele prega no discurso, porém, não foi vista na prática. Isso cria uma ruptura difícil de corrigir. O público vai continuar comprando as palavras bonitas que ele pronuncia todo fim de semana se as ações seguem no caminho oposto?
Ao acusar Bento Ribeiro de perseguição, Mion escancara sua carreira para ser analisada sob o mesmo escrutínio. E, para quem o acompanha desde sua primeira passagem pela MTV e viu o Descontrole (2002), da Band, e o Legendários (2010-2017), da Record, é fácil saber que o histórico não é tão ilibado quanto ele gostaria. O humor ácido e as piadas questionáveis que funcionavam há 20 anos hoje trazem uma carga politicamente incorreta que não combina com a imagem do pai de família que emana boas energias.
As agências apontaram que, apesar de Mion ter boa circulação com grandes marcas, a pecha de pessoa que vira notícia pelos motivos errados costuma despertar hesitação no mercado. "Nenhuma empresa quer ter um garoto-propaganda que é visto negativamente pelo público, isso só vai jogar contra o seu produto", disse um dos publicitários ouvido pela reportagem.
Infelizmente para Mion, a repercussão da queixa-crime tem sido, em sua maior parte, negativa. Depois de o colunista Gabriel Vaquer, da Folha de S.Paulo, noticiar a ação, um mapeamento de sentimento digital apontou que, no X, quase 80% dos comentários sobre o assunto eram contrários a ele; no Instagram, rede social um pouco mais positiva que a de Elon Musk, a desaprovação ao contratado da Globo estava na casa dos 60%.
"Não consigo entender por que ele fez isso [a queixa-crime]. Ninguém estava falando do Bento Ribeiro nem sabia que ele estava criticando o Mion nos vídeos dele. Esse processo só serviu para que mais gente procurasse o YouTube do Bento e visse as críticas feitas por ele", apontou outro publicitário. "A melhor coisa para o Mion agora é ficar calado e esperar que todo mundo esqueça essa história."
Já o estrategista de imagem apontou que, além do silêncio sobre o processo, Mion deve assumir as rédeas da situação e aumentar suas ações sociais. Ele tem uma boa aceitação na comunidade do autismo e pode usar isso para uma virada positiva --com o cuidado de ser autêntico e não parecer estar fazendo boas ações apenas para reverter as críticas.
Marcos Mion não deseja se manifestar sobre por que decidiu levar Bento Ribeiro à Justiça. "O tema será cuidado no âmbito adequado, que é o judicial", limitou-se a dizer à Folha.
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