A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
COADJUVANTES
Reprodução/Canal Like

O ator Hugo Bonèmer é o apresentador do novo programa Coadjuvantes, do Canal Like
No meio da atuação, há uma máxima que diz que "não existem papéis pequenos, apenas atores pequenos". A frase é comumente atribuída ao preparador russo Constantin Stanislavski (1863-1938), mas foi abraçada por Hugo Bonèmer, que decidiu valorizar a importância dos personagens coadjuvantes em um novo programa chamado, apropriadamente, de Coadjuvantes.
A atração exibida pelo Canal Like faz parte de uma série de lançamentos da grade: cada apresentador sugeriu um formato que tivesse a sua cara ou tratasse de um assunto que quisesse compartilhar com o mundo --o programa de Maytê Piragibe, por exemplo, fala de protagonismo feminino no audiovisual, enquanto Anne Braune se debruça sobre o universo do terror.
"Eu pensei muito sobre os temas que eu gostaria de falar... Porque eu amo musicais, amo cinema nacional, amo comédias sombrias. Eu amo muita coisa diferente. E aí, fiquei pensando como eu poderia juntar todas essas coisas, mas essa resposta era impossível", lembra Bonèmer ao Notícias da TV.
"Então, eu fui para uma busca mais pessoal, da experiência recente que eu tive em ter sido contemplado com uma indicação ao Prêmio Platino, lá em Madri, por ter vivido o Nelson Piquet na minissérie Senna [2024] e, na sequência, ter vencido o meu primeiro prêmio em teatro musical com um personagem coadjuvante, depois de ter feito vários protagonistas", explica o artista.
"A experiência foi tão agradável, tão interessante! Eu já havia feito outros coadjuvantes, então não é sobre isso, mas foi a primeira vez em que eu fui reconhecido enquanto coadjuvante. E eu gostei muito dessa sensação. Então, fiquei com vontade de reconhecer os outros também, de alguma forma."
Com a ideia decidida, Bonèmer se debruçou sobre roteiros para entender como o Coadjuvantes poderia funcionar. Ele e a equipe do Canal Like definiram três blocos diferentes: no primeiro, falam de um personagem coadjuvante que já nasceu para ser memorável. "É aquele cara, aquela mulher, aquela pessoa que leva a história para a frente. Sem ela, não teria como a trama acontecer."
No segundo bloco, o programa fala de personagens que se destacaram por causa do ator que o interpretou. "Virou memorável por conta da interpretação, porque talvez o roteiro não desse aquela força toda. Se fosse outra pessoa fazendo, talvez não ficasse do mesmo jeito. No último programa que eu gravei, por exemplo, falei do João Vitor Silva na série Impuros. Ele está brilhante!", diz.
A última parte de Coadjuvantes é dedicada a cameos, participações especiais e muito rápidas --às vezes, de poucos segundos-- que roubam a cena. "Eu quero falar num próximo programa do Thales Bretas [em Minha Mãe É uma Peça 3, de 2019]. Ele aparece passeando com os dois filhos em Nova York, e a dona Hermínia [Paulo Gustavo] pergunta da mãe das crianças, e ele responde: 'Na verdade, somos dois pais'. É um cameo que entrou para a história, porque pouco depois o Paulo morreu. Fico até emocionado de lembrar", cita Bonèmer.
"Geralmente, a gente dá toda a ênfase para quem está como protagonista, e tem que dar mesmo, mas não podemos nos esquecer dos coadjuvantes, que dão tudo de si para a história funcionar ou dão tudo de si para poder alçar uma nova oportunidade na carreira por conta daquele papel que parecia pequeno, mas que a pessoa deu o sangue para a coisa acontecer", valoriza o artista.
Além do trabalho no Canal Like, Hugo Bonèmer também pode ser visto no teatro. Ele está em cartaz com a peça O Talentoso Ripley, no Teatro Laura Alvim, no Rio de Janeiro, até 31 de maio. Além de interpretar o personagem principal, o ator assina a produção e a cenografia, divide a direção com Kamilla Rufino e até cuida das redes sociais do espetáculo.
"Eu digo para você que a parte de produzir, dirigir e atuar ao mesmo tempo é uma delícia. É 10 de 10. No cenário, confesso que eu esbarrei na parte da cenotecnia. Eu preferiria, num próximo projeto, ter um orçamento maior para contar com alguém que é especialista fazendo. Porque me sobrecarregou um pouco", admite ele na conversa com a reportagem.
"Eu gostei de ter a ideia. Já a parte de ir ao funileiro, buscar as coisas nos bairros industriais do Rio, garimpar coisas na internet, fazer com as minhas mãos a peruca da atriz, a vassoura, todos os objetos usados em cena... Para essa parte eu gostaria de ter encontrado alguém de equipe. Na parte de mídia social, a mesma coisa", explica Bonèmer.
"Mas vou dizer que ter esse elenco e essa equipe que eu tive contribuiu para que essas funções de diretor, produtor e ator fossem maravilhosas. Entendi que a função de direção não é sobre criar e mandar, criar e mandar, mas é entender as necessidades das pessoas e oferecer as soluções. Surgem muitas ideias de um elenco criativo. Então, a função do diretor também é organizar as ideias que aparecem, procurando juntar uma com a outra", crava.
As sessões de O Talentoso Ripley acontecem toda sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 19h, com duração de 120 minutos. Os ingressos custam entre R$ 35 e R$ 70 e podem ser adquiridos aqui.
© 2026 Notícias da TV | Proibida a reprodução
Mais lidas
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.