LE COCQ
Divulgação/Prime Video

Flavio Tolezani em cena da série Dom; seu personagem integrou a Scuderie Le Cocq
Abordada de maneira superficial na série Dom (2021-2024), do Prime Video, a Scuderie Le Cocq vai ganhar uma atração própria na TV paga no mês que vem. Chamado de Homens Sem Lei, o programa revelará como funcionava de verdade o esquadrão da morte que é considerado por sociólogos e historiadores a origem das milícias no Rio de Janeiro.
Em cinco episódios, previstos para irem ao ar a partir de 14 de agosto no canal A&E, Homens sem Lei revelará a história real do grupo por meio de manchetes e matérias jornalísticas originais da época e depoimentos de personagens que vivenciaram o período, como o delegado José Guilherme Godinho Sivuca Ferreira, o Sivuca (1930-2021), autor da frase "Bandido bom é bandido morto".
Também falam na série personalidades como Nélida Piñon (1934-2022) e Jards Macalé, familiares do policial Mariel Mariscot (1940-1981) e os repórteres policiais que acompanhavam as caçadas, como o autor Aguinaldo Silva e o jornalista Luarlindo Ernesto, que presenciou a execução de Cara de Cavalo, sendo inclusive obrigado a atirar no bandido.
Interpretado por Flavio Tolezani na atração livremente inspirada na vida de Pedro Machado Lomba Neto (1981-2005), o policial Luiz Inácio Victor Lomba fez parte da Scuderie Detetive Le Cocq, formada em 1964 dentro da polícia para vingar o assassinato do detetive Milton Le Cocq (1920-1964).
Prestigiado entre os colegas e conhecido por ter feito a guarda pessoal do ex-presidente Getúlio Vargas (1882-1954), Milton foi morto por um bandido que se chamava Manoel Moreira (1941-1964), apelidado de Cara de Cavalo, que extorquia bicheiros.
Le Cocq foi morto na noite em que armou uma tocaia, a pedido de um contraventor, para tentar surpreender Cara de Cavalo. Na troca de tiros, o detetive levou cinco balas e não resistiu. Ele tinha 44 anos. O caso gerou uma mobilização de centenas de policiais em busca do criminoso.
Em 3 de outubro de 1964, menos de dois meses depois do assassinato de Le Cocq, o bandido foi encontrado e morto com 61 tiros, a maioria na região do abdômen. Aquela foi a primeira morte da Scuderie, organização que só foi extinta no início dos anos 2000, segundo informações do jornal O Globo.
Nos anos 1970, o policial Victor Dantas foi convidado para integrar o grupo dos chamados 12 Homens de Ouro, esquadrão da morte que atuava como um "braço" da Scuderie Detetive Le Cocq. Essa associação era apoiada por parte da sociedade e tolerada pelo Estado.
Pesquisadores e especialistas apontam que esses grupos serviram de base para a criação das equipes paramilitares atuais. A premissa é a mesma: policiais, militares e até políticos que atuam na surdina e fora da lei para eliminar criminosos --ou exterminar adversários que surjam em seu caminho.
Na vida real, o grupo fez muito mais do que caçar traficantes. Criado em plena Ditadura Militar (1964-1985), passou a perseguir também pessoas que se opunham ao regime, com métodos violentos, que iam da tortura à execução sumária.
A Scuderie Le Cocq tinha como meta "limpar as ruas da cidade" e conquistou o apoio da imprensa, do governo e da população --chegou a ter mais de 7 mil associados entre cidadãos comuns como médicos, advogados e, segundo seus fundadores, celebridades como Pelé (1940-2022) e até o cantor norte-americano Frank Sinatra (1915-1995).
Luiz Victor Dantas Lomba, o pai de Dom, acabou expulso da organização por desonra e, em entrevistas posteriores, afirmou que seu envolvimento com o esquadrão foi "a pior coisa que fez em sua vida". O policial aposentado morreu em 2018, vítima de um câncer no pulmão.
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