A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
NEPOBABY?
REPRODUÇÃO/YOUTUBE

Joel Datena em entrevista ao Programa Flávio Ricco, da LeoDias TV, nesta terça-feira (24)
Atual apresentador do Brasil Urgente, da Band, Joel Datena sabe que as comparações com seu pai, José Luiz Datena, são inevitáveis. Afinal, o veterano comandou a mesma atração entre 2003 e 2024, até que se afastou para disputar a prefeitura de São Paulo e nunca mais voltou. O herdeiro do jornalista, inclusive, admite abertamente que só chegou onde está por causa do sobrenome.
"Quantas pessoas muito melhores do que eu pararam no meio do caminho porque não tiveram a minha oportunidade? Isso é uma verdade. E a gente fica até chateado com isso, porque você vê gente talentosa para caramba que, às vezes, só não teve a oportunidade", confessou Joel em entrevista ao Programa Flávio Ricco, da LeoDias TV, nesta terça-feira (24).
Ele fez questão de ressaltar, porém, que o fato de ser filho de Datena lhe abriu portas, mas ele só sobreviveu na televisão porque demonstrou talento próprio. "Quando eu caí ali dentro, graças a Deus, eu tive condição de mostrar o meu trabalho e gostaram de mim. Você imagina se o sobrenome segura alguém em algum lugar, principalmente no mundo de hoje?", provocou o apresentador.
"Hoje, o mundo é competitivo demais. Na nossa profissão, quando liga a câmera, não tem papai, não tem mamãe, não tem vovô, não tem ninguém. Tem a gente, lógico, tem eu, a câmera, e milhares ou milhões de pessoas do outro lado. É saber assimilar isso aí", explicou ele, que ressaltou o orgulho que tem do pai. "É uma honra muito grande ser filho de quem eu sou, do Datenão."
No entanto, Joel apontou que não concorda com outros filhos de famosos que optaram por abandonar a carreira por causa das cobranças feitas em cima dos chamados nepobabies. "É muito mais fácil [ter uma chance], diferentemente do que todo mundo fala!", cravou.
"Eu às vezes acabo até contrapondo algumas pessoas nesse sentido, [que falam:] 'Ah, carrego o peso do sobrenome, por isso não dei certo', 'Ah, eu tentei, mas como eu carrego esse gigantismo, foi muito difícil e eu tive que parar'. Pô, isso é uma mentira, é muito mais fácil de você chegar!", admitiu Joel.
"Continuar é que é outra parada. Porque, pela curiosidade, assim como as pessoas têm interesse em saber se o filho do Zico joga bem [futebol], elas têm interesse em saber se eu tenho condição de fazer o meu serviço na televisão. Mas você consegue chegar, que é o mais importante", disse ele.
Joel Datena ressaltou que, mais do que ter um pai famoso, ser verdadeiro e honesto com o público é a melhor maneira de se manter no ar. "A nossa profissão não pode ser um negócio construído. Gosto muito de comunicação sem muita firula, a câmera, eu, você... E isso vem muito da vida da gente!"
"Eu gosto demais de assistir a filmes antigos, aqueles faroestes de 1950, 1960. Gosto demais do Mazzaropi [1912-1981], é um ídolo que eu tenho na televisão, porque ele fazia muito simples. Com uma camerazinha ali, o cara desenrolava um parangolé sensacional. E eu acho que falta isso hoje", falou.
"E é um negócio que, às vezes, a pessoa não tem, e aí não adianta querer construir. Se constrói demais para entrar no ar, acaba se perdendo. E eu tô ali, sempre fiquei do meu jeito, gostando ou não. Eu já tive até chefe pedindo para eu mudar um pouco a minha voz. Eu falei: 'Como é que eu vou mudar a minha voz?'", lembrou Joel, sem citar nomes ou emissoras.
"Eu acho assim, minha voz é essa. Serve aqui? Beleza. Não serve? Eu sigo o meu caminho, que certamente em algum lugar vai servir. A gente tem que estar na frente da câmera do jeito que a gente é, sem ficar construindo, mudando. O que é muito construidinho, uma hora cai, desmonta", alfinetou.
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