COBERTURA

César Tralli sai do estúdio para missão que William Bonner considerava 'sofrida'

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

César Tralli está numa área com deslizamento de terra e áreas isoladas por fitas da Defesa Civil

César Tralli cobriu a tragédia em Juiz de Fora (MG) in loco para o Jornal Nacional desta quarta (25)

REDAÇÃO

redacao@noticiasdatv.com

Publicado em 25/2/2026 - 20h12

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À frente do Jornal Nacional há pouco mais de três meses, César Tralli saiu do estúdio da Globo no Rio de Janeiro e apresentou o noticiário diretamente de Juiz de Fora (MG), onde as fortes chuvas e os deslizamentos de terra já deixaram pelo menos 47 mortos. A cobertura in loco de tragédias foi apontada por William Bonner como uma das partes mais "sofridas" do trabalho --e um dos motivos por ele ter deixado a bancada.

No início do mês, quando deu uma entrevista para divulgar sua nova fase no Globo Repórter, Bonner valorizou a oportunidade de fazer reportagens mais leves, sem o peso de cobrir as enchentes do Rio Grande do Sul, por exemplo.

"O Globo Repórter chega para mim e diz o seguinte: 'Olha, não é só a apresentação', o que já seria superlegal. 'É mais do que isso'. Eu vou fazer reportagens também. E eu vou poder fazer reportagens sem nenhum compromisso factual, sem a urgência do factual. Eu não quero citar desgraças, mas pense em qualquer tragédia que eu tenha coberto in loco. Aquilo me impõe uma urgência de fazer uma reportagem para aquele dia --e, em geral, é triste, é sofrido", havia dito o antigo âncora do JN.

Tralli, por sua vez, demonstrou segurança e emoção ao falar com o público diretamente da cidade mineira --onde deve ficar pelos próximos dias, já que a situação ainda parece longe de ser resolvida. "Boa noite a todos. Eu falo ao vivo aqui do Parque Burnier, um dos bairros mais atingidos pelos temporais de segunda-feira [23], que vêm castigando essa região da Zona da Mata mineira."

"Nós estamos no terraço de uma casa, até por uma questão de segurança, porque choveu muito durante a tarde, tem muita lama, muito barro nas ruas, muito difícil até de se deslocar a pé. Aqui de cima, dá para observar o trabalho incessante das equipes de resgate, com máquinas, com tratores, com voluntários, o pessoal da Defesa Civil, dos Bombeiros, tentando a todo custo encontrar sobreviventes", narrou o âncora logo após a escalada do noticiário.

"Nessa região aqui onde eu estou, pelo menos umas 12 casas, como me disse há pouco uma pessoa de Defesa Civil, um coordenador da Defesa Civil, pelo menos 12 casas desapareceram, foram soterradas pelas montanhas todas de lama, de terra e de água que deslizaram de cima até aqui embaixo", apontou.

"Eles estão procurando sobreviventes, tem ao menos 20 pessoas desaparecidas ainda, somente nessa área, e os Bombeiros e a Defesa Civil estão procurando sobreviventes, procurando por essas pessoas", explicou.

"O número de mortes, e aí eu falo de mortes oficiais, é atualizado a todo instante. Na Zona da Mata, o que os Bombeiros e a Defesa Civil disseram há pouco é que são, agora, 47 mortes, 41 só em Juiz de Fora", lamentou.

"Choveu muito durante a tarde, a Defesa Civil emitiu novos alertas, todo celular tocando com aquele apito sonoro bem alto. Infelizmente, previsão de novos temporais a qualquer momento, o que obviamente dificulta muito mesmo o trabalho das equipes de resgate", arrematou Tralli, que ainda deu uma mensagem de apoio aos familiares das vítimas.


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