GRADE LIVRE

Ge TV quebra padrão Globo de qualidade e faz Copa do Mundo 'no improviso'

BOB PAULINO/TV GLOBO

Jornalistas se alinham para tirar foto

A Ge TV foi inaugurada em setembro de 2025 como braço digital do esporte do Grupo Globo

EDUARDO REIS

eduardo@noticiasdatv.com

Publicado em 7/6/2026 - 8h10

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Com menos de um ano no ar, a Ge TV já terá um papel fundamental para o Grupo Globo durante a Copa do Mundo. Apesar de não transmitir os jogos no YouTube, por conta da exclusividade da CazéTV, o braço digital e divertido da Globo será a aposta para, justamente, bater de frente com o canal de Casimiro Miguel na conversa sobre o Mundial da América do Norte. Para isso, apostam em uma grade "ilimitada" e feita, basicamente, no improviso.

Na coletiva de apresentação da cobertura da Globo para a Copa, a apresentadora Mariana Spinelli adiantou que o canal não tem uma grade fechada, com programas ou horários bem definidos.

"Ainda é tudo muito novo, né? Eu acho que essa novidade te dá a liberdade de poder criar. A gente vai viver isso agora. Eu acho que essa é a grande liberdade que a gente tem com a internet, que a gente tem com o modelo da Ge TV: testar, ver o que está funcionando, fazer de um jeito hoje e amanhã fazer diferente. É conversar, reunir, bater papo. 'Cara, não gostei disso. Vamos fazer diferente?'", disse a jornalista na ocasião.

A única novidade é o Radar da Seleção, programa para debater sobre o time brasileiro em dias em que Vini Jr. e companhia não entrem em campo.

Com os jogos transmitidos apenas no Globoplay, a Ge TV tem outros concorrentes além da CazéTV: a TV aberta e o Sportv. Para Mariana, isso abre o leque de possibilidades que o telespectador pode ter. 

"O SporTV e a TV Globo têm uma tradição muito grande, e a gente está começando a nossa história agora no que é uma cobertura da Ge TV", afirmou. Sobre como competir com os outros produtos da casa, ela foi sincera. "Vocês podem me fazer essa pergunta, e eu vou falar: 'Eu ainda não sei'", confessou.

Na essência, a proposta dos três canais é diferente, segundo Mariana. "Eu assisti ao jogo na TV Globo porque quero fugir do delay. Vou assistir à Ge TV porque estou no caminho. Hoje quero ouvir o Jorge Iggor, hoje quero ver o Evê [Everaldo Marques], quero ver o Paulo Andrade. Enfim, você está lá acompanhando. Mas acabou o jogo. E aí? Você vai para o Sportv, acompanha o Eric Faria trazendo comentários e tal. Mas eu abri o meu Instagram, abri minhas redes sociais. A Ge TV segue lá", explicou.

Enquanto na TV aberta o pré-jogo dura uma hora, e no Sportv tem duas horas, a Ge TV pode fazer "até oito horas" por conta da ausência de uma grade fixa.

"Eu fiquei preocupada, porque a gente entrou na rinha de pré-jogo. Você tem uma hora, você tem duas, mas a Ge TV não tem grade. Então, eu estou com medo de perguntar quantas horas vou ter que ficar ao vivo. Porque eu vou ter que acordar e falar: 'Galera, começamos. Bom dia'. Podem ser cinco, seis, sete horas, eu não faço a menor ideia", disse Mariana Spinelli.

Ringue na web

Apesar da exceção dentro do chamado "padrão Globo de qualidade", a Ge TV vai se empenhar para criar conversa nas redes sociais --ou seja, viralizar conteúdos próprios.

"O que virou conversa? Às vezes, algo que o Everaldo Marques falou numa transmissão, a gente consegue fazer essa conversa render, render e render. E, às vezes, o que acontece na rede social vai voltar para a nossa transmissão. Então, o senso de comunidade que a gente quer criar e está criando é você existir em todas as plataformas o tempo todo", afirmou a apresentadora.

Embora o foco seja a internet, o canal não pretende fazer apenas gracinha ou a trend do momento. De acordo com Mariana, o foco ainda será a informação.

Eu acho que é tirar da cabeça essa ideia de que, por ser nas redes sociais, não precisa ter cuidado com a informação e com a credibilidade. A Ge TV quer fazer as duas coisas. Vocês vão ser atualizados, vão saber o que está acontecendo. Tem um compromisso muito grande com a informação. Só que o jeito de falar, o linguajar, a plataforma e o formato vão ser aqueles que combinam com o público que a gente quer atingir.

Com grandes gracinhas, vêm grandes responsabilidades. Enquanto muitos influenciadores e criadores de conteúdo tentarão ditar o debate, a Globo envia os seus próprios. Seja com Virginia Fonseca no Domingão ou com a Ge TV.

"Mas quem é um produtor de conteúdo que tem um crachá ou uma credencial da TV Globo? E eu acho que esse vai ser o nosso diferencial. Existe uma cobertura, existe uma tradição na cobertura, existe credibilidade. Isso a gente não vai negociar", finalizou Mariana Spinelli.


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