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HOMERO SALLES

Ex-diretor de Gugu detona nova versão do Viva a Noite: 'Resultado constrangedor'

REPRODUÇÃO/SBT

Luis Ricardo sorri no cenário do Viva a Noite

Luis Ricardo no comando do novo Viva a Noite, que estreou oficialmente sábado (28) no SBT

REDAÇÃO

redacao@noticiasdatv.com

Publicado em 29/3/2026 - 21h54

Homero Salles, amigo de Gugu Liberato (1959-2019) e que dirigiu a maioria dos programas apresentados pelo comunicador, não viu com bons olhos a tentativa do SBT de refazer o Viva a Noite, que foi sucesso nos anos 1980 e 1990, justamente quando tinha o loiro à sua frente.

O programa voltou ao ar oficialmente no sábado (28), após uma pré-estreia no fim do ano passado, agora apresentado por Luis Ricardo --que finalmente ganhou uma atração para chamar de sua depois de décadas no SBT. Mas Salles não aprovou o que foi ao ar na sua antiga casa.

"Só acertaram no nome e erraram no resto", escreveu ele em seu perfil no LinkedIn neste domingo (29). "Sentei em frente à TV no sábado para assistir, com esperança e nostalgia, a um revival do programa que eu e o Gugu criamos em 1982", começou o diretor na sua publicação.

"O Viva a Noite original dos anos 1980 derivou de uma competição de danças trazida pela produtora argentina Nelly Raymond [1932-2020], que vinha ao Brasil somente uma vez por mês. Cabia a mim e ao Gugu reescrever tudo, criar quadros e adaptar o formato aos recursos da época --ou melhor, à ausência deles: zero verba e muita criatividade, improviso e televisão ao vivo", lembrou.

"E aí começam os erros desta nova tentativa de recriar um ícone do SBT. O principal: fizeram o programa gravado. Viva a Noite é, por natureza, um programa ao vivo. Não funciona gravado. Seu sucesso sempre esteve no improviso, na espontaneidade e na interação com o auditório", apontou Salles, que não segurou a crítica. "Nada disso estava lá."

"Faço uma ressalva ao apresentador Luis Ricardo, artista talentoso que esperou décadas por essa oportunidade e merecia muito mais", contemporizou o diretor. "Surpreende também o mau resultado, considerando os dois bons diretores envolvidos."

"Percebe-se que o problema aqui é conceitual. Se tivessem criado algo somente inspirado no original, talvez funcionasse. Mas optaram por copiar quadros e brincadeiras sem entender o essencial: o diálogo com a câmera e com o telespectador", ressaltou.

"Esta versão gravada e pessimamente editada, com cortes bruscos, objetos e pessoas desaparecendo do nada, quebra completamente a imersão e compromete o ritmo, dando ao programa uma aparência frágil incompatível com a história que carrega. O cenário é grande demais para um programa que sempre foi intimista. O palco amplia mais ainda a sensação de vazio, agravada por um posicionamento da câmera central equivocado", criticou Salles.

"Eliminaram a figura de telemoças como Marriet, Rose, Walkiria, Silvinha, que eram parte do imaginário do programa, e as substituíram por um balé genérico, que atua em todos os programas da casa, descaracterizando o formato", apontou o responsável pelo formato original no Brasil.

"No som, a operação teve falhas: BG [som de fundo] alto, apresentador em segundo plano e microfones dos participantes praticamente mudos. E, no caso de Nicki French, exposta sem suporte vocal, o resultado foi constrangedor", apontou Homero Salles.

"A plateia, que era protagonista, virou figurante. Entraram tokens frios no lugar de reação real. Luiz Ricardo pouco interagiu com o auditório e com o time das mulheres, perdendo oportunidades claras de improviso", listou ele.

"O problema central é simples: não entenderam que o Viva a Noite não é um conjunto de quadros, é um estado de espírito. É fluxo, caos organizado, risco e plateia viva. Do jeito que está, não é o Viva a Noite que voltou... é apenas uma lembrança mal compreendida dele", cravou o diretor.

Salles ainda listou algumas maneiras de resolver os problemas apresentados na estreia. "Se quiserem corrigir: programa ao vivo, ou esqueçam e façam outro formato; cenário comprimido, estilizado com elementos do passado; plateia ativa, dividida em torcer para Homens x Mulheres; apresentador improvisando mais; menos roteiro, menos TP [teleprompter], mais verdade; conversar com os convidados no início do programa para criar empatia."


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