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ATRASOS DE SALÁRIOS

Em dia de condenação de Eduardo Bolsonaro, greve na TV Justiça chega ao fim

Reprodução/TV Justiça

Frame do ministro Alexandre de Moraes durante sessão do STF

Alexandre de Moraes durante julgamento de Eduardo Bolsonaro, transmitido na TV Justiça

MATHEUS QUEIROZ

matheus@noticiasdatv.com

Publicado em 16/6/2026 - 18h26

Profissionais da TV Justiça, da Rádio Justiça e de setores da comunicação do STF (Supremo Tribunal Federal) aprovaram encerramento da greve deflagrada nesta segunda (16). A decisão foi tomada em assembleia com representantes do tribunal e dos sindicatos de jornalistas e radialistas do Distrito Federal.

Apesar do fim da paralisação, o trabalho só será retomado oficialmente na quarta-feira (17). Com isso, a cobertura jornalística da TV Justiça ficou comprometida justamente no dia em que o canal transmitiu o julgamento de Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

A Primeira Turma do STF analisou a ação penal em que o ex-deputado federal é acusado de coação no curso do processo. Segundo a denúncia, Eduardo teria atuado nos Estados Unidos para incentivar sanções e tarifas contra o Brasil como forma de pressionar o Supremo durante o julgamento da trama golpista envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL),

A sessão foi exibida normalmente pela TV Justiça, mas sem a participação regular de repórteres, apresentadores e comentaristas que aderiram à greve.

Entenda a greve que assolou a TV Justiça

Os profissionais se mobilizaram sob alegação de que há atrasos de salários, de tíquetes-alimentação, de repasses de pensão alimentícia e falta de recolhimento de parcelas do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).

A responsável pelos débitos é a Fundac (Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação), empresa terceirizada que comanda os trabalhos de comunicação do Supremo. O contrato de licitação chega ao fim no dia 31 de julho.

Segundo os sindicatos, o STF apresentou um documento formal, em que se compromete a bloquear os pagamentos de faturas à Fundac, com o objetivo de quitar os débitos trabalhistas e rescisórios, no limite dos saldos dos três contratos que ainda estão em vigor.

O órgão também teria se comprometido a levantar com a Fundac os valores devidos aos trabalhadores; pagar, em caráter excepcional, diretamente aos colaboradores, as verbas salariais e rescisórias dos três contratos; apurar serviços prestados por profissionais autônomos que ainda estão pendentes; e recolher o depósito dos valores de FGTS atrasados. A quitação dos débitos, no entanto, depende se haverá saldos de recebíveis.

Em nota conjunta, os sindicatos de jornalistas e radialistas do DF pontuam que "a retenção dos recursos da Fundac melhora a perspectiva de solução" e que a suspensão da greve é um "voto de confiança dos trabalhadores no compromisso formal assumido pelo STF", mas destacam que a greve poderá ser retomada se as promessas não forem honradas.

Segundo apuração do Notícias da TV, o próximo contrato ainda é motivo de preocupação nas equipes. O consórcio melhor colocado foi alvo de um recurso apresentado por empresas concorrentes, que alegam que o projeto prevê salários abaixo dos pisos da categoria e riscos à continuidade dos serviços. A expectativa é que o recurso seja analisado até esta quarta-feira (18). Uma fonte destacou que este resultado poderia gerar uma nova reviravolta no caso.

O Notícias da TV procurou o STF para comentar o fim da greve e os acordos firmados, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. Nesta segunda-feira (15), o órgão declarou que acompanhava a situação e explicou que o pagamento de salários, benefícios e demais verbas trabalhistas aos profissionais alocados na execução contratual é obrigação da Fundac.

Desde segunda-feira (15), a reportagem tenta contato com a Fundac por telefone, e-mail e WhatsApp, mas sem sucesso. Nesta terça-feira (16), os números informados pela fundação são dados como indisponíveis durante as tentativas de ligação.


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