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MEMÓRIA DA TV

Lente da verdade: Programa mais marcante de Clodovil estreava há 30 anos

REPRODUÇÃO

Clodovil Hernandes (1937-2009) na câmara dos deputados

Clodovil Hernandes (1937-2009) na câmara dos deputados; estilista teve carreira polêmica

THELL DE CASTRO

Publicado em 3/7/2022 - 7h08

Há 30 anos, em 13 de julho de 1992, Clodovil Hernandes (1937-2009) estreava um talk show diário na extinta Manchete (1983-1999). Em Clodovil Abre o Jogo, o apresentador prometia uma atração leve, mas que acabou ficando marcada pelos bordões e por colocar os convidados em saias-justas com perguntas indiscretas.

"Chega de situações embaraçosas. Perdi o emprego, fiquei quatro anos longe da TV. Alguns entrevistados moveram campanhas contra mim. Não existe nada mais pernicioso para o sistema que a inteligência", declarou o estilista à Folha de S.Paulo de 30 de junho de 1992, prometendo maneirar.

O estilista, que despontou na televisão no programa TV Mulher, da Globo, foi demitido da mesma Manchete em 1988, após chamar a Constituinte de "prostituinte". A emissora, que estava sob o polêmico controle do Grupo IBF, colocou a atração para concorrer com outro programa do gênero, o Jô Soares Onze e Meia, do SBT.

"Nunca tive a intenção de concorrer com Jô Onze e Meia. Não sei por que me puseram no mesmo horário, pergunte à emissora. Pessoalmente, odeio comparações. O Jô é loiro, humorista. Eu sou moreninho, desenho roupas", declarou.

Na estreia, foram entrevistados a socialite Carmem Mayrink Veiga e o repórter policial Gil Gomes. Também aconteceu um desfile de moda em homenagem aos Jogos Olímpicos de Barcelona e à mãe de Clodovil, que era espanhola. O grupo Espírito Cigano cantou durante o evento.

As primeiras edições não agradaram, marcando baixa audiência para a Manchete e recebendo críticas da imprensa. "Clodovil perde um tempão fazendo caras e bocas. [...] A comparação entre os dois programas, feito num dia escolhido aleatoriamente, sem saber quem eram os convidados de cada um, revelou uma inegável superioridade do programa do SBT. [...] Somando os pontos, Jô ganhou por nocaute", descreveu o jornal O Dia de 26 de julho daquele ano.

Lente da verdade

Em agosto, o apresentador cansou de ser "soft" e voltou ao estilo que o consagrou. "Nas últimas semanas, irritou o roqueiro Supla a ponto deste subir na mesa em protesto por não conseguir falar o que queria. Quis convencer Otávio Mesquita --e o público-- de sua suposta homossexualidade. Perguntou ao publicitário Roberto Duailibi do que se tratava um cheque de milhões em nome da DPZ que vira "em um banco". E deixou Wilson Fittipaldi Jr. para lá de sem graça ao afirmar que não tinha dinheiro na Suíça como ele", descreveu a Folha de 23 de agosto.

A audiência reagiu: o programa saiu do traço e chegou a marcar três pontos de média, com picos de sete, em algumas ocasiões. Em setembro, cresceu ainda mais: média de seis e picos de nove, com grande repercussão. E tudo isso sem abordar os escândalos políticos do governo Collor, ao contrário do que Jô fazia no SBT.

No entanto, o sucesso durou pouco: em 1993, a Manchete vivia mais uma de suas crises financeiras, com greve de funcionários e paralisação das atividades.

Clodovil abordou o fato em seu programa de 15 de março. "Também estou sem receber meu salário desde dezembro, mas alguém tem que segurar a TV no ar porque se ela acabar diminui ainda mais nosso mercado de trabalho", esclareceu, dizendo ainda que havia recebido uma proposta milionária do SBT.

Mesmo dizendo que não queria deixar o canal, Clodovil acabou não resistindo. O contrato foi rescindido em 26 de abril de 1993. A Manchete, que chegou a lhe dar um cheque sem fundos, segundo seu advogado declarou na época, ficou devendo US$ 115 mil em salários e participações em merchandising.

Logo em seguida, o apresentador aceitou uma proposta da Rede OM, que viria a ser a CNT/Gazeta, na qual estreou em maio daquele ano, sem, no entanto, o mesmo brilho e repercussão. Em novembro de 1994, ele foi demitido após brigas internas.

Depois disso, sua carreira na televisão continuou, com o retorno para a própria CNT e, posteriormente, passagens pela Band, Rede Mulher, Gazeta, RedeTV! e TV JB. Em 2006, foi eleito deputado federa com a terceira maior votação de São Paulo. O apresentador morreu em 17 de março de 2009, após enfrentar diversos problemas de saúde.


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