A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
NO CALDEIRÃO
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Marcos Mion recebeu Dedé Santana no Caldeirão deste sábado (16) para fazer uma homenagem
O Caldeirão atravessa um momento complicado na Globo --em audiência, repercussão e até no carinho do público--, mas ninguém pode dizer que Marcos Mion não escuta as críticas. Um mês depois de ser detonado pela "homenagem" que fez a Renato Aragão no seu programa, ele mudou completamente o tom e quase sumiu de cena para receber Dedé Santana.
Em 11 de abril, o Caldeirão recebeu o eterno Didi para celebrar seus 91 anos de vida e mais de 60 de carreira na televisão. No entanto, o público e a crítica não gostaram do que viram: Mion chorou, se gabou de comandar o Criança Esperança no lugar do veterano e falou mais sobre si do que sobre o suposto homenageado do dia. A intenção foi boa, mas a execução saiu pela culatra.
Neste sábado (16), foi a vez de o comunicador homenagear Dedé Santana pelos seus 90 anos. O Mion que se viu na TV foi o oposto completo daquele do mês passado: ele se apagou para dar a chance de o comediante brilhar, servindo de escada justamente para o artista famoso por essa função.
"Brasil, olha quem tá aqui, um dos maiores nomes da TV brasileira! Dedé Santana!", anunciou o apresentador, que só falou de si mesmo brevemente para valorizar o convidado. "É bom demais poder estar assim pertinho de quem é a inspiração da vida. Poxa, você é meu amigo de infância, você estava lá comigo todo fim de semana quando eu era pequeno", falou.
"Uma das coisas que eu mais acredito, e quem assiste ao Caldeirão sabe bem, é fazer a homenagem em vida, e a gente não perde uma oportunidade de fazer isso. E você merece todas as homenagens, Dedé. Que história linda!", elogiou Mion, falando apenas o necessário para fazer Santana se abrir.
E Dedé se abriu mesmo. Falou sobre a morte precoce do pai em um acidente e sobre os problemas de saúde. "Eu sou um milagre de Deus, era pra eu ter morrido há uns 40 anos. Eu fui salvo no leito do hospital por Jesus Cristo. Tô aqui com três costelas quebradas, mas tô aqui", falou, se dirigindo ao público. "Sou eternamente grato por vocês terem feito de mim um eterno trapalhão."
Sincero, Santana falou até sobre as brigas nos bastidores dos Trapalhões --ele e Renato Aragão tiveram vários problemas pessoais e profissionais ao longo da carreira. "Você convive com essas pessoas há muito tempo, de vez em quando tem umas rusguinhas, e o Zacarias [1934-1990] era o apaziguador."
Para corrigir o tropeço do passado, Mion ainda abriu o palco do Caldeirão para um retorno de Renato Aragão. O comediante foi dar um abraço em Dedé Santana, em um reencontro muito aguardado pelos fãs da trupe humorística.
reprodução/tv globo

Renato Aragão também homenageou Dedé no Caldeirão
Mion ficou obviamente emocionado ao ver os dois juntos no seu palco, mas segurou o choro e deixou os dois livres. Dedé Santana deixou clara a importância de Aragão na sua vida. "Eu fui um garoto criado no circo, meu pai morreu muito cedo, não tive essa convivência com a família. Quando eu encontrei o Renato, aprendi muito sobre família, comportamento, até pra igreja ele me levou. Eu sou muito grato por tudo o que você fez", falou.
O eterno Didi pagou na mesma moeda ao elogiar o amigo. "Ele só faz coisas boas na vida, nunca vi ele fazer coisa errada. O Dedé é aquele cara que, quando vê uma pessoa que está cambaleando, leva pra consertar as canelas."
Depois que Aragão foi embora, Santana afirmou ter sido pego de surpresa com o reencontro. "Aqui, a gente não mede esforços para fazer uma boa surpresa e uma boa homenagem. E você merece todas porque você é um gênio do humor, que faz parte das nossas vidas. Completando 90 anos, recebendo a homenagem em vida, todas que merece, é filme, é livro, e humildemente aqui no palco do Caldeirão", cravou Mion.
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