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LUTO
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Gilberto Gil em entrevista ao Jornal Hoje deste sábado (28); ele até riu ao falar sobre a filha
Gilberto Gil surpreendeu com a maneira como lida com a morte de Preta Gil (1974-2025), que não resistiu à luta contra o câncer. O cantor chegou a dar risada ao falar sobre a filha, tentando focar no legado positivo que a artista deixou em vez de focar na dor e no luto da partida. "O tempo acabou para ela!", resumiu o veterano.
Em entrevista ao Jornal Hoje deste sábado (28) para falar sobre o fim da turnê Tempo Rei, que acontece desde março do ano passado e foi vendida como a sua última passagem pelos palcos, Gil não hesitou ao falar sobre Preta. Afinal, ela fez uma participação em um dos shows três meses antes de morrer.
"O tempo acabou pra ela (risos)! [Era] Ainda muito nova, 50 anos de idade. A vida quis levá-la ainda quando ela poderia ter vivido muito mais", justificou o cantor, sem perder a animação. "Mas viveu de uma forma muito intensa, muito bonita, muito particular, porque ela era uma pessoa muito especial."
Na conversa com o jornalista Thiago Crespo, Gil admitiu que tem uma maneira peculiar de falar sobre a morte. "Eu lido de uma maneira muito dedicada, pelo menos, a tratar do assunto da melhor forma que eu posso. A falar sobre isso, a escrever sobre isso, a tocar, a musicar", justificou.
"[Sinto] A percepção do passar do tempo psicologicamente, mentalmente. A diferença que faz hoje em dia, quase aos 84 anos, é uma mudança de qualidade da tecitura material do tempo, ficou diferente, mudou muito. Estamos sendo levados para as finalidades (risos), para a finitude, para o acabar do tempo. O tempo acaba quando a vida termina", disparou ele.
O cantor apontou, porém, que um companheiro seguirá com ele até seus últimos dias na Terra: o seu violão. "Ele tem que estar lá, eu dei uma tocadinha na minha casa antes de ir para o aeroporto. Fiquei pensando: 'É o meu companheiro eterno, que vai ficar comigo até o final da vida, do meu lado, vai ser meu companheiro até o final!'", valorizou o artista.
No ano passado, em entrevista ao Fantástico, Gilberto Gil já havia explicado que tentava encarar a morte de Preta Gil como algo positivo, apesar da dor. Como o tratamento contra o câncer é complicado, a filha sofreu muito em seus últimos meses de vida.
"ela já vinha com um sofrimento prolongado de quase três anos. Tem um lado de bálsamo que conforta um pouco, ajuda a gente a resistir à dor e ao sofrimento da perda", discursou Gil em conversa com Poliana Abritta.
"Eu já tinha perdido um filho lá atrás, de uma maneira muito trágica [Pedro Gil morreu em um acidente de trânsito em 1990]. Na época, eu me pronunciei muito enfaticamente a respeito disso, quase como uma queixa, 'puxa vida, os meninos nascem para enterrar a gente, é esquisito a gente enterrar os filhos'", ressaltou o ex-ministro da Cultura.
"Com Preta, a gente teve tempo para, de uma certa forma, irmos nos acostumado com a ideia. O diagnóstico dela foi, logo de início, muito duro, as expectativas em relação à possibilidade de ela se curar eram pequenas. Essas pessoas, quando se vão, deixam um vácuo muito grande. Ela se tornou uma figura pública, muito querida, também. A morte faz parte da vida, e a gente segue, né?", contemporizou o veterano.
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