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OPINIÃO

Em vez de superexposição, Tati Machado oferece escuta e afeto ao voltar à TV

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Mulher de expressão emocionada olha para cima; veste roupa colorida com casaco mostarda e brincos dourados, em ambiente interno com fundo rosa

A apresentadora Tati Machado no Mais Você de segunda (28): de volta à TV após perda gestacional

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 28/7/2025 - 21h00

A jornalista Tati Machado merece todos os elogios por sua volta à Globo após enfrentar uma perda devastadora na reta final da gravidez. Com sensibilidade e firmeza, ela estabeleceu um contato direto e sincero com o público que a acompanha nos programas da emissora. Sem apelar para o sensacionalismo, a apresentadora ainda trouxe à tona uma pauta urgente e delicada, a dor de perder um filho que ainda nem nasceu ---uma experiência muitas vezes invisibilizada na sociedade e pouco compreendida por quem nunca passou por ela.

Quem assistiu à entrevista dela ao Fantástico de domingo (27) percebeu rapidamente: não havia roteiro ou ensaio. A profissional surgiu de peito aberto, vulnerável, permitindo um contato genuíno não só com o público do outro lado da tela --mas também com a própria Renata Capucci, que compartilha da mesma angústia por já ter vivido uma perda semelhante.

O mais interessante é que Tati seguiu na contramão da lógica atual, marcada pela superexposição nas redes sociais. Em vez de transformar sua dor em espetáculo, ela escolheu o silêncio, tirou um tempo para si e também ofereceu tempo ao outro. Ainda assim, foi firme ao deixar claro: pretende retomar o trabalho assim que sua licença terminar, em setembro.

O momento mais marcante foi, sem dúvida, a conversa com Ana Maria Braga no Mais Você desta segunda-feira (28). Uma das passagens mais comoventes foi quando Tati explicou por que fez questão de registrar fotograficamente aquele momento, ainda que doloroso e delicado. Para ela, esse gesto era uma forma de, no tempo certo, elaborar o luto com consciência e acolhimento.

Também merece destaque a maneira como Tati sempre reafirmou que Rael não se perdeu --ele nasceu. Ao fazer essa distinção, deixou claro que sua gestação não foi interrompida, muito menos falha. Foi completa em afeto, vivida em plenitude por ela e por sua família, mesmo que o desfecho não tenha sido o sonhado.

Ao expor sua dor com tamanha honestidade e delicadeza, Tati Machado não apenas compartilhou sua história, mas abriu espaço para que outras tantas, silenciadas, também possam ser ouvidas. Seu retorno à televisão, mais do que um recomeço profissional, é um gesto de coragem e empatia.

Em tempos de ruído e exposição, ela escolheu a escuta, a pausa e o respeito. E, com isso, transformou sua vivência pessoal em um poderoso ato de acolhimento coletivo.


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