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'ME EVITAVAM'
Reprodução/YouTube

Izabella Camargo foi diagnosticada com burnout na época em que participava de três telejornais
Izabella Camargo desabafou sobre seu conturbado desligamento da Globo, em 2019. Demitida ao retornar de um afastamento médico por síndrome de burnout, ela voltou a trabalhar na emissora por decisão judicial, mas disse que enfrentou a rejeição de alguns colegas por causa disso.
"Quando eu volto reintegrada, eu tenho que voltar pela escada de emergência. As pessoas me evitavam no corredor. Porque, até então, eu representava uma pessoa que estava falando sobre a cultura do Brasil, representada por aquela empresa. Foi muito ruim voltar reintegrada e ver que todas aquelas pessoas que me abraçavam e estavam comigo todos os dias, [agora] me evitavam", contou Izabella em entrevista ao colunista Flávio Ricco, na LeoDias TV.
"O banheiro se tornou, inclusive, um perigo, porque vinham falar comigo e as pessoas ficavam com medo. Elas também não podiam ser vistas falando comigo. Eu representava uma ameaça de quê? Da verdade? Tive que pedir para sair", decretou.
Izabella foi demitida em 2018, mas acabou reintegrada após decisão da Justiça do Trabalho. Insatisfeita com os rumos na empresa, ela entrou em um acordo para sair em definitivo no ano seguinte. "Volto a trabalhar em uma área diferente, fazendo uma coisa muito inferior ao que eu fazia. Aquilo também contribuiu para o retorno do adoecimento, aí eu peço para sair", relembrou.
A jornalista foi diagnosticada com burnout depois de sofrer um esquecimento ao vivo, classificado por ela como um apagão. Na época, ela se dividia na apresentação do tempo de três telejornais: Hora 1, Bom Dia Brasil e GloboNews em Ponto.
No ar, Izabella esqueceu a capital do Paraná, coincidentemente, o Estado onde nasceu.
O médico falou que eu estava vivendo a síndrome de burnout. Falei: 'Impossível, eu amo o que faço'. Ele respondeu: 'Por isso mesmo, as pessoas que amam o que fazem se deixam para depois'. Naquele momento, eu entendi que dor que não sangra dói em dobro. Se naquele momento em que esqueci o nome da capital do meu Estado, eu tivesse desmaiado ou sangrado ao vivo, o desfecho seria outro.
Sem entrar em detalhes, Izabella ainda comentou que o apagão aconteceu dias depois de um episódio com um colega na empresa. "Foram muitas situações. Quem vive um ambiente com uma comunicação difícil, tóxica, acaba vivendo vários tipos de assédio."
"Não é que o primeiro assédio faz o copo transbordar, estou falando de uma situação recorrente há anos. Mas teve um episódio, que, para mim, foi a gota que transbordou o copo. Quatro dias depois, tive o apagão", lembrou.
Longe da televisão, Izabella se dedica ao podcast Interioriza, exibido no YouTube e no Spotify. Também lançou o livro Dá um Tempo!: Como Encontrar Limite em um Mundo Sem Limites (2020), em que trata sobre burnout.
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