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FUTEBOL
CESAR GRECO/PALMEIRAS

Jogadores do Palmeiras comemoram gol em partida do Brasileirão; clube decidiu sair da Libra
A saída do Palmeiras da Libra nesta semana movimentou os bastidores do futebol brasileiro e levantou dúvidas entre torcedores do Verdão e também no mercado de mídia esportiva: afinal, o que muda na transmissão dos jogos do clube após o rompimento com o bloco?
A resposta, ao menos por enquanto, é direta: nada será alterado na TV. Apesar de ter oficializado sua saída, o Palmeiras segue protegido pelo contrato de direitos de transmissão já firmado para o Campeonato Brasileiro.
O acordo com a Globo --que inclui exibição em TV aberta, canais por assinatura e no pay-per-view via Premiere-- continua em vigor até 2029. Na prática, isso significa que os jogos do clube seguirão sendo exibidos normalmente dentro do modelo atual, sem qualquer impacto imediato para o torcedor ou para o mercado publicitário.
A decisão do clube paulista tem um peso mais político. Em nota, o Verdão deixou claro que não irá aderir à FFU (Futebol Forte União) neste primeiro momento. Vale lembrar que o bloco --formado por clubes como Corinthians, Internacional e Vasco-- negociou a transmissão com a Record e a CazéTV.
A estratégia do Alviverde é permanecer independente e acompanhar os próximos passos da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) na tentativa de costurar uma liga nacional para 2030, que já vem acontecendo nos bastidores.
Em comunicado oficial, o Palmeiras afirmou que deixa a associação por divergências sobre os rumos adotados pelo bloco. O clube reconheceu avanços obtidos pela Libra, incluindo justamente o acordo de direitos de TV, mas criticou a condução interna das negociações.
"É inegável que o bloco obteve conquistas, entre elas o acordo pelos direitos de TV. Ao longo desse processo, contudo, atitudes egoístas --quando não predatórias-- inviabilizaram a coesão necessária para um modelo compartilhado de gestão e governança", disse o clube em nota.
O estopim para a saída foi o entendimento firmado entre Flamengo e Libra para encerrar a disputa envolvendo a divisão das receitas de audiência do contrato com a Globo. O modelo aprovado em 2024 previa que os valores seriam distribuídos em três frentes: 40% de forma igualitária entre os clubes, 30% por desempenho esportivo e 30% por audiência.
A divergência surgiu justamente nessa última fatia. O Flamengo alegava que o anexo que definia o cálculo da audiência não tinha critérios técnicos suficientes para execução e chegou a recorrer à Justiça para bloquear valores que lhe eram devidos. O movimento travou temporariamente repasses aos demais integrantes do bloco e gerou forte desgaste. Além destes clubes, times como Santos, São Paulo e Bahia fazem parte do bloco.
Após meses de impasse, Flamengo e Libra chegaram a um acordo nesta semana. O novo entendimento assegurou ao clube carioca uma participação maior na receita de audiência até 2029, com cifras que podem chegar a cerca de R$ 140 milhões adicionais no período. O acerto foi visto pelo Palmeiras como uma quebra da lógica coletiva prometida desde a criação do bloco.
No ano passado, a presidente Leila Pereira já havia demonstrado irritação com a postura rubro-negra e chegou a ironizar publicamente toda a situação. "Acho que seria bonito nós criarmos uma nova liga, excluindo o Flamengo, e o Flamengo joga com ele mesmo. Quero ver a audiência que vai ter", alfinetou.
Do outro lado, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, respondeu na época: "Claro que o Flamengo não vai jogar sozinho. Isso são guerras de narrativas absolutamente tolas. Até porque, se o Flamengo jogasse sozinho, o dinheiro que sobraria para os outros seria muito pouco".
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