'FALTA DE DIREÇÃO'

Editor que trabalhou 29 anos na Globo critica transmissão do Rock in Rio 2026

REPRODUÇÃO/GLOBOPLAY

Homem canta em um microfone e toca guitarra

Frejat durante show do Barão Vermelho no Rock in Rio; corte frenético foi criticado por editor

REDAÇÃO

redacao@noticiasdatv.com

Publicado em 6/9/2026 - 17h32

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Oscar Marinho, que trabalhou 29 anos e cinco meses na Globo e foi editor de vídeo do Fantástico, do Jornal Nacional e de atrações esportivas, criticou abertamente a transmissão que o conglomerado de mídia tem feito do Rock in Rio 2026. Segundo ele, há "câmeras demais e direção de menos", resultando em cortes frenéticos que não fazem necessariamente sentido.

Em um post no seu LinkedIn aberto para o público, Marinho deixou claro o seu descontentamento com o que tem visto no ar. "Agora que eu não trabalho mais na Globo, posso dizer uma coisa com mais liberdade: tenho achado muito fraco o corte de câmeras do Rock in Rio", começou ele, que deixou a emissora em dezembro.

"E não falo isso como quem está assistindo só por gosto. Falo como alguém que passou muitos anos trabalhando com televisão, edição e transmissão ao vivo. Em vários momentos, o que vejo é um corte excessivamente picotado, com trocas de câmera sem uma lógica musical clara. A imagem muda o tempo todo, mas nem sempre conta melhor o que está acontecendo no palco."

"Tenho saudade de diretores como Jodele Larcher, que tratavam uma música quase como um roteiro. Estudavam arranjo, entrada de instrumentos, solos, viradas e dinâmica. O corte não vinha porque apareceu uma imagem bonita no monitor. Vinha porque aquele era o momento certo. Isso faz uma diferença enorme", comparou Marinho.

"Transmissão de show não é simplesmente ter 20 câmeras e cortar entre elas. É saber quando trocar e, principalmente, quando não trocar. Às vezes, o melhor corte é deixar o plano respirar, acompanhar o músico, esperar a virada e respeitar a música", ressaltou o profissional.

"Tecnologia melhorou muito. A quantidade de câmeras aumentou. A qualidade de imagem é absurda. Mas ferramenta nenhuma substitui direção, repertório e escuta. Em alguns momentos do Rock in Rio, tenho visto câmera demais e direção de menos", disparou.

Nos comentários da publicação, o bacharel em Cinema e Audiovisual Matthaeus Braga ainda tentou argumentar que os cortes rápidos viraram quase que uma obrigação, já que o público não consegue mais manter a atenção durante muito tempo.

"Acho que esses cortes rápidos têm sido a tendência do audiovisual como um todo. Assistir algo com planos excessivamente longos automaticamente faz o espectador pegar seus celulares pra assistir outra coisa ao mesmo tempo ou até trocar de canal. Daí se perde muito desse estofo na linguagem", sugeriu.

Oscar Marinho, porém, não comprou a ideia por completo. "Concordo que o corte rápido virou uma linguagem muito presente. Mas corte rápido não precisa ser corte sem sentido. Dá pra cortar rápido respeitando música, ritmo, intenção e narrativa. O problema não é a duração do plano. É trocar de câmera só porque tem outra imagem disponível", respondeu.

"Quando o corte acompanha uma virada, um solo, uma entrada de instrumento ou uma mudança de dinâmica, ele pode ser rápido e ainda assim fazer todo sentido. O que me incomoda é quando vira metralhadora de câmera. Aí não é linguagem moderna. É falta de direção", cravou o editor.


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