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NO SEM CENSURA
REPRODUÇÃO/TV BRASIL

Daniel Filho no Sem Censura; diretor veterano relembra relação com a Globo e pedido de demissão
O diretor Daniel Filho relembrou sua relação de idas e vindas com a Globo, que começou ainda nos anos 1960 e teve seu vínculo encerrado em definitivo em 2015. Em entrevista ao Sem Censura, na TV Brasil, o veterano de 88 anos explicou o que o levou a deixar a emissora líder de audiência pela primeira vez, na década de 1990.
"Eu me reencontrei. O poder é um lugar muito complexo, que cria muitos amigos falsos e inimigos poderosos. Eu até usei essa frase quando pedi demissão [da Globo], o que foi um espanto para todo mundo. Imagina, eu estava ganhando uma fortuna", contou ele, em conversa com Cissa Guimarães.
"Mas eu disse: 'eu quero saber quem sou eu sem essa cadeira em que estou sentado'. A cadeira do poder é uma cadeira que cria uma redoma em torno de você", explicou.
Diretor de novelas marcantes como Irmãos Coragem (1970) e Dancin' Days (1978), Daniel Filho foi convidado para a Globo por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, em 1967. A partir de então, foi chamado para dirigir várias novelas e subindo na hierarquia da empresa, chegando ao cargo de diretor da Central Globo de Produção em 1991 --quando deixou a emissora.
No período em que esteve afastado da Globo, dirigiu e produziu a série Confissões de Adolescente (1994), exibida pela TV Cultura. Em 1994, também assumiu a função de Superintendente de Operações e Programação da Band. E só retornou para a Globo em 1995.
Daniel Filho afirma que, apesar de ter experimentado o gosto inebriante do poder, se sentia "frustrado" e pouco reconhecido na antiga casa.
Eu dizia: 'estou pedindo para sair, porque não aguento mais'. Porque também tinha um outro lado terrível, que era, mal comparando, eu preparava a parceira e, na hora de ir para a cama, eu entregava para outro fazer (risos). Então, quer dizer, ficava preparando o programa, a ideia... É realmente muito frustrante.
"E eu estava com tanta razão, que logo produzi um programa, que foi o Confissões de Adolescente, que é algo meu. E se você pensar no tanto de programas que estão na Globo e nos quais meu nome nem aparece, nem dizem que eu tenho algo a ver com isso... Então, finalmente, eu consegui ter algo que eu posso chamar de meu", celebrou.
Daniel Filho deixou a Globo em definitivo em 2015. Na TV, ele dirigiu novelas marcantes das décadas de 1970, 1980 e 1990. Véu de Noiva (1969), Selva de Pedra (1972), Pecado Capital (1975), O Casarão (1976), Duas Vidas (1976) e O Astro (1977) constam no currículo do carioca, que também foi responsável por minisséries como O Primo Basílio (1988), A Vida Como Ela É... (1996), entre muitos outros.
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