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ESTOPIM

Dia Internacional da Mulher: Série 'desafia' true crime e investiga raiz do feminicídio

DIVULGAÇÃO/CANAL BRASIL

Vereadora Monica Benício

Vereadora Monica Benício; viúva de Marielle Franco é uma das entrevistadas da série documental

GIOVANNA RIBEIRO

giovanna@noticiasdatv.com

Publicado em 8/3/2026 - 20h00

[Atenção: Este texto pode ser gatilho para mulheres vítimas de violência]

O gênero true crime segue como um fenômeno de audiência no Brasil e no resto do mundo. Mas a nova série do Canal Brasil, Estopim, que estreia neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher, propõe uma ruptura necessária. Em vez de se perder nos "requintes de crueldade" que muitas vezes cercam a reconstrução de crimes reais, a produção opta por seguir o caminho inverso: buscar a "faísca" e as causas estruturais que levam à violência contra mulheres no país.

A urgência do tema é confirmada por dados recentes. Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na última quarta-feira (4), o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior.

O recorte racial aponta um cenário ainda mais grave: 62,6% das vítimas são mulheres negras, evidenciando a vulnerabilidade socioeconômica desse grupo. Ainda segundo o levantamento, oito em cada dez casos de feminicídio no país são cometidos por parceiros ou ex-companheiros. A maioria dos crimes ocorre dentro da própria residência (66,3%).

É nesse contexto que a série revisita casos emblemáticos, como o sequestro e a morte de Eloá Pimentel (1993-2008) e o assassinato da vereadora Marielle Franco (1979-2018). Ao analisar essas tragédias, a produção expõe desde o sensacionalismo midiático até a violência contra mulheres que ousam ocupar espaços de poder.

Dividida por "tipos" de violência, a série revisita essas histórias que mobilizaram o país; contudo, ela também desvenda outras que receberam pouca atenção da mídia. Estopim se divide em cinco episódios, que o Notícias da TV já assistiu: Crimes Políticos; Crimes Conjugais; Crimes Sexuais; Crimes de Ódio; e Crimes Invisibilizados. 

Ao propor essa inversão de perspectiva, Estopim se distancia de uma lógica recorrente do true crime, que transforma a violência em espetáculo e acaba reforçando uma curiosidade quase mórbida sobre o sofrimento alheio. Ou seja, em vez de perguntar apenas "como aconteceu?", a série insiste em uma questão mais incômoda: "por que continua acontecendo?".

Nesse processo, a produção também evidencia uma tensão presente na própria cobertura dos casos de feminicídio: enquanto alguns episódios ganham ampla repercussão, com cobertura intensa e repetição exaustiva de detalhes, muitos outros permanecem praticamente invisíveis. O que também diz muito sobre as estruturas sociais que definem quais vidas geram comoção e quais acabam esquecidas.

Outro ponto sensível é o protagonismo frequentemente concedido aos agressores. Não raro, nomes, rostos e trajetórias dos criminosos acabam dominando a narrativa, enquanto as vítimas se tornam figuras secundárias, reduzidas a estatísticas. Ao deslocar o olhar para quem sofreu a violência --e para os contextos que a permitiram--, Estopim tenta reequilibrar essa balança e devolver às vítimas a centralidade que muitas vezes é negada.

A produção dirigida por Ana Teixeira reúne entrevistas com algumas das
principais vozes do debate público sobre violência de gênero, como Maria da Penha, Anielle Franco, Mônica Benício, Valeska Zanello e Soraia Mendes, entre outras especialistas, ativistas e pesquisadoras.

Com direção de arte e ilustração de Lívia Serri Francoio e Luma Flôres, a série aposta em animações e imagens metafóricas que atravessam os episódios. Os recursos ajudam a abordar os casos de forma a preservar as vítimas e evitar a exposição direta das situações retratadas --assim, presta homenagem a suas histórias de vida, muito maiores do que as violências que sofreram.

Estopim estreia no Canal Brasil neste domingo (8), às 21h, com exibições diárias no mesmo horário até o dia 12. A programação segue a ordem: Crimes Políticos (dia 8), Crimes Conjugais (9), Crimes Sexuais (10), Crimes de Ódio (11) e Crimes Invisibilizados (12).

Para quem perder a exibição original, a emissora programou reprises para 5 de abril, na madrugada de sábado para domingo, à 0h, e uma segunda leva a partir do dia 6, às 18h15.


Para denunciar casos de violência contra a mulher e evitar feminicídios, a pessoa deve ligar para o número 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em casos de agressão contra crianças e adolescentes, utilize o Disque 100 (Direitos Humanos). Também é possível acionar a Polícia Militar numa situação de emergência por meio do 190.


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