A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
INDEFINIÇÃO
Alex Carvalho/TV Globo

Adriana Esteves em Avenida Brasil; continuação da novela é a única definição da Globo às 21h
A Globo já tem bem definidas as próximas novelas das seis e das sete, mas o mesmo não pode ser dito sobre o horário das nove. No momento, fora Avenida Brasil 2, substituta de Quem Ama Cuida, a emissora não conta com nenhum projeto fechado para a faixa --justamente a de maior importância para a grade de programação.
A "segunda temporada" de Avenida Brasil (2012) estreia em janeiro de 2027 e marca o retorno do autor João Emanuel Carneiro ao horário após a problemática Mania de Você (2024). O que vem depois? Ninguém sabe.
Para o segundo semestre do ano que vem, a Globo avalia sinopses de Bruno Luperi e Manuela Dias, mas Aguinaldo Silva (embalado após a boa aceitação de Três Graças) e Rosane Svartman também estão no radar.
O projeto de Luperi é o mais avançado. O Arroz de Palma, inspirado no livro homônimo de Francisco Azevedo, é desenvolvido por ele desde a conclusão de Velho Chico (2016). Encarregado dos remakes de Pantanal (2022) e Renascer (2024), baseados nos originais do avô Benedito Ruy Barbosa (1931-2026), ele deixou a trama de lado e a resgatou apenas recentemente --visando o horário das nove e não mais o das seis, como pretendido a princípio.
Ambientada em diferentes épocas, O Arroz de Palma é uma proposta considerada cara. E é neste cenário que Manuela Dias desponta como responsável pela substituta de Avenida Brasil 2. A autora de Vale Tudo (2025) tem a seu favor a repercussão da releitura, que, mesmo sendo alvo de inúmeras críticas, mobilizou a audiência em seu terço final.
O bom desempenho de Três Graças (2025) também credencia Aguinaldo Silva para um retorno relativamente precoce à faixa --a trama estrelada por Sophie Charlotte foi finalizada em maio. Silva já trabalha numa nova sinopse para a faixa, assim como Rosane Svartman, cotada para estrear às 21h após o êxito de suas histórias para 19h --mesmo sem fazer questão da "promoção".
Por trás da indecisão da Globo quanto ao futuro do horário "mais nobre" estão os problemas enfrentados desde a retomada de produções pós-pandemia.
Toda gravada em meio à crise causada pela Covid-19, Um Lugar ao Sol (2021), de Licia Manzo, enfrentou a fuga de espectadores. Pantanal elevou a audiência, abalada logo em seguida por Travessia (2022), de Gloria Perez, hoje fora da emissora. Terra e Paixão (2023) --escrita por Walcyr Carrasco -- e Renascer não decepcionaram, mas passaram longe de empolgar. Mania de Você afundou os índices, que voltaram a crescer com Vale Tudo e Três Graças.
A oscilação dos números e a ausência de outros nomes habilitados para a faixa impõem um peso maior à decisão. A Globo tem pressa, não só por uma questão de calendário. A faixa das 21h é a de maior impacto em audiência, repercussão e faturamento.
Enquanto as filas das seis e das sete já estão organizadas, a das nove ainda depende de uma resolução que assegure estabilidade e bom desempenho à principal vitrine da emissora.
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