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MICHAEL EISNER

Ex-chefão da Disney critica empresa por ceder a Trump e tirar Jimmy Kimmel do ar

Divulgação/ABC

Jimmy Kimmel tem sorriso discreto e forçado no cenário de seu talk show

O comediante Jimmy Kimmel em seu talk show, que não é exibido desde quarta-feira (17)

REDAÇÃO

redacao@noticiasdatv.com

Publicado em 20/9/2025 - 14h50

Michael Eisner, que foi CEO da Disney entre 1984 e 2005, criticou abertamente sua antiga empresa pela maneira como tirou do ar o talk show Jimmy Kimmel Live! por causa de comentários feitos pelo apresentador sobre o suposto assassino do influenciador trumpista Charlie Kirk (1993-2025). Sem citar nomes, o executivo questionou a falta de pulso firme do seu sucessor, Bob Iger, à frente do conglomerado.

"Onde foi parar toda a liderança? Se presidentes de universidades, sócios de firmas de advocacia e chefes de grandes corporações não encararem os valentões, quem vai proteger a Primeira Emenda [que inclui a liberdade de expressão]?", questionou Eisner em um post no seu perfil do X.

"A 'suspensão por tempo indeterminado' de Jimmy Kimmel, imediatamente após o chefe da FCC [Comissão Federal de Comunicações] fazer uma ameaça agressiva, porém vazia à Disney, é mais um exemplo de intimidação fora de controle", seguiu o ex-executivo, em referência ao fato de Brendan Carr, presidente da FCC (e aliado íntimo de Donald Trump) ter sugerido que deveria caçar a licença da rede ABC pelos ataques ao presidente.

"Talvez a Constituição devesse dizer: 'O Congresso não pode fazer nenhuma lei que limite a liberdade de expressão, ou da imprensa, exceto quando ela interfere no interesse político ou econômico de alguém", ironizou Eisner, que ainda disse que acha Kimmel "muito talentoso e engraçado".

O que Kimmel disse para ser tirado do ar?

No monólogo de abertura do seu programa da última segunda (15), Jimmy Kimmel fez um comentário sobre Tyler Robinson, suspeito de ter matado Charlie Kirk --um dos maiores defensores de Trump entre o público jovem.

Kimmel sugeriu que Robinson seguiria os ideias do grupo Maga (Make America Great Again, ou Faça os Estados Unidos Serem Grandes Novamente, em tradução livre), formado por apoiadores de Donald Trump --ou seja, a morte de Kirk seria um "trabalho interno", e não um crime provocado por democratas.

"Atingimos um novo fundo do poço no fim de semana, com a gangue Maga tentando caracterizar esse garoto que matou Charlie Kirk como qualquer coisa exceto um deles. Agora, eles estão tentando de tudo para conseguir pontos políticos", alfinetou o comediante, que apresenta o talk show desde 2003.

Executivos do alto escalão da Disney concluíram que não havia nada demais na fala de Kimmel, mas optaram por tirá-lo do ar mesmo assim por causa da pressão de dois grupos que controlam um grande número de afiliadas da ABC pelo país, a Nexster e a Sinclair.

Em uma tentativa de agradar Trump e a FCC para obter vantagens com o governo, os dois grupos afirmaram que deixariam de exibir o talk show imediatamente. Isso afetaria a audiência do Jimmy Kimmel Live! e, por consequência, comprometeria a promessa de público do programa vendida para anunciantes. Assim, a direção optou pelo cancelamento temporário.

Segundo o Deadline e a Variety, executivos da Disney e da ABC tentaram negociar o retorno de Kimmel ao ar, com ele pedindo desculpas publicamente pelo que havia dito --só que o comediante teria se recusado a demonstrar arrependimento por uma fala que os próprios chefes não consideram problemática. Assim, ele segue sem previsão de voltar ao trabalho.

Na sexta (19), a ABC enviou uma nota para a equipe do talk show na qual informou que todos continuarão recebendo seus salários na próxima semana, mesmo fora do ar. Isso era uma preocupação do próprio Kimmel, já que seus colegas de trabalho ainda estão com as finanças comprometidas por causa das greves dos roteiristas e dos atores em 2023 e da pandemia em 2020.


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