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ESQUADRÃO DA MORTE

Homens Sem Lei: Nova série escancara origem das milícias no Rio de Janeiro

Divulgação/A&E

Foto preto e branca mostra homens e mulheres bem vestidos observando uma bandeira com a inscrição "Scuderie Le Cocq - E.M. Brasil"

Homens Sem Lei se debruça sobre a Scuderie Le Cocq, primeiro esquadrão da morte brasileiro

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 14/8/2025 - 16h00

Enquanto jornais, documentários e podcasts se debruçam sobre a atuação das milícias no Rio de Janeiro, a série documental Homens Sem Lei, que estreia nesta quinta-feira (14) no canal pago A&E, opta por uma abordagem diferente. A produção viaja no tempo para desnudar a Scuderie Le Cocq, considerada o primeiro esquadrão da morte brasileiro --e que deu origem aos grupos paramilitares que atualmente formam um poder paralelo.

É uma história necessária para a compreensão da sociedade contemporânea, mas que raramente ganha destaque na mídia --a série Dom (2021-2024), do Prime Video, chegou a abordar brevemente a Le Cocq, já que o pai do protagonista foi um dos "12 Homens de Ouro da Polícia Carioca", o grupo de elite formado para "limpar a cidade da criminalidade".

"Eu conhecia a história do esquadrão, mas muito por alto, de ouvir falar, porque sou do Rio de Janeiro. Fui me deparar com o assunto mesmo lá para 2016, 2017, quando estava fazendo pesquisa para uma série de ficção", conta o roteirista José Francisco Tapajós, criador e diretor de Homens Sem Lei, em conversa exclusiva com o Notícias da TV. "Quando eu descobri um pouco mais, entendi que era uma história que precisava ser contada."

Obviamente, mexer com um tema tão espinhoso e que ainda afeta tanto o Brasil de hoje é como cutucar um vespeiro. "Eu não sei se a gente foi corajoso ou inconsequente, na verdade (risos)", brinca Tapajós. "Mas a gente sempre quis fazer uma série sob o ponto de vista da história. Tanto que a gente coloca o ponto-final em 1982, depois da morte do [policial] Mariel [Mariscot, 1940-1981]. Até tem um epílogo em que a gente faz essa relação [com as milícias], mas a gente se manteve no passado mesmo."

"Tem muito projeto, podcast e série falando sobre as milícias hoje, sobre violência policial, mas ninguém fala muito sobre lá atrás. Então, a gente quis contar uma história que aconteceu no Brasil, que tem a ver com o presente, mas a gente encerra ela ali em 1982, mesmo sabendo que ela continua --e forte-- até hoje. A ideia era falar sobre a gênese da milícia, sabe?", ressalta.

Outro diferencial de Homens Sem Lei é que a trama é construída pelo ponto de vista da imprensa --com manchetes, fotos e matérias dos jornais da época, além de relatos de quem de fato a vivenciou, como Aguinaldo Silva, hoje autor de novelas da Globo, mas que no passado era repórter policial. É uma reflexão sobre o papel da reportagem criminal na criação de narrativas para vender jornal e na própria escalada da violência urbana do Rio de Janeiro.

"Eu acho que a imprensa criava uma coisa de insegurança justamente para também justificar essa força violenta, sabe? Uma coisa também reforçava a outra", aponta a produtora Malu Campos, da Pacto Filmes. "E tem uma questão jurídica também, até causa espanto ver que não eram tomadas medidas mais firmes. Não havia um judiciário mais forte, que impedisse determinadas ações. Isso foi uma coisa que me chamou muito a atenção."

"É, a única ação judicial, o único movimento feito foi solitário, do [jurista] Hélio Bicudo [1922-2018] mesmo. E já um pouco lá na frente. Por isso, [o título] Homens Sem Lei engloba todo mundo ali envolvido, né? Inclusive a própria imprensa, que a gente entendeu desde o início que tinha sua responsabilidade. Quando a gente começou a pesquisa, entendeu que o termo 'esquadrão da morte' tinha sido criado por um jornalista, que os Homens de Ouro tinham sido batizados na Redação de um jornal. A gente entendeu que a imprensa também tinha o seu papel; então foi legal trazer esses jornalistas que cobriram, de fato, para dar essa perspectiva deles", valoriza Tapajós.

"Nós tivemos participações muito importantes. Do [jornalista] Zuenir Ventura, da [escritora] Nélida Piñon [1934-2022], do [fotógrafo] Carlos Vergara. Tivemos participações muito significativas. A irmã do [criminoso] Lúcio Flávio [1944-1975], a filha do Mariel Mariscot...", lista Malu.

"É tanta gente legal que eu até esqueço algumas pessoas. A irmã do Lúcio Flávio nunca tinha dado uma entrevista dessas, trouxe o ponto de vista da família, várias revelações. E acho que tinha uma sensação de todo mundo que a gente abordava de que era importante discutir o assunto. A Nélida, por exemplo, tinha esse pensamento de que temos que olhar lá para trás, que está todo mundo falando sobre as milícias hoje, mas que precisamos olhar como é que isso chegou aqui", completa o diretor.

Homens Sem Lei, série original do A&E e uma coprodução Pacto Filmes e Mescla Entretenimento, conta com cinco episódios que serão exibidos toda quinta-feira, às 22h50. Antes mesmo do lançamento, a equipe já torce por uma segunda temporada para poder expandir a discussão.

"Alguns historiadores vêm estudando essa questão da violência há muito tempo e falam um pouco da diferença que houve entre Rio de Janeiro e São Paulo. A gente mora em São Paulo e tem muita vontade de fazer uma segunda temporada para discutir e detalhar isso também", sacramenta a produtora.


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