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REPRODUÇÃO/REDETV!

Amaury Jr. na RedeTV!; jornalista e apresentador se tornou sinônimo de colunismo social
Na era dos influenciadores, a expressão "15 minutos de fama" já não faz mais tanto sentido. Cada produtor de conteúdo consegue, com seu próprio celular, alcançar a atenção de milhões de pessoas --nem que seja por 15 segundos. Mas, diante de tanta informação dispersa, abre-se uma lacuna para o público: quem realmente vale a pena ser visto? Pelo menos na primeira década dos anos 2000, parecia que Amaury Jr. era quem tinha essa resposta.
O apresentador que virou sinônimo do colunismo social deixou a RedeTV! em 2023, repetindo um trajeto que já tinha tomado em 2017, quando também deixou a emissora de Osasco para voltar à Band. Contudo, o experimento no Morumbi durou pouco, e, em maio de 2019, ele já estava na TV de Amilcare Dallevo novamente.
Nestes três anos em que o jornalista segue afastado da TV brasileira, nenhuma atração equivalente surgiu para suprir a sua ausência. Todavia, não é possível dizer que não há mais interesse na vida das elites. O livro Coisa de rico: A vida dos endinheirados brasileiros (Todavia), escrito pelo antropólogo Michel Alcoforado, por exemplo, se tornou um dos principais best-sellers de não-ficção do país no ano passado.
Ao longo de décadas, Amaury Jr. construiu sua imagem como um dos principais nomes do entretenimento e do lifestyle na TV brasileira. Seu estilo esteve ligado a entrevistas com celebridades, cobertura de eventos, viagens, bastidores e reportagens sobre comportamento, luxo e sociedade.
Ser entrevistado por Amaury Jr. costumava ser uma chancela de reconhecimento, muitas vezes perseguida por empresários e alpinistas sociais. Sobretudo, em um contexto em que havia diferentes tipos de fama e nem tudo era um topa-tudo por holofote. Ou seja, nem todo mundo queria ser visto do mesmo jeito que um ex-BBB.
Um caso famoso foi o do golpista Marcelo Nascimento da Rocha, conhecido como Marcelo VIPs, que enganou o apresentador em 2001 ao fingir ser Henrique Constantino, herdeiro e um dos fundadores da companhia aérea GOL -- tudo para ser entrevistado pelo jornalista. A mentira é contada no filme Vips (2010), protagonizado por Wagner Moura.
divulgação/o2 filmes & universal pictures

Amaury Jr. no filme Vips com Wagner Moura
Outro vazio deixado por Amaury Jr., além da espécie de curadoria feita por seu programa, eram os flagras: desde registros de infidelidade a momentos de extrema bebedeira, e logo extrema sinceridade de famosos em festas privadas. Um tipo de acesso que, mesmo para quem segue e acompanha centenas de perfis do Instagram, dificilmente terá hoje em dia- pelo menos não sem os "filtros", impostos por equipes ou pelas próprias personalidades.
Em entrevista à colunista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, no início deste mês, o apresentador reconheceu que os tempos mudaram, mas ainda se sente um pioneiro. "Não faz mais sentido fazer o que eu fazia porque hoje em dia as pessoas viraram o Amaury Jr. delas mesmas. Então eu tenho que fazer diferente. É o preço de ter as ideias antes", confessou.
Recentemente, Amaury Jr. ganhou um novo espaço na televisão, desta vez fora do Brasil. No ano em que completa cinco décadas de carreira, o apresentador de 75 anos fechou com a TV Connect USA, emissora aberta voltada à comunidade brasileira nos Estados Unidos e afiliada à CNN Newsource. A nova atração, chamada Amaury Jr. Connect, é produzida entre Brasil e Estados Unidos.
O programa reunirá entrevistas, coberturas externas, viagens, eventos e conteúdos de lifestyle, além de abrir espaço para personagens e histórias ligadas ao cotidiano da comunidade brasileira nos Estados Unidos. Também haverá resgate de momentos do acervo do apresentador, com trechos de entrevistas históricas já exibidas ao longo de sua carreira.
Embora já tenha gravado reportagens nos Estados Unidos para exibição no Brasil, esta será a primeira vez que Amaury comandará um projeto pensado diretamente para brasileiros que vivem no exterior. Amaury Jr. mantém relação antiga com o país e tem casa na região de Orlando, na Flórida, há quase 30 anos.
Amaury Jr. começou no colunismo social eletrônico em 1982, na TV Gazeta de São Paulo, com o programa Flash, que tinha esse nome porque durava apenas cinco minutos. Ele migrou para a Record seis meses depois e, no ano seguinte, para a Band, onde ficou até 2001. Então, voltou para a Record, novamente em passagem curta.
Em 2002, fechou contrato com a RedeTV!, onde permaneceu durante 15 anos ininterruptos, com uma atração diária. Depois da rápida segunda passagem pela Band, relançou o Programa Amaury Jr. na emissora de Osasco em edições semanais, exibidas na madrugada de sexta para sábado.
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