'3 DIAS AFÔNICO'

Eric Faria supera problema de saúde da última Copa e encara mudanças em 2026

REPRODUÇÃO/SPORTV

comentarista fala em programa de mesa redonda esportiva

O comentarista Eric Faria é um dos rostos do Sportv para a cobertura da Copa do Mundo de 2026

EDUARDO REIS

eduardo@noticiasdatv.com

Publicado em 9/6/2026 - 18h00

Fonte Preferencial

A Copa do Mundo de 2026 terá um peso especial para Eric Faria. Além de fazer sua estreia como comentarista do Sportv depois de décadas como repórter, o jornalista chegará ao torneio com uma rotina mais rigorosa de cuidados com a saúde --reflexo do susto que viveu no Catar, em 2022. A principal preocupação recai justamente sobre o instrumento mais importante do seu trabalho: a voz.

Em entrevista exclusiva ao Notícias da TV, o profissional relembra que enfrentou dificuldades após a eliminação do Brasil para a Croácia e passou a encarar a preparação física para grandes coberturas de outra maneira.

"Na última [Copa], quando o Brasil foi eliminado, eu segui na cobertura. Só que, talvez pelo estado emocional e por um monte de outras coisas, o frio, eu fiquei três dias afônico", relembra.

O episódio reforçou hábitos que ele considera indispensáveis durante um mundial, especialmente em uma edição que exigirá deslocamentos entre Estados Unidos, México e Canadá.

"Agora, você precisa ter cuidado com a saúde. Parece que não, mas, por exemplo, em Copa do Mundo eu não bebo gelado. Eu já não bebo álcool normalmente; na Copa, então, não bebo mesmo. Tomo muita vitamina C, tento, na medida do possível, me exercitar bastante e não exagerar na comida. Por exemplo, quem vai para o México é bom ter cuidado com comida apimentada. Porque o teu organismo, o teu corpo, é o teu instrumento de trabalho numa Copa. A voz e o corpo. Se você ficar doente, você não consegue trabalhar", explica.

A possibilidade de perder a voz segue sendo o cenário que mais o preocupa profissionalmente:

Cara, isso é desesperador para quem trabalha com voz. Não tem jeito. Eu podia ter quebrado a perna, era melhor botar um gesso do que perder a voz. Então, essa é a coisa que mais me aflige. Se tem uma coisa que Copa do Mundo ou um evento importante me deixa preocupado é a voz.

Segundo o jornalista, os cuidados começam antes mesmo do início da competição. "Eu vou para o avião todo enrolado, já estou tomando vitamina C previamente, porque realmente tenho um cuidado muito grande", diz.

Da reportagem para a cabine

A edição de 2026 também marcará a primeira Copa de Eric Faria como comentarista. Contratado pelo Grupo Globo em 1997, ele passou a integrar a equipe de análise do Sportv há cerca de dois anos e meio e afirma ter encontrado rapidamente o caminho que pretendia seguir na nova função.

"Colocando o meu estilo, o meu DNA, a minha marca. Mas, desde muito cedo, quando comecei, há dois anos e meio como comentarista, entendi que caminho eu queria seguir", afirma.

"E eu acho que é esse caminho que me levou à Copa do Mundo e é esse caminho que eu entendo ser um bom caminho. É tentar ser o mais simples possível na linguagem", acrescenta.

Na avaliação dele, a bagagem acumulada na reportagem acabou se tornando uma vantagem na transição para a cabine.

"Eu não acho que seja uma situação sine qua non [expressão em latim que significa condição absolutamente essencial]. Se não for, não vai ser, entendeu? Mas eu acho que ajuda muito. Tem me ajudado muito", diz.

Tem certas vivências como repórter que quem só fica em um estúdio, numa redação, não tem. É a coisa de ouvir. Quando alguém está falando alguma coisa, você tem a perspicácia de saber se o cara está querendo te usar ou não, se ele está contando uma história pela metade ou uma história inteira. Então, isso tudo vai ajudando.

Eric destaca ainda que o contato direto com os jogos ao longo da carreira contribuiu para a adaptação ao novo posto.

E, assim, como repórter, vi muito jogo na vida, muito jogo. Claro que era numa perspectiva do campo e não lá de cima. Mas o jogo é jogo, né? Então, para ser repórter, eu tinha que ver muito jogo também. Isso tem me ajudado muito.

Ao falar sobre a formação de novos profissionais, o jornalista defende a reportagem como uma etapa importante para quem pretende migrar para os comentários esportivos.

"Acho que é um bom caminho para um jovem jornalista esportivo: tentar ser repórter, trilhar um caminho bacana na reportagem, consistente, e depois migrar para ser comentarista. O PVC foi repórter, o Rizek hoje é comentarista e apresentador, mas também foi repórter por muito tempo. O Lédio Carmona foi repórter por muito tempo", observa.

"Então, você vê que não é que todo mundo que alcançou algum sucesso tenha sido repórter. Mas todo mundo que alcançou algum sucesso foi repórter, entendeu?", conclui.


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