A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
CAOS NOS BASTIDORES
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Pedro Bassan entra ao vivo na programação da Globo para explicar cancelamento de debate
A Globo surpreendeu os telespectadores ao cancelar o debate entre os candidatos à presidência da República na noite de quinta (1º). O jornalista Pedro Bassan chegou a entrar ao vivo no intervalo de Quem Ama Cuida para explicar a decisão da emissora –que alegou “insegurança jurídica” após receber duas intimações da Justiça.
“A primeira, assinada pela ministra Estela Aranha, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), atende a um pedido da coligação da candidatura de Lula (PT) à presidência do Brasil. A decisão tornou inválido o item das regras do debate que trata dos candidatos ausentes", iniciou Bassan.
A ministra determinou que a Globo não deixasse um púlpito vazio com o nome do petista nem permitisse que os demais candidatos fizessem perguntas direcionadas a ele em sua ausência.
“A segunda intimação recebida pela Globo é do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e atende a um pedido feito pelo partido Solidariedade. A decisão determinou a participação no debate de Renan Santos, do Missão", seguiu o repórter.
Em nota, a emissora afirmou que as medidas “causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida” na liberdade dos veículos de imprensa [leia a nota da Globo na íntegra no final do texto].
Veja o pronunciamento da Globo no intervalo de Quem Ama Cuida:
globo faz plantão de 5 minutos durante intervalo da novela pra falar que querem calar ela 😂😂🤣 pic.twitter.com/x437miOroW
— GeorgeAlbuquerque (@Georgealbuquerq) October 2, 2026
Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que desistiu do debate após a decisão da ministra Estela Aranha impedindo o púlpito vazio com o nome de Lula. Ele chegou a abrir uma live nas redes sociais posteriormente, em que reclamou de “censura". Fontes nos bastidores dão conta que o senador também não queria confronto com Renan Santos –temendo prejuízos às vésperas da votação do primeiro turno.
Veja a publicação de Flávio Bolsonaro no X:
Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE.
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) October 1, 2026
A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas.
Em breve mais detalhes.
Convidado para as sabatinas do 1º turno, Renan Santos ficaria de fora do debate até a decisão de Gilmar Mendes. O candidato do Missão chegou a fazer um protesto na porta da Globo no Jardim Botânico, na zona sul do Rio de Janeiro. O evento, porém, aconteceria nos estúdios da emissora em Jacarepaguá –a quase 30 km dali.
Veja o pronunciamento de Renan Santos nas redes sociais:
MEU PRONUNCIAMENTO SOBRE O CANCELAMENTO DO DEBATE pic.twitter.com/YPaDgnLQ7k
— Renan Santos⬛️🟨⬜️ (@RenanSantosMBL) October 2, 2026
Em entrevista ao Flow, Lula teceu críticas aos atuais formatos dos debates, reclamando ainda da falta de adversários qualificados para uma discussão em alto nível. “Uma coisa é debater com o Fernando Henrique Cardoso, o José Serra, o Geraldo Alckmin. Outra coisa é com uma pessoa desqualificada como o Flávio Bolsonaro. Ele não tem passado, não tem presente e não tem futuro", declarou.
Veja um trecho da entrevista de Lula ao Flow:
Lula explicando pq não foi ao debate da Globo dizendo que o nível do debate é muito baixo, lembrou sobre colocarem o púlpito vazio em 2006 e quando Fernando Henrique não foi ao debate não fizeram o mesmo
— 𝘿𝙞𝙡𝙢𝙖 𝘿𝙚𝙗𝙤𝙘𝙝𝙖𝙙𝙖 1️⃣3️⃣🇧🇷 (@_dilmadebochada) October 2, 2026
LULA NO FLOW pic.twitter.com/ApkGQCjTgR
Sem concorrência, a entrevista do governante no Flow Podcast bateu o recorde de visualizações simultâneas do canal --uma marca estabelecida pelo próprio Lula em outubro de 2022.
Segundo acompanhamento do Notícias da TV, a conversa do presidente com Igor Coelho chegou a atingir 1,65 milhão de espectadores ao mesmo tempo, registrando média de 1,5 milhão ao longo da entrevista de quase duas horas.
No último pleito à Presidência da República, a participação de Lula no Flow havia anotado um ápice de 1,087 milhão --na época, público suficiente para se consolidar como o maior número do podcast até então.
A Globo recebeu há pouco duas notificações relacionadas à realização do debate presidencial programado para esta noite, que interferem nas regras previamente acordadas, e decidiu por seu cancelamento.
A primeira é assinada pela ministra Stella Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, e atende a um pedido da coligação da candidatura de Lula, do PT, à Presidência do Brasil. A decisão torna inválido o item das regras do debate que trata de candidatos ausentes. A ata com as regras, assinada por todos os partidos, inclusive o PT, determina que, em caso de ausência do candidato, o púlpito reservado a ele seja mantido vazio no cenário, com uma placa que o identifique. E que, numa das rodadas de tema livre do debate, os candidatos presentes que assim desejarem formulem, em trinta segundos, o que fariam ao candidato que não compareceu. A decisão da ministra Stella Aranha proíbe o púlpito com o nome de Lula e a formulação das perguntas que seriam feitas a ele.
A segunda notificação recebida pela Globo esta noite é de uma decisão proferida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e atende a um pedido feito pelo partido Solidariedade a respeito da participação no debate de Renan Santos, do Missão. As regras que estabelecem que candidatos devem ser obrigatoriamente convidados para debates em rádio e TV são determinadas por lei e reguladas por portaria do Tribunal Superior Eleitoral: devem ser convidados obrigatoriamente os candidatos de partidos com representação de pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional. Em atendimento a essa regra, a Globo convidou para o debate os candidatos: Augusto Cury, do Avante; Flavio Bolsonaro, do PL; Ronaldo Caiado, do PSD; e Lula, do PT.
Uma outra decisão, do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, na terça-feira, alterou entendimento do próprio TSE na contagem de parlamentares no Congresso para fins de debate e decidiu que Romeu Zema, do Novo, teria direito de participar do debate. E a decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, proferida há pouco, determinou a participação do candidato Renan Santos no debate, mesmo o Missão, partido de Renan, tendo apenas um parlamentar no Congresso Nacional.
A Globo tem longa tradição na organização de debates eleitorais. Nosso propósito é promover a discussão de ideias para o Brasil e oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos. Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais. Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite.
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