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SEQUÊNCIAS BOMBADAS

Fórmula para o futuro das novelas é antiga e agora chega até no streaming

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Adriana Esteves e Débora Falabella em cena de Avenida Brasil

Adriana Esteves e Débora Falabella em cena de Avenida Brasil: novela terá continuação na Globo

IVES FERRO

ives@noticiasdatv.com

Publicado em 30/12/2025 - 21h00

Depois de remakes que expuseram o desgaste do formato, emissoras e streamings encontraram um novo caminho para lidar com a memória afetiva do telespectador: as continuações de novelas. Elas partem de um terreno mais seguro, com uma história já conhecida, e acompanham a tendência das franquias no cinema de Hollywood.

As sequências não são exatamente uma novidade na televisão. A Record é mestra na reaproveitação, como fez na trilogia Os Mutantes (2007-2009), e de novo nas bíblicas Os Dez Mandamentos (2015) e A Terra Prometida (2016).

A Globo viveu uma virada clara nesse processo. Pantanal (2022) foi um ponto fora da curva, um remake elogiado e que colheu frutos de audiência. O sucesso abriu caminho para uma onda que não se sustentou.

Renascer (2024) perdeu fôlego ao tentar modernizar conflitos, Elas por Elas (2024) descaracterizou seus personagens, e Vale Tudo (2025) deixou de ser o clássico das novelas que o público esperava.

Nesse cenário, as sequências surgiram como alternativa menos arriscada. Êta Mundo Melhor!, continuação direta de Êta Mundo Bom! (2016), apostou no carisma já testado de Candinho (Sergio Guizé) e em um universo familiar ao público, mas com conflitos inéditos.

No Rancho Fundo (2024) tinha feito movimento similar ao expandir o mundo de Mar do Sertão (2022), mantendo o tom popular e os tipos que haviam conquistado audiência. Mesmo com tropeços pontuais, ela foi recebida com menos resistência do que os remakes exibidos no mesmo período.

A lógica é que o público aceita melhor a evolução do que a substituição. Em vez de comparar atores, cenas icônicas ou diálogos clássicos, o telespectador acompanha o "depois". O que aconteceu com aqueles personagens? Como o tempo os transformou? É uma curiosidade narrativa que reduz a rejeição.

Esse movimento também revela uma aproximação cada vez maior entre a dramaturgia tradicional e o modelo das séries. Sequências funcionam como novas "temporadas" de um mesmo universo ficcional. Algumas podem até assumir caráter de antologia, reaproveitando cenários e temas, mas com conflitos diferentes.

A própria Globo já trabalha nos bastidores em uma continuação de Avenida Brasil (2012), sinalizando que a estratégia deve se manter nos próximos anos. Adriana Esteves, Murilo Benício, Eliane Giardini e Juliano Cazarré já estão cotados para retornar em Avenida Brasil 2.

Na TV e no streaming

A tendência não se limita à TV aberta. No streaming, a HBO Max, embalada pelo sucesso de Beleza Fatal (2024), oficializou a continuação da novela de Raphael Montes. A plataforma aposta na mesma lógica: uma história encerrada, mas com espaço para novos desdobramentos.

Mas sequências não são garantia de sucesso. Verdades Secretas 2 (2021) mostrou que a repetição sem história também cobra seu preço. Ainda assim, elas oferecem a vantagem de preservar a memória afetiva sem reescrevê-la.

No fim das contas, a discussão não é apenas sobre formato, mas sobre escuta. As emissoras começam a entender que o problema não está em olhar para o passado, e sim em tentar corrigi-lo. Quando a história avança em vez de ser recontada, o telespectador se sente convidado, não desafiado.


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