HOMERO SALLES

Ex-diretor de Gugu diz que TV vive 'abstinência' de grandes animadores

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Foto mostra o diretor Homero Salles e o apresentador Gugu Liberato

O diretor Homero Salles e o apresentador Gugu Liberato em registro publicado no Instagram

REDAÇÃO

redacao@noticiasdatv.com

Publicado em 25/4/2026 - 20h35

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Ex-diretor de programas de Gugu Liberato (1959-2019), Homero Salles afirmou que a televisão brasileira vive uma "abstinência" de grandes animadores e defendeu que a crise dos programas de auditório não está no formato, mas na falta de profissionais capazes de conduzi-los. 

A crítica foi compartilhada pelo profissional em uma publicação no LinkedIn neste sábado (25). No mês passado, ele já havia feito apontamentos sobre a nova versão do Viva a Noite, programa do SBT que foi sucesso nos anos 1980 e 1990, justamente quando tinha Gugu à sua frente.

"À primeira vista, parece que estamos falando da mesma figura: alguém que conduz um programa de televisão, especialmente quando há auditório. Mas não estamos", iniciou Salles. 

É fundamental entender que apresentador e animador são funções distintas e essa diferença, cada vez mais ignorada, ajuda a explicar muito do que vemos hoje na TV. J. Silvestre [1922-2000] e Flávio Cavalcanti [1923-1986] eram apresentadores por excelência. Silvio Santos [1930-2024] e Chacrinha [1917-1988]? Animadores de auditório no mais alto nível.

"E na safra atual? Luciano Huck e Adriane Galisteu são apresentadores. Marcos Mion e Patrícia Abravanel, animadores. E talvez… só. Gugu Liberato merece um capítulo à parte. Foi um raro equilíbrio entre as duas funções, muito provavelmente pela sua formação como produtor/redator desde o início da carreira. Sabia, como poucos, dosar conteúdo e emoção. Condução e energia", valorizou. 

"Há histórias que ilustram bem essa diferença. Na saída repentina de J. Silvestre do SBT para a Band, o programa exibido no mesmo dia ficou sem o quadro Esta é a Sua Vida. Silvio Santos, no ensaio, tentou assumir a condução, começou a leitura das fichas, interrompeu e pediu: 'Chamem o Murilo Néri [1923-2001]'", seguiu o diretor. 

Hoje, vemos uma categoria curiosa e, muitas vezes, incongruente: atores que se apresentam como animadores/apresentadores. Rodrigo Faro e Márcio Garcia são exemplos conhecidos. Funciona? Às vezes. Sustenta? Nem sempre. E há ainda um fenômeno recente: os influenciadores 'importados' da internet para o palco da televisão. Prefiro não citar nomes, o tempo costuma fazer esse trabalho melhor do que qualquer crítica.

"No fundo, quando ouvimos que os programas de auditório estão com os dias contados, talvez estejamos olhando para o problema errado. Não é o formato que está em crise. É a ausência de quem sabe fazê-lo. Estamos vivendo uma espécie de abstinência de Silvios, Gugus e Chacrinhas. Porque, no fim das contas: é possível formar um apresentador, mas é praticamente impossível fabricar um animador. Animador não se constrói. Animador nasce pronto."


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