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NO ENCONTRO
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Ivo Madoglio entrevista torcedor no Encontro; Globo exibiu piadas consideradas racistas
A Globo exibiu ao vivo nesta segunda-feira (29) comentários com teor racista durante a cobertura do jogo entre Brasil e Japão. As falas foram ao ar no Encontro, quando o repórter Ivo Madoglio entrou diretamente da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para conversar com torcedores sobre as expectativas para a partida, marcada para às 14h.
Durante a entrevista, dois entrevistados recorreram a estereótipos frequentemente associados aos japoneses. Apesar do tom de brincadeira, as declarações reforçaram um tipo de discurso que influenciadores e integrantes da comunidade nipo-brasileira classificam como racismo recreativo.
Um dos torcedores, identificado apenas como Caique, afirmou: "O japonês, com todo respeito, tem o olho fechado, e quando o jogador do Brasil largar aquele chute, aquele míssil, o goleiro do Japão não vai enxergar por onde a bola vai passar. Vai ter gol do Rayan. Rayan, você é o cara". Em seguida, outro entrevistado declarou: "Hoje o Brasil vai fazer os japoneses abrirem o olho".
As falas foram exibidas normalmente durante a transmissão da atração matinal comandada por Patrícia Poeta. O repórter seguiu a entrada ao vivo, e não houve comentários sobre o conteúdo das declarações naquele momento.
torcida já tá no clima! 💃 no #GlôNaRua, Ivo Madoglio apareceu diretamente do Rio de Janeiro mostrando como tá a expectativa pro jogo de hoje da nossa Seleção 🇧🇷💛 #Encontro#TVGlobo#CopaNaGlobo#AGenteJogaJunto#FutebolNaGlobopic.twitter.com/rNqo1ahBse
— TV Globo (@tvglobo) June 29, 2026
Antes mesmo de os comentários irem ao ar na TV, influenciadores já vinham chamando a atenção para o aumento de manifestações racistas e xenofóbicas direcionadas a japoneses e nipo-brasileiros por causa da partida entre as seleções.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Bruna Tukamoto reuniu exemplos de atitudes que considera ofensivas e orientou os seguidores sobre como evitar esse tipo de comportamento. "Não chamar de Japa ou Coreia. Vocês colocarem todo mundo na mesma caixinha é apagar as subjetividades de todo mundo", afirmou.
Ela também criticou piadas com os nomes dos jogadores e a ideia de presumir que toda pessoa amarela torceria pela seleção japonesa. "Não fazer piadinhas com os nomes dos jogadores --um clássico racismo recreativo que toda pessoa amarela já sofreu", destacou.
"Não presumir automaticamente que toda pessoa amarela vai torcer para o Japão ou para a Coreia do Sul, e invalidar nossa torcida para o Brasil, como se eu não pudesse torcer para a Seleção Brasileira por causa dos nossos traços e ascendência", disse.
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A influenciadora ainda pediu que as pessoas evitassem imitar sotaques asiáticos. "Isso, além de sonso, é reforçar preconceito linguístico. Tem que lembrar que, se a sua brincadeira só existe porque a outra pessoa tem um fenótipo e traços amarelos, talvez a sua brincadeira não seja tão inofensiva como você pensa que é", complementou.
Leo Kazuya também publicou um vídeo sobre o tema e fez um apelo aos torcedores antes da partida. "Eu odeio ter que ser essa pessoa, mas vale lembrar que momentos assim, de rivalidade, não devem ser desculpa para você ser o c* do fundo do lixo de uma pessoa horrível. Torcer pelo Brasil é diferente de ofender outras nacionalidades", declarou.
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