A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
FERNANDO PELEGIO
REPRODUÇÃO/YOUTUBE

Fernando Pelegio: ex-diretor do SBT trabalhou mais de 40 anos emissora e cuidou da programação
Ex-chefão do SBT, Fernando Pelegio saiu em defesa de Mauro Lissoni, executivo demitido da rede nesta semana, e aproveitou para mandar um recado atravessado à atual cúpula da emissora --presidida por Daniela Abravanel Beyruti. Em publicação no X, o ex-diretor criticou o que chamou de "execração pública" do antigo colega e insinuou que as decisões que levaram à crise de audiência e à debandada de artistas não partiram apenas de um nome isolado. "Ego", disparou ele.
Sem citar diretamente as filhas de Silvio Santos (1930-2024) no desabafo, ele deixou no ar que havia instâncias superiores interferindo em escolhas estratégicas dentro da rede.
Fernando Pelegio deixou o SBT em setembro de 2023 após 43 anos na casa, em um movimento oficializado em "comum acordo" com a diretoria, porém, sofreu críticas por "mudanças" na programação.
Pelegio reagiu ao movimento que, nos bastidores, estaria tentando colocar em Lissoni a responsabilidade pelo momento turbulento vivido pelo SBT. Para ele, a leitura é injusta e simplista. "Me incomoda muito essa execração pública do Mauro Lissoni", escreveu em uma publicação no X.
Na sequência, o ex-diretor apontou que o profissional pode até ter errado, mas não agiu sozinho. "Estão colocando como único responsável pela queda da audiência e perda de artistas. Com certeza houve ingerências e acatou 'sugestões' de outros. Claro que errou, mas não foi sozinho. Minha solidariedade a ele", declarou.
O diretor falou sobre o funcionamento do cargo de diretor artístico no SBT e indicou que, acima dele, sempre existiram pessoas e grupos interessados em decidir os rumos da programação.
"Ser diretor artístico é muito mais que escolher quem apresenta ou dirige. Aliás, eu nem fazia muita questão de fazer isso no meu tempo porque pra isso, sempre houve pessoas e comitês acima de mim que gostavam de escolher. Ego", disparou.
Ainda que Pelegio não tenha citado nomes, a menção a "pessoas e comitês acima" dele reforçou a percepção de que o SBT vive um ambiente em que o poder se pulverizou, mas a responsabilidade pelos tropeços continua sendo empurrada para executivos operacionais.
No mesmo texto, o ex-diretor fez uma análise sobre o que, de fato, significa ocupar a direção artística de uma emissora. Segundo ele, a função vai muito além de escalar apresentadores ou diretores de programa.
"O diretor artístico dita o tom, impõe limites, sabe identificar e resolver os problemas técnicos, estéticos e de relacionamento. Lida com o artista, seus pedidos e responsabilidades. Mas acima de tudo, coloca os interesses da empresa em primeiro lugar. Da empresa", enfatizou.
Fernando Pelegio também reconheceu que Mauro Lissoni não tinha a bagagem ideal para suportar a pressão do posto. "Com certeza não estava preparado para as funções, já que ficou muito tempo afastado da cabeça de rede e faltou 'milhagem' nos estúdios e externas", avaliou.
Ao fim da postagem, ele desejou sorte a Murilo Fraga, anunciado como o novo Diretor Artístico e de Programação. "Ao mesmo tempo desejo toda sorte do mundo ao meu amigo Murilo. Esse, sim, com 'milhagem' para aguentar o tranco", escreveu.
Veja abaixo a publicação de Pelegio no X:
Me incomoda muito essa execração pública do Mauro Lissoni.
— fernando pelegio (@fpelegio) April 2, 2026
Estão colocando como único responsável pela queda da audiência e perda de artistas. Com certeza houve ingerências e acatou “sugestões” de outros. Claro que errou, mas não foi sozinho. Minha solidariedade a ele. pic.twitter.com/OzGjeQAcpK
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