A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
OPINIÃO
Reprodução/TV Globo

Eliana no programa do último domingo (30); o Em Família ainda não decolou na audiência
O Em Família com Eliana nasceu com a premissa de ser um "ponto de encontro entre famílias, anônimas e conhecidas", como expõe o documento que a Globo enviou ao mercado publicitário. O programa traz um nome perfeitamente alinhado à proposta a qual o programa se apega. No entanto, a coesão nem sempre é o que rende os melhores momentos: a atração se torna realmente interessante quando deixa de lado a obrigação de reunir famílias na tela.
Antes da Copa do Mundo, o destaque foi uma competição musical entre famílias. Depois da pausa para o Mundial, a grande aposta foi o quadro Invertidamente, em que, claro, pessoas de uma mesma família ficam de cabeça para baixo para concluírem tarefas corriqueiras.
Apesar dos índices críticos, foi em agosto que o programa trouxe mais momentos promissores --e, justamente, longe das tentativas de se aprofundar em histórias familiares.
No domingo passado (30), a química entre Ivete Sangalo e Dani Calabresa foi o principal destaque. As duas responderam perguntas do público em uma espécie de consultório sentimental e até deram conselhos de sexo para a ainda virgem Beatriz Reis. O quadro protagonizado por fãs da baiana, que tentavam adivinhar hits dela através de mímicas, também foi divertido.
No último dia 23, uma visita surpresa de Flávia Alessandra a Ary Fontoura gerou aquelas trocas emocionantes que Eliana conduz muito bem e que seu público também parecia apreciar nos tempos do SBT. Já em 16 de agosto, o musical comandado por Xande de Pilares e o Grupo Revelação transmitiu bem mais a atmosfera de um domingo em família que os demais quadros.
Em contrapartida, em 9 de agosto, pleno almoço de Dia dos Pais, quando muitas famílias estavam reunidas, o programa não pareceu atrativo o suficiente para que os espectadores retornassem na semana seguinte.
A entrevista de Romulo Estrela com sua família não teve ganchos tão interessantes, e os parentes de Thiago Oliveira e Luis Lobianco pouco empolgaram. O cantor Mano Walter, embora seja um grande nome do forró brasileiro, também não tem uma família que desperte interesse da massa, e a participação não rendeu nada além de uma protocolar homenagem dos filhos.
Seria injusto culpá-los; afinal, eles não são obrigados a performarem o mesmo carisma de seus parentes famosos. A responsabilidade de encontrar personagens à altura de um dominical é da produção.
Eliana sempre se vendeu como uma apresentadora de "programas para a família". Em diversas entrevistas, é assim que ela se refere quando comenta sua transição de ícone infantil para a mulher mais bem-sucedida nos domingos da televisão.
Embora se mantenha na liderança na maior parte do tempo, o programa tem apresentado dificuldades de emplacar na audiência. No último dia 31, teve a sua edição menos vista desde a estreia, com 7,3 pontos de média na Grande São Paulo, segundo dados obtidos pelo Notícias da TV.
Talvez, o grande equívoco do programa seja definir a "família" como seu público-alvo --o que aparece no documento enviado pela Globo ao mercado. Em um mundo com lares nas mais variadas configurações e com as pessoas distribuídas em diferentes telas e cômodos por conta de streaming e redes sociais, que família é essa?
É desafiador oferecer uma razão para que pessoas diferentes, com interesses diferentes, escolham a mesma atração. Mas, no último mês, o Em Família com Eliana provou que pode ser mais fácil cumprir esta missão com convidados carismáticos e quadros mais espontâneos do que tentar criar um "espelho" a partir de famílias em contextos "margarina", nos quais dificilmente o público se reconheceria.
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