ELEIÇÕES 2026

Efeito debandada: TV aberta teme que horário político cause dano irreversível

ISTOCK

Urna eletrônica da Justiça Eleitoral com a palavra "FIM" exibida na tela, em frente à bandeira do Brasil desfocada ao fundo

Não só na urna: polarização da eleição deve ter efeito também sobre a TV aberta em 2026

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 26/8/2026 - 10h00

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O Horário Eleitoral Gratuito sempre foi uma dor de cabeça para a TV aberta, mas em 2026 a situação é ainda mais crítica. De acordo com executivos ouvidos pelo Notícias da TV, as emissoras temem uma fuga de público irreversível, especialmente no horário nobre. A grande preocupação é que o telespectador migre para o streaming para escapar da propaganda política e acabe não retornando à programação linear.

A questão é que, no auge de uma das eleições mais polarizadas da história recente, a alta rejeição não apenas aos candidatos, mas ao próprio sistema político, pode desencadear um fenômeno bem conhecido no mundo dos games: o rage quit --termo em inglês para expressar a atitude de abandonar o jogo por causa da raiva.

Uma fonte bem posicionada nos bastidores avalia que até a Globo, líder histórica do Ibope no PNT (Painel Nacional de Televisão), deve sentir o baque. Para blindar sua audiência contra o streaming, a emissora confia em dois trunfos de peso no horário nobre: a força do Jornal Nacional e o engajamento já conquistado por Quem Ama Cuida.

Mas o calendário eleitoral impõe um dilema à Record, que lança A Fazenda no auge do primeiro turno. A emissora terá de rebolar para segurar a audiência do Cidade Alerta SP e do Jornal da Record até o reality rural, já que o bloco de propaganda política entra como um obstáculo entre as atrações.

Para o SBT, o desafio é ainda maior: o horário eleitoral do início da noite atinge em cheio a faixa em que a emissora costuma reagir, tomar o terceiro lugar da Band e engrenar o crescimento até alcançar a vice-liderança no fim da noite. A barreira chega em um momento delicado para a rede da família Abravanel, que tem sido a voz mais firme na defesa da TV aberta.

Binge watching

Para um dos diretores ouvidos pela reportagem, a consolidação do streaming já é um caminho sem volta. Hoje, apenas a Globo costuma superar a soma das plataformas digitais no Ibope durante a semana --embora perca feio aos sábados e domingos. O Horário Eleitoral Gratuito, no entanto, ameaça acelerar esse processo também nos dias úteis.

O cenário se agrava com o avanço do "design capcioso" em plataformas como YouTube, Netflix e Amazon. As interfaces são projetadas para prender a atenção e maximizar o tempo de tela do usuário --seja engatando o play automático ao fim de cada vídeo ou estimulando o consumo compulsivo de episódios em sequência.

Ao contrário da TV aberta --que é uma concessão pública e obrigada a transmitir o conteúdo eleitoral--, o streaming permite ao telespectador se isolar em uma bolha sem política. Qualquer aceno das plataformas para reter esse público, como a redução temporária de anúncios no meio de filmes e séries, pode virar um golpe duríssimo na tentativa de emissoras como Globo, SBT e Band de recuperarem a audiência perdida.

O lado bom da eleição polarizada

Um executivo que falou com o Notícias da TV em condição de anonimato explicou que a própria polarização pode ser benéfica para a TV em algum momento. Em São Paulo, que é a maior praça do PNT, a eleição está dividida entre duas candidaturas majoritárias --com chances reais de Tarcísio de Freitas (PL) superar Fernando Haddad (PT) no primeiro turno.

O mesmo poderia acontecer, ainda que seja menos provável, no âmbito nacional. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia levar a disputa sobre Flávio Bolsonaro (PL) de cara, o que pouparia a TV aberta de voltar a exibir o Horário Eleitoral Gratuito durante as três semanas do segundo turno.

Como vai ser o horário político em 2026?

  • O Horário Eleitoral Gratuito será exibido a partir de 28 de agosto e vai até 1º de outubro;
  • A TV aberta vai abrir uma faixa de 50 minutos, divididos em dois blocos de 25 minutos: uma no início da tarde e outra no horário nobre;
  • Além disso, as emissoras são obrigadas a exibir 60 minutos de inserções diárias, de 30 a 60 segundos, entre às 5h e 0h;
  • O horário político acontece em sistema de rodízio: as campanhas dos candidatos à Presidência e os aspirantes a deputado federal ganham espaço às terças, quintas e sábados;
  • Às segundas, quartas e sextas, será a vez dos candidatos a senador, deputado estadual e governador;
  • Do tempo destinado à propaganda, 10% são distribuídos de maneira igualitária entre os partidos e federações, enquanto os outros 90% são distribuídos proporcionalmente ao número de representantes de cada legenda na Câmara dos Deputados.

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