ENTREVISTA

Como a N Sports usa a Copa do Mundo para entrar na briga por direitos esportivos

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

homem branco segura microfone em estúdio de TV

André Barros é CEO da N Sports desde junho de 2025 e encabeça o projeto Copa do Mundo no canal

EDUARDO REIS

eduardo@noticiasdatv.com

Publicado em 4/7/2026 - 9h00

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A aquisição dos direitos de transmissão da Copa do Mundo representa um marco na estratégia da N Sports. Mais do que exibir o maior evento esportivo do planeta, o canal quer usar a competição para fortalecer sua marca, ampliar a audiência e disputar ativos cada vez mais relevantes do mercado.

Em entrevista exclusiva ao Notícias da TV, o CEO André Barros explica como o Mundial se tornou a porta de entrada para esse novo momento da companhia.

Nome forte nos bastidores da mídia esportiva, Barros se alçou nacionalmente ao criar o canal Desimpedidos, em 2013. Na época, o projeto se tornou referência na mistura de futebol com humor, algo que o público vê difundido até hoje, da Globo à CazéTV.

CEO da N Sports desde junho de 2025, o executivo entende que o futuro da comunicação esportiva envolve mesclar o direito de transmissão com a diversão, e aponta que a Copa é essencial para os planos da empresa.

Para Barros, a Copa do Mundo vai muito além da audiência obtida durante o torneio. O principal objetivo é consolidar a marca da N Sports diante do público e do próprio mercado, abrindo caminho para disputar novos direitos esportivos nos próximos anos.

"O principal ganho para a gente é fazer a N Sports deixar de ser um nome estranho na cabeça do consumidor e também do mercado. Quando a gente for conversar sobre outros direitos ou lançar um conteúdo novo, as pessoas já vão saber quem somos e o que a gente se propõe a fazer", afirma.

Segundo o executivo, a empresa pretende participar das negociações dos principais ativos esportivos que surgirem nos próximos anos. Pode ser Fórmula 1, NBA ou outros grandes eventos; todos estão no radar.

A gente quer trazer mais direitos. Todos os grandes direitos esportivos estão na mira. A Copa mostrou que, às vezes, sonhar dá certo. A gente sonhou com ela, e ela veio até mais rápido do que imaginava. Agora, queremos aproveitar o momento para buscar tudo aquilo que for possível trazer para a N Sports.

Barros ressalta, no entanto, que adquirir competições não representa o objetivo final da empresa. "O grande direito é o meio, não o fim. Ele chama a atenção da audiência, mas o mais importante é a conversa que acontece depois. Tem um jogo na quarta-feira, mas o que acontece até a próxima quarta? É aí que entra o conteúdo. O direito serve para abrir essa porta, e a nossa missão é manter essa comunidade engajada o tempo todo", explica.

Segundo o CEO, essa visão nasce da experiência construída com o Desimpedidos e, posteriormente, com a NWB, empresa recomprada pelo grupo no ano passado.

"A gente acredita muito nessa combinação. A N Sports traz a qualidade das transmissões e dos grandes direitos, enquanto a NWB construiu durante anos uma comunidade muito forte. Hoje, as pessoas não querem só assistir ao jogo. Elas querem emoção, humor, bastidores, querem participar da conversa. É justamente essa união entre transmissão e entretenimento que forma o DNA da N Sports", avalia.

Parceria com o SBT

André Barros afirma que a parceria com o SBT deu certo porque as duas empresas chegaram praticamente à mesma conclusão sobre o tipo de cobertura que queriam fazer da Copa do Mundo.

"Logo no começo das conversas, a gente fez um exercício. Eles escreveram como enxergavam a transmissão, e nós fizemos o mesmo. Quando comparamos os dois textos, eram muito parecidos. Os dois falavam em entretenimento, narrativa multiplataforma, conteúdo para diferentes gerações e uma cobertura mais leve. Ali a gente percebeu que existia uma sintonia muito grande", recorda.

Segundo ele, a ideia nunca foi transformar a transmissão em um programa de humor, mas fugir de um formato excessivamente tradicional. 

"A gente encontrou um meio do caminho. Não é o escrachado da internet, nem o modelo mais quadrado da televisão. É uma transmissão leve, divertida, mas que continua entregando informação. Acho que esse equilíbrio é o que está dando certo."

O executivo lembra que, quando assumiu a N Sports, estabeleceu três grandes metas para a empresa: conquistar um grande direito esportivo, atrair um grande patrocinador e trazer um personagem de peso para o projeto.

"A Copa cumpriu o papel do grande direito, o Galvão [Bueno] representou esse grande personagem, e os patrocinadores vieram junto com o projeto. Agora o desafio é aproveitar tudo isso para consolidar a marca da N Sports", afirma.

Barros também destaca que a empresa pretende manter a estratégia de dividir grandes competições com emissoras de TV aberta. Segundo ele, esse modelo permite compartilhar investimentos, ampliar a audiência e gerar benefícios para todos os envolvidos:

"A gente não pretende entrar na TV aberta, então faz muito sentido trabalhar com quem já está lá. Hoje, temos ou tivemos parcerias com SBT, Globo, Record, RedeTV! e ESPN, cada uma em um formato diferente. Há alguns anos, isso parecia impossível, mas o mercado mudou. O universo digital sempre foi muito colaborativo, e acho que essa lógica chegou também à televisão."

A parceria com outras emissoras se apresenta como um "ganha-ganha". Com os direitos esportivos cada vez mais caros, quem não quer dividir custos?

"Independentemente do modelo, precisa de bala na agulha. Balinha, chocolate, o que você tiver no bolso aí vai ter que estar na agulha, não tem muito jeito. Direito esportivo é caro. A parceria não desonera ninguém, porque todo mundo investe. O que acontece é que a gente divide o custo, divide a produção e aumenta o alcance da transmissão. Todo mundo ganha: em engajamento, em audiência e em várias outras frentes. Isso fortalece o projeto para todo mundo", finaliza Barros.


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