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CRÍTICA

Em Família desperdiça não só o carisma de Eliana, mas também o de seus convidados

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Eliana Michaelichen sorri para Ana Maria Braga no cenário do Em Família

Eliana Michaelichen recebeu Ana Maria Braga no Em Família do último domingo (22); pouco a fazer

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 29/3/2026 - 8h10

Ao receber Ana Maria Braga na segunda edição do Em Família, exibida no último domingo (22), Eliana Michaelichen se emocionou, falou sobre a alegria de finalmente contar com a amiga pessoal em um programa seu --já que ela não poderia fazer isso nos tempos de SBT-- e até valorizou a relação das duas com Hebe Camargo (1929-2012). O público, porém, não viu nada disso se transformar em um conteúdo interessante. A participação da apresentadora do Mais Você foi completamente desperdiçada, e ela serviu apenas como jurada de uma competição musical que é longa demais e pouco empolga.

Esse é o grande defeito do dominical de Eliana até o momento: ele não consegue aproveitar os talentos dos envolvidos porque está engessado pelo quadro das famílias cantantes, que toma quase todo o seu tempo.

Não adianta receber nomes como Ana Maria Braga e Pedro Bial no palco se eles nada têm a fazer além de julgar os shows --e, como a decisão do vencedor é tomada em sigilo, nem a conversa entre os jurados é mostrada para o público, em mais um desperdício de seus talentos.

Se a competição musical fosse apenas um dos quadros de uma versão mais longa do Em Família, e os convidados de cada semana fossem utilizados em outros momentos, a sensação de subaproveitamento seria menor. Porém, quando todo o programa é dedicado a apenas isso, não dá para escapar do pensamento de que Tati Machado poderia fazer mais do que uma dancinha que é a tendência do momento ao lado de Estevam Nabote --que, como "assistente de palco" de Eliana, também tem pouco a acrescentar.

Não é por acaso que Celso Portiolli e seu Domingo Legal já deram um susto em Eliana, a ponto de a Globo escalar pela segunda vez uma edição extraordinária do BBB 26 para tentar levantar os índices de audiência da loira neste domingo (29). A solução, porém, é paliativa e não ataca a verdadeira causa do problema: a competição musical é chata, e mantê-la no ar até a Copa do Mundo é um convite ao sucesso do SBT no confronto direto.

A equipe do Em Família já deu indícios de que consegue usar as críticas a seu favor e corrigir os deslizes rapidamente. Após vários comentários de que a edição de estreia estava confusa, eles desaceleraram o ritmo no domingo passado e deram mais tempo para que as conversas fizessem sentido.

Fica a torcida para que consigam, de alguma maneira, diminuir o concurso musical e explorar melhor outros momentos da apresentadora e de seus convidados --se o quadro continuar até junho como atração principal, o estrago pode ser irremediável, e atrair o público de volta será uma tarefa difícil.

Uma opção seria aproveitar melhor a visita da loira à casa de famosos. Na estreia, a conversa dela com Daniel foi um ponto alto, mas acabou cedo demais (e ainda foi prejudicada por uma ação de merchandising pouco natural). Se a ideia é mostrar o lado familiar do artista, algo que o público teoricamente nunca viu, é necessário ter mais tempo para explorar isso.

Eliana já provou que consegue fazer milagre com pouco: na emissora de Silvio Santos (1930-2024), comandava uma verdadeira maratona televisiva sem grandes investimentos e com convidados de fama questionável --ainda assim, segurava o rojão e vencia com frequência o Hora do Faro, da Record.

É difícil entender como, na maior emissora do país e com o time de astros da Globo à sua disposição, a apresentadora foi colocada pela direção em um formato que desperdiça o seu talento e o seu carisma, além do potencial dos convidados. Eliana merece muito mais do que aquilo que tem recebido.


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