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ANÁLISE
REPRODUÇÃO/TV CULTURA

Ernesto Paglia no Roda Viva; repórter experiente vive momento de "virada" e tenta se ajustar
Assumir o comando de um dos programas de entrevista mais tradicionais da televisão brasileira não é uma tarefa simples, nem mesmo para Ernesto Paglia. É visível que o desafio de mediar o Roda Viva, na TV Cultura, tem se revelado uma ladeira íngreme para o veterano. Contudo, após uma estreia bastante criticada, o jornalista já dá sinais otimistas.
Nesta segunda-feira (2), o Roda Viva recebeu o senador e relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE). Vale dizer, um perfil muito diferente da convidada do programa de estreia, a cientista Tatiana Sampaio, bióloga e professora da UFRJ.
Em pleno ano eleitoral, período que exige pulso firme e agilidade da imprensa, Paglia ainda parece um coadjuvante na roda, sem a força necessária para conduzir os debates com a autoridade que o posto exige. O veterano segue em busca de uma firmeza que, por enquanto, não deu as caras.
Essa fragilidade na condução torna-se ainda mais evidente quando o centro da roda é ocupado por uma figura do universo político. Diante de entrevistados articulados, Paglia demonstra dificuldade em organizar o fluxo de perguntas e respostas, permitindo que o ritmo do programa escape de suas mãos.
Em seus poucos momentos de intervenção, o apresentador transparece um desconforto visível, chegando a se mostrar levemente atrapalhado na leitura do teleprompter e hesitante em suas colocações, o que transmite uma insegurança incomum para alguém com sua bagagem profissional.
O desconforto também deu as caras no encerramento do último programa, quando o apresentador se atrapalhou nas despedidas finais, reforçando a sensação de que ainda não domina a dinâmica do estúdio. Ele chegou a chamar mais um bloco, quando na verdade, deveria encerrar a edição.
Embora o mediador já pareça um pouco menos "estranho" e desconfiado do que em sua estreia, a naturalidade ainda não está presente na bancada da TV Cultura. E tal processo de adaptação de Paglia, bem como das demais novidades da atração, podem soar para o telespectador um tanto maçantes.
Ou seja, o jornalista ainda não conseguiu entregar totalmente aquele que sempre foi o seu maior trunfo na televisão: a capacidade de trazer leveza e simplificar discursos complexos para o grande público. No Roda Viva, ele ainda parece engessado a uma formalidade que não lhe pertence, tornando a troca entre imprensa e convidado arrastada.
Há mais de 35 anos no ar, o Roda Viva é um dos mais relevantes programas de entrevista da TV brasileira. Ernesto Paglia recebeu o programa das mãos de Vera Magalhães. Contudo, a atração é marcada justamente por uma rotatividade de apresentadores, que costumam ocupar o posto somente durante algumas temporadas.
Todavia, o jornalista ter um perfil distinto de seus antecessores de bancada pode ser, na verdade, seu grande trunfo. Com sensibilidade, experiência e carisma, Ernesto Paglia tem todos os elementos de que precisa para deixar sua assinatura no Roda Viva. Falta transparecer para o telespectador que a "roupa" que ele veste está, de fato, bem ajustada --e provar que lhe cai bem.
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